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Refúgio de tragédias, litoral do RS tem desafios urbanos – 25/12/2024 – Cotidiano

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Carlos Villela

Em expansão imobiliária e populacional na última década, o litoral norte do Rio Grande do Sul enfrenta desafios na iminência de uma temporada de veraneio superlotada.

A região, que chega a triplicar o número de moradores entre dezembro e março, é o principal destino dos gaúchos no verão, e tem resultados positivos de balneabilidade: das 33 praias, 26 são classificadas como boas e 2, como regulares.

Entretanto, falta infraestrutura adequada para acompanhar o ritmo de crescimento impulsionado pela pandemia de Covid-19 e pelas enchentes de maio.

Em Torres, uma das cidades que recebeu moradores de Porto Alegre que fugiram da falta de água e luz no pico da tragédia climática, o índice de esgoto tratado chega a 73%. Já em Xangri-lá, o número cai para 32%.

Em cinco municípios, o percentual é de 0%. Um deles é Imbé, que registrou um crescimento populacional de 51,81% na comparação dos censos de 2010 a 2022. A construção de uma estação de tratamento está avançando, uma obra de R$ 38 milhões que prevê elevar o nível do esgoto tratado para 25% até o fim de 2025.

“O incremento populacional também nos traz incremento de receita, mas a receita sempre é insuficiente. Eu acredito que isso virou uma rotina para nós”, diz o prefeito Ique Vedovato (MDB). O censo de 2022 apontou que a cidade tem 26,8 mil habitantes —essa quantidade já aumentou, segundo o prefeito.

O prefeito calcula que, nos períodos mais críticos da tragédia climática, a cidade chegou a abrigar entre 7.000 e 10 mil moradores temporários deslocados de outras regiões.

Em 8 de maio, Imbé decretou estado de calamidade pública para acessar recursos emergenciais destinados às enchentes, contudo revogou a medida no dia seguinte, após críticas porque o município não havia sido diretamente afetado pelo fenômeno climático. Vedovato defendeu sua decisão argumentando um impacto indireto causado pela chegada repentina de um grande número de novos moradores.

Embora não haja dados para precisar quantos moradores se tornaram permanentes, Vedovato observa que a quantidade de lixo recolhido de maio até dezembro é 15% maior do que a do mesmo período de 2023. “Não é porque os 28 mil estão produzindo mais lixo, é porque tem mais gente produzindo.”

Imbé tem aproximadamente 39 km² de território, o menor dos municípios do litoral norte, e praticamente toda área é urbana. “Vai chegar o momento que vai fazer ações de limitação de crescimento”, afirma o prefeito.

“Por mais que a gente tenha condição de receber mais pessoas nos picos, a cidade funciona bem com até o dobro de habitantes de hoje. Mais do que isso, se for no ano todo, já fica com dificuldade”, continua Vedovato. “Existe oferta de vaga em escola, posto de saúde, segurança pública, e a gente tem limites para isso”.

A Prefeitura de Imbé planeja aplicar dois censos nos próximos quatro anos, o primeiro deles no inverno de 2025, para confirmar em números o crescimento populacional fora do veraneio.

De acordo com o Censo de 2022, 7 das 10 cidades com maior aumento populacional no Rio Grande do Sul estão no litoral norte. A região como um todo teve uma alta de 32% no número de moradores em comparação ao Censo de 2010. A maior cidade da região, Capão da Canoa, cresceu 51% em 12 anos, de 42 mil para 63,5 mil.

A promessa de expansão do litoral norte tem como sustentação um projeto para construir um porto em Arroio do Sal, projeto que prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão e que recebeu autorização do governo federal em outubro. As obras estão previstas para começar em 2025 e atendem a uma demanda de empresários da serra gaúcha, que buscam uma via de escoamento mais próxima do que os portos de Rio Grande e Itajaí (SC).

O professor de engenharia Darci Campani, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que o crescimento desenfreado da região está causando problemas urbanos. “A nossa infraestrutura realmente é precária.” Ele se mudou para Xangri-Lá durante a pandemia, e hoje alterna entre a praia e a capital.

O docente participou das discussões do novo plano diretor de Xangri-Lá, aprovado em dezembro de 2023. O projeto foi alvo de discussão tensa e protestos contra a flexibilização da altura máxima de prédios, de no máximo sete andares para um limite variável que atenda a requisitos urbanos predeterminados.

Campani diz que o esgoto de Xangri-Lá, assim como em outras cidades da região, tem como destino majoritariamente o sistema de fossas sépticas e filtros anaeróbicos, insuficiente para um município em expansão.

Segundo ele, um dos estudos contratados para a discussão do plano apontou uma diferença de contaminação no subsolo conforme a estação, indo de baixa no inverno para altíssima no verão. “O sistema de fossas e filtros só funciona se feita a manutenção, e quando está sobrecarregado tem dificuldade.”

O impacto, aponta, foi sentido no balneário de Rainha do Mar, que teve medições impróprias para banho por mais de uma semana no último veraneio. “A carga orgânica que está chegando no mar é muito grande.”

Outro desafio, diz Campani, é visível nos crescentes alagamentos em vias públicas na região. “As linhas de drenagem que ocorriam ao natural, com esse monte de condomínios sendo feitos, foram rompidas. Essa água não vai mais pelos caminhos naturais que tinha, e está correndo pela superfície.”

Ele observa que praias de Santa Catarina e de estados do Nordeste estão com mais registros do mar avançando sobre áreas mais altas e alerta para o risco de ignorar o impacto das mudanças climáticas no litoral gaúcho. “A ciência está dizendo que o caminho é outro, mas parece que os interesses econômicos não estão ouvindo. A gente não está pensando no amanhã.”



Leia Mais: Folha

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Seminário na Ufac debate formação em enfermagem obstétrica — Universidade Federal do Acre

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Seminário enfermagem obstétrica (2).jpg

A Ufac sediou o seminário Desafios Atuais na Formação para a Prática da Enfermagem Obstétrica, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, na sala dos Colegiados, campus-sede. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para debater a reestruturação do modelo de assistência ao parto e ao nascimento, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a interiorização da qualificação profissional no Estado.

O evento integra um projeto nacional, composto por uma rede de 40 instituições de ensino superior articuladas para formar mais de 700 enfermeiras obstétricas pelo país, com foco prioritário nas regiões do interior. No Acre, o programa abrange turmas de especialização e residência voltadas para profissionais atuantes nas regionais do Alto Acre, Alto Purus, Baixo Acre, Tarauacá-Envira e Juruá.

“A Ufac cumpre o seu papel social ao ampliar a formação e capacitar profissionais que atuam em um momento tão ímpar quanto o nascimento de uma criança”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Contamos com alunos de todas as regionais. Isso gera um efeito multiplicador: o profissional capacitado coordena equipes locais e eleva diretamente a qualidade do atendimento prestado à população pelo SUS.”

A coordenadora das formações no Estado e professora da Ufac, Sheley Borges, destacou a necessidade de repensar a prática profissional para garantir um cuidado humanizado e seguro. “A intencionalidade da nossa formação é reduzir a mortalidade materna e neonatal e alcançar as mulheres em uma dimensão em que sejam respeitadas. Queremos garantir que as escolhas não ocorram por medo, como optar por uma cesariana sem compreender que é uma cirurgia de grande porte.”

A coordenadora nacional do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, Kleyde Ventura, ressaltou a relevância estratégica da parceria com a Ufac. “No Acre, vivemos uma condição muito especial, pois, com exceção de uma aluna, todas as especializadas são do interior. Estamos interiorizando e descentralizando os modos de formar, abordando o trabalho multiprofissional e a articulação de redes para garantir assistência de qualidade e direitos assegurados.”

Também participaram do seminário o promotor de Justiça do MP-AC, Gláucio Oshiro; o coordenador do curso de Enfermagem da Ufac, João Francalino; e o epidemiologista Serafim Salgado, coordenador das metodologias aplicadas no programa de formação.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Ufac entrega computadores para coordenações de PPGs — Universidade Federal do Acre

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A Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), da Ufac, entregou notebooks e computadores para as coordenações e as secretarias dos programas de pós-graduação (PPGs) da instituição. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira, 28, no auditório da Pró-Reitoria de Graducação, campus-sede. Na ocasião, foram abordadas pautas como a liberação de mais de R$ 400 mil em recursos do Programa de Apoio à Pós-Graduação, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

“A pesquisa e a pós-graduação foram a base que me consolidaram na gestão universitária. Queremos dialogar com os coordenadores para atender às demandas de pessoal, de espaço e de ajuste de fluxo”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Trataremos com a mesma atenção os mestrados acadêmicos, os mestrados profissionais e os programas em rede. Isso é uma condição mínima de trabalho para cada programa no seu dia a dia.”

Para o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti, a medida visa fortalecer a infraestrutura de apoio à produção científica e tecnológica regional. “São equipamentos novos, com boa configuração, que vão dar suporte aos coordenadores comandarem esses programas tão necessários para o desenvolvimento da pesquisa, da inovação e da pós-graduação em nossa região”, comentou.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Ufac propõe criação do curso de Psicologia no campus Floresta — Universidade Federal do Acre

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Reunião no DF-2026.08.25 (2).jpeg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Marcus Vinícius David, e a equipe da Secretaria de Educação Superior (Sesu), nessa terça-feira, 25, em Brasília. A pauta foi a formalização da proposta de criação do curso de Psicologia no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A expectativa da universidade é de que o curso possa ser ofertado a partir de 2027.

O reitor destacou que o Vale do Juruá não dispõe de formação superior com esse perfil e que profissionais que atuam na região muitas vezes vêm de Rio Branco ou de outros Estados. A avaliação da gestão é de que existe demanda por psicólogos tanto no atendimento pelo Sistema Único de Saúde quanto no setor privado.

A criação do curso integra as possibilidades do Programa Universidades Transformadoras e, de acordo com o reitor, foi uma das demandas apontadas durante o processo eleitoral da atual gestão “Seria uma oportunidade para os filhos, os jovens que estão saindo do ensino médio, que têm o sonho de caminhar nessa área da saúde e se formar em Psicologia”, pontuou Josimar.

Na agenda com o MEC, também foram apresentadas outras demandas da universidade. O reitor convidou formalmente Marcus Vinícius David para conhecer o campus Floresta e visitar obras da Ufac vinculadas ao Programa de Aceleração do Crescimento no campus Fronteira, em Brasileia.

Nesta quarta-feira, 26, Josimar também participou da 188ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizada na sede da entidade, em Brasília. A participação integrou a agenda institucional da Ufac na capital federal.



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