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Quais são seus planos para o futuro? – DW – 14/12/2024

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Milhares de sírios saíram às ruas da Alemanha quando ouviram falar da queda do regime brutal que governou a Síria durante décadas sob Bashar al-Assad e seu pai, Hafez al-Assed, antes dele.

Mas agora, uma semana depois de as forças rebeldes tomarem a capital, Damasco, muitos dos sírios exilados na Alemanha perguntam-se o que vem a seguir. Síria e para si e suas famílias.

Anas Modamani: ‘Vou ficar’

Anas Modamani tinha 17 anos quando fugiu da guerra civil na Síria e do medo de ser convocado para o exército de Assad, acabando em Berlim.

Uma selfie que ele tirou com o então chanceler alemão Angela Merkel em 2015 tornou-se viral como um símbolo da decisão de Merkel de permitir a entrada de centenas de milhares de migrantes na Alemanha naquele ano.

Durante seu tempo em Alemanhaele nunca perdeu a esperança de que a Síria ficaria livre de Assad, diz ele à DW.

Qual foi a sua reação ao saber da queda de Assad? “Oh meu Deus, finalmente acabou. Mal consegui dormir… tenho assistido ao noticiário sem parar.”

Modamani está confiante de que a situação na Síria irá agora melhorar e que o país voltará ao normal.

“Mas ainda vou ficar na Alemanha”, diz ele. “Construí minha vida aqui nos últimos 10 anos.”

Ele agora também possui passaporte alemão, uma das 214 mil pessoas na Alemanha com origem imigrante síria.

Modamani estudou comunicação empresarial em Berlim e agora trabalha como jornalista freelancer, inclusive para a DW.

Quando olha para a sua fotografia com Merkel, reflete sobre o quão calorosamente os refugiados sírios foram recebidos naquela época. “Quando você dizia ‘da Síria’, as pessoas sorriam. E agora muitas vezes sinto que não somos mais bem-vindos.”

O fato de que Políticos alemães estavam discutindo deportações logo após a queda de Assad assustou muitos sírios.

Kefah Ali Deeb: ‘Devemos reconstruir o nosso país’

O sírio Kefah Ali Deeb fugiu para a Alemanha em 2014 depois de ter sido preso quatro vezes por protestar contra o governo; em 2011, protestos pró-democracia exigindo o fim das práticas autoritárias do regime de Assad levaram à formação de milícias da oposição e ao início de uma guerra civil plena em 2012.

Mas Ali Deeb, autora, ativista e artista, diz que uma coisa é certa: a jovem de 42 anos quer regressar à sua terra natal o mais rapidamente possível.

“No momento, estou planejando isso com meu marido”, disse ela à DW por telefone. “Porque mesmo depois de 10 anos (na Alemanha), ainda não estou em casa. Sempre estive deprimido.”

“Ainda não conseguimos obter qualquer informação sobre os nossos entes queridos que estão na prisão há 10, 12 ou 14 anos. Não sabemos nada, se são sobreviventes ou se Al-Assad os matou.”

Ali Deeb espera que a história amplamente documentada de tortura e assassinatos sumários na Síria seja abordada em breve.

“Porque só assim a justiça será real. Para liberar nossa raiva e nossa tristeza. Eu adoraria fazer parte disso”, diz ela.

“É muito difícil recomeçar do nada. Mas ainda assim, é o nosso país, é a nossa casa. Temos que fazer algo para reconstruir o nosso país.”

Com o desejo de voltar, Ali Deeb parece estar em minoria; inquéritos aos sírios na Alemanha mostram que a maioria deles quer ficar onde está.

Kefah Ali Deeb dando aos visitantes um tour pelo Museu de Arte Islâmica de Berlim
Mediador cultural: Kefah Ali Deeb guia visitantes por um museu em Berlim Imagem: ACNUR/David Morgan

Ali: ‘Quero integrar’

Ali, que não quer divulgar o sobrenome, está entre os que querem ficar na Alemanha. DW encontra-se com ele na cidade de Bonn, no oeste da Alemanha, em um centro para migrantes onde vivem atualmente 540 refugiados, incluindo 145 da Síria.

Ali, de Damasco, diz que é “bom” que o regime de Assad tenha caído. Mas apesar de estar na Alemanha há pouco mais de um ano e quase não falar alemão, Ali quer ficar aqui.

“Quero integrar-me”, afirma, acrescentando que já encontrou emprego e está a caminho.

Mas será que estes recém-chegados também terão a oportunidade de construir uma nova vida na Alemanha? O Gabinete de Migração e Refugiados da Alemanha recebeu 72.000 novos pedidos de asilo de sírios em 2024.

Após a queda de Assad, no entanto, os pedidos de asilo de sírios não estão actualmente a ser processados.

Man Achorr em sua loja em Bonn
Man Achorr tem sua própria loja em Bonn, como fazia em Damasco até fugir, sete anos atrásImagem: Peter Hille/DW

Man Achorr: ‘Tudo foi destruído’

No momento, o homem sírio Achorr não consegue imaginar voltar. Há apenas dois meses, o homem de 47 anos mergulhou no trabalho independente e abriu o seu próprio pequeno supermercado no sul de Bonn.

Latas de tomate e homus, sacos de bulgur e farinha de grão de bico estão empilhados em seis fileiras em seus armazéns. Ele também vende legumes frescos e pão árabe. Cerca de metade de seus clientes são árabes, diz ele, ressaltando que quem sente falta da culinária síria pode encontrar a mistura certa de temperos em sua loja.

Achorr é de Ghuta, perto de Damasco. Há sete anos, ele e o irmão fugiram para a Alemanha via Egito.

“Meus quatro filhos estudam aqui e falam alemão fluentemente”, diz ele. Ele está feliz porque Assad, que fugiu para a Rússia, não está mais no poder.

“Espero que a guerra acabe para sempre”, diz ele.

Mas durante a guerra civil, “tudo foi destruído” na sua cidade natal, há muito um refúgio para milícias islâmicas radicais. Ele espera visitar os seus pais na Síria, mas não imediatamente.

“Lentamente, lentamente”, diz ele. Ele primeiro quer esperar e ver como a situação evolui.

Tareq Alaows falando em uma manifestação antiextrema direita em Berlim em janeiro de 2024
Tareq Alaows continua comprometido em ajudar refugiados na AlemanhaImagem: Rainer Keuenhof/aliança de imagens

Tareq Alaows: ‘A Alemanha poderia apoiar a Síria’

Está longe de ser certo que a paz e a liberdade prevaleçam na Síria. É por isso que, diz Tareq Alaows, as discussões sobre a deportação de sírios de volta ao país de origem nada mais são do que “promoções eleitorais às costas dos refugiados”.

Alaows, que veio da Síria para a Alemanha em 2015, é agora ativista da organização de direitos humanos Pro Asyl. Ele esperava tornar-se membro do parlamento em 2021, concorrendo pelos Verdes, mas retirou a candidatura após receber ameaças.

Enviar pessoas de volta para a Síria na situação atual não é legalmente possível, diz Alaows.

A queda de Assad: Poderá a Síria renascer?

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“Para a repatriação, não basta dizer que os pedidos de asilo não serão aprovados, mas é preciso determinar se pode ser garantido aos sírios um regresso seguro. E ninguém pode garantir isso agora.”

Nos últimos dias, Alaows diz ter recebido centenas de mensagens de pessoas da comunidade síria que estão preocupadas. Eles temem ser agora deportados, apesar de viverem na Alemanha há anos.

Alaows espera que os políticos alemães se concentrem agora em ajudar a reconstruir a Síria. E, diz ele, a Alemanha poderia assumir um papel de liderança na acusação criminal internacional dos responsáveis ​​pela ditadura de Assad.

“A Alemanha, com a sua história, tem experiência em trabalhar no passado e poderia fornecer apoio aqui”, diz ele.

Este artigo foi escrito originalmente em alemão.

Sírios na Alemanha expressam esperança e medo após queda de Assad

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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