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‘Por que travar uma batalha sobre isso?’: As ameaças de Trump sobre o Canal do Panamá reabrem as feridas da invasão dos EUA em 1989 | Panamá

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Luke Taylor in Bogotá

For Isabel Corro, Donald Trump’s sugestões de que os EUA poderiam usar a força militar para assumir o controle do Canal do Panamá evoca memórias dolorosas.

A senhora de 79 anos lembra-se vividamente de ter levado os filhos às pressas para dentro de seu apartamento em 20 de dezembro de 1989, enquanto helicópteros e caças do exército dos EUA gritavam. Panamá Cidade, transformando edifícios em pilhas de escombros com foguetes e tiros.

O padrasto de Corro, policial, foi morto na invasão; seu corpo não foi encontrado até ser retirado de uma vala comum no ano seguinte.

“Eu me lembro daquela noite. A cidade estava tranquila, as casas cheias de enfeites e o país inteiro aguardava o Natal. Então, de repente, helicópteros zumbiam e o céu se iluminava com bombas e tiros”, disse Corro. “Foi uma noite extremamente violenta e trágica. Um que infelizmente nunca esquecerei.”

Washington já apoiou o então presidente Manuel Noriega – um aliado que espionou para a CIA – mas George HW Bush enviou 10.000 soldados para derrubar o ditador, à medida que o seu papel como chefão internacional da droga se tornava evidente.

Centenas de pessoas foram mortas – muitas delas civis – durante a Operação Justa Causa e a sombra da invasão ainda paira sobre o Panamá. Os comentários de Trump alimentaram receios de que os EUA possam voltar a fixar a sua visão militar no país.

Crianças comemoram os fuzileiros navais dos EUA após uma ofensiva em Vecca Monte, a oeste da Cidade do Panamá, em 28 de dezembro de 1989. Fotografia: Arquivo de notícias diárias de Nova York/Getty Images

“Ele é um homem muito arrogante que pensa que pode pegar o que quiser”, disse Corro, presidente da Associação de Famílias Vítimas da Invasão Americana no Panamá em 1989. “Ele não pode simplesmente decidir: ‘Vou comprar este país, vou invadir este’. O mundo não é um grande mercado de pulgas. Isso não deveria acontecer e não vamos deixar isso acontecer.”

Trump, que tomará posse como presidente dos EUA em 20 de janeiro, voltou frequentemente ao assunto do Panamá nas últimas semanas, reclamando que os navios americanos pagam taxas “ridículas” pela passagem pelo canalque ele alegou ser controlado pela China.

As empresas chinesas estão envolvidas em dois grandes portos do Panamá, como parte de um consórcio de Hong Kong, mas não têm controle do canal, disse Orlando Pérez na Universidade do Norte do Texas em Dallas. As taxas cobradas pela passagem são calculadas por peso e tamanho, aplicando-se igualmente a cada empresa, independentemente da nacionalidade.

No entanto, em Dezembro, Trump disse que se o Panamá não conseguir garantir “a operação segura, eficiente e fiável” da hidrovia, “exigiremos que o Canal do Panamá nos seja devolvido, na íntegra e sem questionamentos”.

Esta semana, quando pressionado sobre como planeava adquirir o canal, recusou-se a descartar a possibilidade de tomar medidas militares ou económicas.

A retórica belicosa de Trump surgiu durante uma semana em que ele também ameaçou tomar a Groenlândia e o Canadáprovocando advertências da França, Alemanha e das Nações Unidas.

No Panamá, onde as cicatrizes do conflito com os EUA ainda estão a sarar, os comentários de Trump provocaram uma indignação generalizada.

Carros queimados e edifícios destruídos após a invasão dos EUA, 27 de dezembro de 1989. Fotografia: Steven D Starr/Corbis/Getty Images
Helicópteros do exército dos EUA patrulham a Cidade do Panamá durante a Operação Justa Causa, em 29 de dezembro de 1989. Fotografia: Carlos Guardia/AFP/Getty Images

O incidente prejudicou as relações com o governo do Panamá, que afirmou que a soberania sobre o canal é “inegociável” e acusou Trump de mentir sobre fazer uma oferta para comprá-lo.

“Os únicos operadores do canal são os panamenhos e é assim que ele vai permanecer”, disse o ministro das Relações Exteriores do país, Javier Martínez-Acha.

Cerca de 5% do tráfego marítimo global passa pelo Canal do Panamá, reduzindo 11.000 km (6.835 milhas) de uma viagem que, de outra forma, exigiria uma viagem longa e perigosa contornando o extremo sul da América do Sul.

O chefe da Autoridade do Canal do Panamá disse na quarta-feira que a sugestão de Trump de que os navios dos EUA obtenham taxas preferenciais “levará ao caos” e negou que China tinha qualquer controle sobre a operação.

“Não podemos discriminar os chineses, ou os americanos, ou qualquer outra pessoa. Isto violará o tratado de neutralidade, o direito internacional e levará ao caos”, disse Ricaurte Vásquez Morales ao Wall Street Journal.

A hidrovia foi construída pelos EUA entre 1904 e 1914 e alugada a Washington. Após um tratado assinado pelo então presidente Jimmy Carter em 1977, o controle do canal foi devolvido ao Panamá em 1999, sob a condição de que seu uso fosse gratuito para qualquer nação.

O canal contribui 7,7% do PIB do Panamá e se tornou motivo de “orgulho” e parte da “identidade do país”, disse Serena Vamvas, vereadora do distrito de São Francisco, na Cidade do Panamá.

“O Panamá pode estar dividido politicamente, mas todos concordamos que o canal é um tesouro nacional. Todos aqui estão indignados com os comentários de Trump”, disse Vamvas.

Qualquer discussão sobre a intervenção dos EUA traz recordações dolorosas para muitos no Panamá. Oficialmente, 300 soldados e 214 civis foram mortos na invasão de 1989, mas alguns grupos de defesa dos direitos humanos dizem que o número de mortos se aproximou dos 1.000.

Muitos panamenhos celebraram a libertação do seu país do domínio de Noriega, mas os EUA foram acusados ​​de serem severos, deixando um número desproporcional de civis entre os mortos.

Soldados dos EUA fora da embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá, onde Manuel Noriega procurava asilo, em 25 de dezembro de 1989. Fotografia: Manoocher Deghati/AFP/Getty Images

“Não é apenas a sua ignorância, mas a forma despreocupada como Trump faz estes comentários, incluindo que o Panamá é controlado pela China, que é um insulto. Ainda há pessoas (cujos corpos) ainda não foram encontrados após a invasão do Panamá. É uma ferida aberta e estes comentários são muito dolorosos”, disse Walkiria Chandler D’Orcy, deputada na Assembleia Nacional do Panamá.

Trump alegou repetidamente que o canal não está mais sob o controle do Panamá. “Está sendo operado pela China – China! – e demos o Canal do Panamá ao Panamá, não o entregamos à China”, disse Trump esta semana. “E eles abusaram disso, abusaram desse dom.”

A estratégia de longo prazo de Trump permanece obscura, disse Pérez, da Universidade do Norte do Texas, em Dallas. “Para mim e para outras pessoas que conhecemos bem esta situação, é desconcertante. Nos 25 anos desde que o Panamá adquiriu o controle do canal, eles fizeram um trabalho exemplar no desenvolvimento de uma infraestrutura de gestão livre de corrupção, transparente, independente da interferência governamental e que opera com base em princípios de mercado.”

Os comentários de Trump fazem menos sentido dado que o presidente do Panamá, José Raúl Mulino – um conservador e também empresário – é um aliado lógico que tem prometeu ajudar os EUA com o aumento da migração através do Darién Gapum caminho perigoso que liga a América do Sul e Central.

“O canal tem sido o alfa e o ômega da identidade nacional panamenha há mais de um século. Define o que é o país”, disse Pérez. “Por que você travaria uma batalha sobre isso e minaria deliberadamente o relacionamento com um dos aliados mais próximos da região?”



Leia Mais: The Guardian

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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