NOSSAS REDES

ACRE

Qual é a ciência por trás da descoberta das origens de Cristóvão Colombo? | Notícias de ciência e tecnologia

PUBLICADO

em

Um documentário transmitido este mês pela televisão nacional espanhola ganhou manchetes em todo o mundo pela sua afirmação revolucionária de que Cristóvão Colombo era um judeu sefardita da Península Ibérica, contrariamente à teoria amplamente aceite de que ele veio de Génova, em Itália.

Uma equipe de especialistas forenses liderada pela Universidade de Granada usou análises de DNA para investigar os antecedentes do explorador do século XV, numa tentativa de encerrar um debate de longa data sobre as origens do homem cujas expedições abriram caminho para os europeus colonizarem o Américas.

Embora o método científico por trás das descobertas ainda não tenha sido tornado público, as afirmações revolucionárias contidas no documentário Columbus DNA: His True Origins trouxeram à tona como o DNA pode conter a chave para os mistérios não resolvidos do passado.

Cristóvão Colombo pousando no Novo Mundo, 1492 (Coleção Everett/Shutterstock)

Como funciona a ‘arqueogenética’?

Arqueogenética é o estudo do DNA antigo, ou DNA com mais de 70 anos.

Rodrigo Barquera, pesquisador em arqueogenética do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, explicou que o material genético é coletado de amostras arqueológicas humanas e depois purificado e sequenciado antes de ser examinado.

“Quanto mais tempo passa desde a morte da pessoa, mais difícil é encontrar material genético”, disse Barquera à Al Jazeera, acrescentando que as condições em que os restos mortais são preservados também desempenham um papel crucial.

A análise pode revelar informações sobre o sexo e a ascendência da pessoa, bem como quaisquer doenças de que a pessoa possa ter sofrido. Também pode determinar quais populações estão mais relacionadas com a amostra e, portanto, sugerir uma área geográfica de proveniência.

O que não pode ser inferido são elementos culturais como nacionalidade ou religião, ou etnia precisa.

O que foi descoberto sobre Cristóvão Colombo?

O documentário transmitido no Dia Nacional de Espanha afirmou que as descobertas – que ainda não foram revistas por pares – mostram que Colombo era de origem “mediterrânica ocidental”, sugerindo uma semelhança genética com as pessoas que habitavam a Península Ibérica, onde está localizada a actual Espanha. .

Esta conclusão contradiz a opinião amplamente difundida de que Colombo era originário da República de Génova, uma cidade portuária localizada no norte da Itália.

O documentário também sugeriu que Colombo era um judeu sefardita, uma população específica da diáspora judaica associada à Península Ibérica.

No entanto, como afirmou Barquera, “não existe gene para o judaísmo”, uma vez que traços culturais como a religião não estão contidos no ADN de uma pessoa.

A equipe da Universidade de Granada, que liderou a pesquisa sobre Colombo, não detalhou o método científico utilizado. Isso será revelado quando as descobertas forem publicadas oficialmente em novembro.

Barquera, que não tem ligação com o projeto, especulou, porém, que os pesquisadores podem ter encontrado semelhança com alguns traços compartilhados pela população judaica.

Embora o judaísmo não seja uma característica genética, mas sim cultural, eles podem ter tido um “grupo” – ou um grupo – de judeus com quem comparar a informação genética.

Mesmo assim, ele disse: “Os testes geralmente são feitos com vários grupos humanos e todos eles mostrariam alguma atração estatística”. Portanto, não seria científico identificar uma única afiliação em vez de múltiplas afiliações prováveis.

Colombo
Retrato de Cristóvão Colombo em notas salvadorenhas (Shutterstock)

Por que foi realizado o estudo dos restos mortais de Colombo e por que isso é importante?

A proveniência do homem que fez a “descoberta” europeia das Américas em 1492 tem sido debatida há muito tempo.

Francesc Albardaner, arquiteto e pesquisador de Colombo há décadas que aparece no documentário, tem sido um dos proponentes de uma versão da história diferente da “teoria de Gênova” que os livros didáticos afirmam há séculos.

“Colombo era catalão e filho de um homem da República de Génova e de uma mulher judia de Valentia”, disse Albardaner à Al Jazeera, acrescentando que as suas conclusões coincidem com as apresentadas pelo documentário.

Albardaner afirma que Colombo preferiu se apresentar usando sua filiação paterna devido ao desprezo e à perseguição enfrentados pelos judeus na época.

Acrescentou que os proponentes da “teoria de Génova” se depararam com o facto de os documentos produzidos sob o governo de Fernando de Aragão não indicarem o local de origem de Colombo, como era o caso na altura.

“Ao falar de estrangeiros, o Reino de Castela disse explicitamente de onde eles eram”, disse Albardaner, citando como exemplo documentos que registravam o explorador italiano Giovanni Caboto como veneziano.

“No caso de Colombo, apenas afirmam que ele é estrangeiro”, disse Albardaner, acrescentando que esta anomalia nunca foi totalmente explicada.

A teoria de que Colombo nasceu judeu sob o reinado de Fernando também explicaria por que ele conseguiu se tornar um dos mais altos funcionários públicos do reino, uma posição que seria improvável que um estrangeiro ocupasse.

Albardaner acrescentou que estabelecer a verdade histórica sobre o início da vida de Colombo teve consequências. “Um pequeno erro pode levar a toda uma série de suposições erradas”, disse ele, deixando os historiadores à deriva ao pesquisar seus primeiros anos e atividades.

Por exemplo, num artigo de investigação, Albardaner detalhou como a afirmação de Colombo de que tinha visitado “todo o Oriente e o Ocidente” antes de 1470 – contida numa carta escrita em 1501 – foi rejeitada, especialmente por estudiosos italianos, como invenção e vaidade.

Albardaner argumentou que colocar a vida de Colombo sob o domínio de Fernando daria credibilidade histórica ao seu serviço naval no Mediterrâneo e estabeleceria que ele tinha, de facto, começado a navegar em 1461 ou antes.

Que outros casos famosos de descobertas genealógicas ocorreram?

Os pesquisadores estão usando o DNA para desvendar os muitos mistérios que ainda cercam a história da humanidade.

Vários estudos centraram-se nos vestígios dos Neandertais, relações ancestrais distantes com os humanos modernos, para reconstruir quão próxima era a sua relação com a nossa espécie e como era a sua organização social.

O fóssil de uma criança de seis anos recuperado no sítio arqueológico de Cova Negra, na província de Valência, Espanha, escavado em 1989 e examinado no início deste ano, sugeria até sinais de compaixão entre os neandertais.

Apelidada de “Tina”, a criança é a primeira evidência conhecida de uma pessoa com síndrome de Down e também sofria de diversas doenças. Pesquisadores da Universidade de Alcala, na Espanha, concluíram que para a criança ter sobrevivido pelo menos seis anos, o grupo deveria ter ajudado continuamente a mãe em suas tarefas diárias, apontando para a compaixão.

Barquera e sua equipe em Leipzig também trabalharam nos vestígios de outra figura histórica, o compositor e pianista alemão Ludwig van Beethoven. “Poderíamos reconstruir parte da genealogia e, como a amostra era muito boa, poderíamos até fazer alguns testes para questões de saúde e confirmar que ele tinha hepatite B”, disse Barquera.

“No passado, podíamos apenas confiar no que estava escrito, mas agora (graças a estas tecnologias) podemos confirmar ou excluir algumas suposições”, acrescentou.

“Em alguns casos, podemos ajudar a traçar uma imagem melhor de eventos históricos específicos.”



Leia Mais: Aljazeera

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas-c.jpg

A Brinquedoteca da Ufac, inaugurada em 11 de fevereiro de 2016, localizada no Bloco Multidisciplinar, campus-sede, funciona como um Laboratório Pedagógico de Ensino, Pesquisa e Extensão para os cursos de licenciatura da instituição, tendo o jogo e as brincadeiras como elementos centrais do desenvolvimento infantil.

Atendendo crianças de 3 a 10 anos, o espaço contempla as comunidades interna e externa. O horário de funcionamento regular é de segunda a sexta-feira, no turno vespertino, das 13h30 às 17h30. No período matutino, o funcionamento depende da programação, que é divulgada previamente.

Entre as atividades desenvolvidas, estão: desenho e pintura (com tinta, lápis de cor e giz de cera); jogos teatrais e de tabuleiro; dança e confecção de brinquedos; contação de histórias e sessões de cinema com pipoca. Durante os eventos, o uso de smartphones é proibido.

Desde 2025, o espaço conta com o projeto de extensão Brincarte, coordenado pela professora Giane Lucélia Grotti, visando desenvolver, no Laboratório da Brinquedoteca, um ambiente de interação e socialização, estimulando habilidades sociais e culturais por meio de atividades lúdicas, e contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

O campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, também conta com uma brinquedoteca, inaugurada em 2025 e coordenada pela professora Adma de Oliveira Martins, com funcionamento de manhã e à tarde, atendendo crianças de 4 a 11 anos.

Confira mais informações sobre a Brinquedoteca da Ufac

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS