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POLÍTICA

Reforma Ministerial e o Jogo do Centrão: Governabi…

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Murillo Aragão

A recente declaração do presidente Lula, questionando se os partidos do Centrão desejam “continuar trabalhando” com o governo na eleição de 2026, deve ser compreendida dentro da lógica de acomodação política que rege o presidencialismo de coalizão brasileiro. Ao mirar uma reforma ministerial com vistas à construção de sua coligação eleitoral para o próximo pleito, Lula busca consolidar apoios institucionais desde já, minimizando riscos de desagregação futura. No entanto, a dinâmica do Centrão, historicamente pautada pela negociação pragmática de cargos e recursos, segue um ritmo distinto, mais reativo do que propositivo no que diz respeito a compromissos eleitorais de longo prazo.

O sinal emitido pelo presidente ocorre em um contexto de crescente pressão dos partidos do Centrão por maior participação na Esplanada dos Ministérios. Siglas como PP, Republicanos e União Brasil, que detêm ministérios estratégicos, reivindicam ampliação de espaço na máquina pública, mas evitam compromissos formais quanto ao alinhamento em 2026. A lógica dessa postura é clara: manter margem de manobra para negociações futuras, seja com Lula ou com eventuais adversários viáveis na sucessão presidencial. Trata-se de um comportamento típico do Centrão, que maximiza ganhos institucionais no presente sem abrir mão da flexibilidade política no futuro.

A insistência de Lula em antecipar a formação de uma coalizão eleitoral reflete a necessidade de reduzir incertezas no tabuleiro político. Seu governo enfrenta desafios como a resistência do Congresso em aprovar pautas prioritárias, o avanço da oposição bolsonarista em segmentos estratégicos e as dificuldades econômicas que podem afetar a popularidade do governo. Além disso, o próprio PT reconhece que a estruturação da candidatura à reeleição passa por uma engenharia complexa, envolvendo não apenas os partidos do Centrão, mas também setores da centro-esquerda que, em 2022, manifestaram apoio crítico à sua vitória.

No entanto, os planos de Lula esbarram na lógica pragmática do Centrão. Em um ambiente de elevada fragmentação partidária e com o fortalecimento do Congresso no jogo decisório, os partidos de centro-direita tendem a adiar ao máximo qualquer definição eleitoral, explorando ao limite sua posição de fiéis da balança. O governo pode até ampliar sua base ministerial agora, mas sem garantia de fidelidade futura. O Centrão negocia com quem estiver no poder, mas sua lealdade é circunstancial e determinada pelas condições políticas do momento.

Ao fim e ao cabo, os partidos do centro alargado oferecem algum apoio à agenda do governo, proteção para eventuais armadilhas da oposição e abertura para negociar apoios eleitorais em 2026. Porém, todos sabem que essas siglas dão prioridade ao crescimento de suas bancadas no Congresso, o que orienta sua estratégia de curto e médio prazo. Assim, a queda de braço entre o governo e os partidos pode resultar em um impasse ou em uma reforma ministerial que, ainda que amplie a presença do Centrão no governo, não garanta o apoio desejado por Lula na sucessão presidencial.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

Frase do dia: Ciro Gomes

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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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