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Quando o Tiktok ajuda a superar um relacionamento tóxico – DW – 03/03/2025
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Aviso de conteúdo: Este artigo descreve cenas de abuso físico e violência sexual.
Com as pernas cruzadas, em saltos de gatinho e calças de terno, Linda Loran senta -se na vertical em um banquinho e sorri enquanto lê alguns dos comentários de ódio sexista em seus vídeos Tiktok: “Você pesa 50 quilos e suas malas pesam quatro vezes mais que seu cérebro”. O público explode em rir.
Loran é um convidado na edição desta noite do “Monday Talks”, uma série de feminista conversas realizadas em um bar no bairro de Neukölln, em Berlim. A noite está organizada por Tiktok ativista Alina Kuhl; Os outros quatro alto -falantes também são Tiktokers. A sala está cheia de capacidade; As pessoas estão apertando os corredores para ouvir as mulheres.
Feminismo nas mídias sociais
Loran está nervoso, mas não mostra. Seu cabelo está perfeitamente estilizado, seu humor está seco. Assim como em seus vídeos Tiktok, nos quais ela fala sobre por que tantas pessoas ficam em relacionamentos infelizes e abusivos. Nos vídeos, ela também revisita episódios dolorosos que passou com seu ex-parceiro, ganhando todos os tipos de reações-incluindo muitos ódio comentários.
Loran começou a compartilhar Tiktok há três anos as experiências de abuso e humilhação que ela sofreu sob seu ex-parceiro, de agressão sexual à violência física. “Acho que mais mulheres devem falar sobre suas experiências, porque o silêncio protege apenas os autores”, ressalta.
Sentindo -se como ‘uma mãe solteira’ em um relacionamento abusivo
Compartilhando sua história com a DW algumas horas antes do painel feminista, Loran diz que tinha grandes sonhos em sua juventude: “Eu queria viajar e ter uma carreira”. Mas tudo mudou quando ela engravidou aos 19 anos, pouco antes de terminar o ensino médio.
“Fiz meus níveis A com um bebê”, diz Loran. Noites sem dormir, depois a escola na manhã seguinte: “Sentei-me na cama com meu filho à noite e chorei”, lembra o agora de 31 anos. Ela mal recebeu nenhum apoio de seu parceiro e sua família, nem de sua família estrita e conservadora com quem teve pouco contato, tendo saído de casa – onde era frequentemente espancada – aos 15 anos de idade.
Loran, que agora tem três filhos, explica que o abuso de seu ex-parceiro começou gradualmente: “Tudo começou com coisas triviais, como a falta de apoio durante a gravidez e com as crianças”. Ele a acusou de trabalhar demais em vez de cuidar das crianças e tentou controlá -la financeiramente. Em algum momento, ele começou a roubar dinheiro dela, escondendo a carteira ou as chaves dela.
A violência física começou após a segunda gravidez, quando argumentaram: “Torcendo os braços, empurrando e assim por diante”, lembra Loran. Ele fez sexo repetidamente com ela contra sua vontade: “Não havia como dizer não”, diz Loran.
“E então houve a discussão pouco antes do Natal de 2017”, lembra ela. Em vez de aparecer como planejado ao meio -dia para ajudar a se preparar para o Natal, ele voltou para casa às 21h, completamente bêbado, incapaz de andar, vomitando por toda a casa. As coisas explodiram na luta que se seguiu.
Loran estava grávida do terceiro filho, uma filha, mas isso não o impediu de empurrá -la pela casa. Ele cuspiu nela, torceu os braços dela, a sufocou, a insultou e ameaçou matá -la. Ele então a arrastou por uma perna para a sala de trabalho, onde os trancou e disse a Loran para tirar a própria vida. Como se em um sonho febril, ele confessou seu amor por ela, enquanto o filho mais velho implorou ao pai que não matasse sua mãe.
No dia seguinte, o parceiro abusivo de Loran aparentemente não conseguia se lembrar de nada. Desesperado, Loran virou -se para sua família. Ela disse à mãe o que o filho fez. “Sua única reação foi perguntar se eu estava fazendo sexo com ele com frequência”, diz Loran.
“Lá estava eu, aos 25 anos, grávida do meu terceiro filho, realmente me perguntando se era minha culpa que meu parceiro estivesse sendo agressivo comigo”, diz Loran.
Esperança através da mídia social
Ela então encontrou vídeos em YouTube de outras mães solteiras com experiências semelhantes. “Esses vídeos me deram coragem”, diz ela.
Loran tomou a decisão de se separar. Ela estabeleceu um prazo: após a licença parental. Mas os medos permaneceram no fundo de sua mente – de estigmatizados como mãe solteira, de lutar para sobreviver e de ter seus filhos crescerem sem um pai.
“Eu cresci sem pai e queria oferecer mais aos meus filhos, tanto em termos de família quanto financeiramente”, diz ela.
Ela há muito se sentia isolada do ambiente, diz Loran. Ela só viu seus amigos uma vez a cada poucas semanas. Mas ela encontrou apoio através de pessoas que pensam da mesma forma nas mídias sociais.
Um ano e meio depois que ela tomou sua decisão, ela terminou, em 2019. Nos anos seguintes, começou a estudar, inicialmente com o apoio de seu ex-parceiro.
Ela também começou a contar sua história em vídeos sobre Tiktok. Hoje, seu canal Tiktok se tornou outra fonte de renda ao lado de seu trabalho em um supermercado.
Para Loran, Tiktok é um lugar onde você pode contar sua história e aprender com outras pessoas ao mesmo tempo. Foi só através de Tiktok que ela tomou conhecimento dos obstáculos enfrentados por outras pessoas, como mulheres de cor. Tiktok também mostrou a ela que ela não está sozinha com sua história.
Agora, Loran está compartilhando suas experiências em uma palestra feminista em um bar em Berlim e só pode rir dos comentários de ódio online. Uma mulher na platéia pergunta se ela já pensou em desistir por causa da intimidação em Tiktok. Loran não hesita antes de responder: “Se apenas uma mulher vê meu conteúdo e consegue se libertar de um relacionamento abusivo, continuarei”.
Editado por: Elizabeth Grenier
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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