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Seguradoras vão ao STF contra compra de crédito de carbono – 17/03/2025 – Mercado
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Alexa Salomão
O setor de seguros decidiu questionar na Justiça a obrigatoriedade de investir em crédito de carbono. Nesta segunda-feira, a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) ingressou no STF (Supremo Tribunal Federal) com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) pedindo liminar para declarar a inconstitucionalidade do artigo 56 da lei nº 15.042/2024, que regulamenta o mercado de crédito de carbono no Brasil.
Nessa mesma lei, as seguradoras estão no grupo de empresas consideradas voluntárias em caso de aquisição de crédito de carbono, pois a atividade tem emissões residuais. Ainda assim, o artigo em questão, inserido de última hora na votação, obriga que elas invistam em crédito de carbono 0,5% da chamada reserva técnica.
A reserva técnica equivale ao capital acumulado para que essas empresas possam cumprir suas obrigações com os segurados —o pagamento de sinistros e benefícios, incluindo previdenciários. O mercado estima que de R$ 7 bilhões a R$ 9 bilhões ficarão comprometidos caso o setor cumpra a determinação.
Em nota, a CNseg destacou que as empresas de seguro entendem a importância da lei e do mercado de carbono como instrumento para conter as emissões e limitar o aquecimento do planeta. O setor trabalha no projeto de criação de um auxílio imediato à população afetada por chuvas e enchentes e implementou políticas para a redução de gases de efeito estufa. Também defende a emissão de green bonds [títulos verdes].
Mas argumenta que a determinação do artigo 56 não faz sentido econômico para o setor e ainda cria vários problemas.
O mercado de carbono não está em Bolsa. Depende de operações de balcão entre entes privados. O volume negociado é ainda pequeno, na casa de R$ 1 bilhão. O valor do crédito, por sua vez, não tem padrão e varia de acordo com o local e o tipo de projeto. A metodologia de certificação ainda não é padronizada.
Algumas consultorias estimam que, em 2030, o mercado pode chegar a US$ 1,5 bilhão, que seria equivalente aos R$ 9 bilhões. Ou seja, mesmo em 2030 e com todas essas projeções de crescimento, só o setor segurador seria 100% do volume total desse mercado de carbono.
O entendimento do setor é que o ingresso das seguradoras, com demanda muito acima da oferta, poderia, inclusive, alimentar a especulação e levar ao aumento artificial do preço, prejudicando empresas que são obrigadas a comprar créditos para compensar as emissões. Em suma, o problema de precificação e de transparência das negociações ainda é muito crítico.
A entidade destaca ainda que, diferentemente de outros ativos, o crédito de carbono perde valor ao longo do tempo. Um crédito de carbono de dez anos vale muito menos do que um crédito de carbono emitido há um ano. Depois de um tempo, as empresas não teriam como saber se os R$ 9 bilhões em créditos de carbono realmente valem R$ 9 bilhões.
Nesse aspecto, o setor entende que não é razoável financeiramente colocar bilhões da reserva técnica, que é a fonte para pagar segurados no longo prazo, nesse tipo de produto. Percebem até um risco para a atividade.
As seguradoras e seus executivos precisam prestar contas à Susep (Superintendência de Seguros Privados) e à CVM (Conselho Monetário Nacional). Seus investimentos seguem regras rígidas e os seus dirigentes sofrem penalidades sérias, de multa a inabilitação, se não cumprirem essas regras.
A análise é que seria prudente esperar o amadurecimento do mercado. O Ministério da Fazenda estima que a preparação de todo o arcabouço para formalizar o mercado de carbono só vai ficar pronta em 2030. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também vai demandar tempo para regulamentar todas as regras.
Na ADI, os argumentos jurídicos para retirar o artigo incluem ainda questões técnicas. Defende que a Constituição prevê que a regulação do setor de seguros deve ser feita por lei complementar e não por lei ordinária, caso da 15.042. Argumenta ainda que o artigo 56 fere os princípios constitucionais da isonomia, da livre iniciativa, da livre concorrência e a liberdade econômica.
A lei 15.042 foi aprovada no Congresso em novembro do ano passado. Em linhas gerais, além de criar o mercado de carbono, dá poderes para a União estabelecer limites para a emissão de gases de efeito estufa. O objetivo principal do texto é obrigar empresas que poluem acima de determinado patamar a pagar por isso —incentivando que elas se tornem mais sustentáveis.
Cerca de 75 estados e províncias no mundo já operam com o mercado de carbono ou imposto sobre as emissões —que, juntos, movimentaram globalmente mais de US$ 100 bilhões em 2023, segundo o Banco Mundial.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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