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Será que um “navio sombra” russo cortou o cabo submarino Finlândia-Estónia no Báltico? | Notícias da guerra Rússia-Ucrânia
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As autoridades finlandesas apreenderam um navio ligado à Rússia no Mar Báltico na quinta-feira, sob suspeita de ter danificado um cabo de energia submarino entre a Finlândia e a Estónia um dia antes.
O incidente intensificou os receios na Europa sobre uma guerra híbrida russa que visasse infra-estruturas críticas no Báltico e além.
O que aconteceu na Finlândia?
A polícia finlandesa disse num comunicado que a tripulação da guarda costeira embarcou num petroleiro em águas finlandesas na manhã de quinta-feira.
As autoridades nomearam o navio como Eagle S e disseram que ele estava registrado nas Ilhas Cook, no Pacífico Sul.
Quando foi detido, o navio navegava de São Petersburgo, na Rússia, para Port Said, no Egito, de acordo com o site de rastreamento marítimo online MarineTraffic.
De acordo com a MarineTraffic, o navio pertencia à empresa de gestão de navios com sede nos Emirados Árabes Unidos, Caravella.
Ele cruzou o cabo às 10h26 GMT de quarta-feira – mesmo horário em que foi relatado um corte de energia.
O cabo de energia submarino Estlink-2, de 170 km (106 milhas), que transporta eletricidade entre a Estônia e a Finlândia, rompeu-se na quarta-feira. A emissora finlandesa Yle Television informou que se suspeita que o cabo tenha sido cortado pela âncora do navio.
Além disso, quatro cabos de telecomunicações foram interrompidos, incluindo três entre a Finlândia e a Estónia e um entre a Finlândia e a Alemanha.
A Finlândia lançou uma investigação criminal para avaliar se um navio ligado à Rússia esteve envolvido na ruptura do cabo. Os Estados Unidos disseram que ajudarão na investigação.
“Estamos em estreita coordenação com os nossos aliados e estamos prontos para apoiar as suas investigações”, disse um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
A OTAN também condenou o incidente. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, publicou na sua conta X: “Estamos a acompanhar as investigações da Estónia e da Finlândia e estamos prontos para fornecer mais apoio”.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse que o incidente foi “o mais recente de uma série de supostos ataques a infraestruturas críticas”.
Kallas acrescentou que o navio “faz parte da frota sombra da Rússia, que ameaça a segurança e o meio ambiente, ao mesmo tempo que financia o orçamento de guerra da Rússia”.
O que é um navio sombra?
Um navio sombra, ou navio fantasma, é descrito como um navio envelhecido com propriedade obscura, transportando combustível russo, adquirido para contornar as sanções ocidentais e os limites máximos de preços impostos pelo Ocidente ao petróleo russo transportado por mar, no meio da guerra de Moscovo contra a Ucrânia.
Após o recente incidente no Mar Báltico, o governo da Estónia convocou uma reunião de emergência. A primeira-ministra da Estônia, Kristen Michal, disse que os reparos no cabo danificado podem levar até sete meses.
Michal disse numa conferência de imprensa que estes navios paralelos “estão a ajudar a Rússia a ganhar fundos que irão ajudar os ataques híbridos russos”.
As forças armadas da Estónia lançaram uma operação naval para proteger o cabo eléctrico submarino Estlink 1, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, na sexta-feira.
Que incidentes de guerra híbrida ocorreram recentemente?
A guerra híbrida refere-se à utilização de métodos convencionais e não convencionais para criar instabilidade nos países sem fazer com que pareça uma guerra total.
Guerra híbrida inclui planos de assassinato, interferência eleitoral e danos a infraestruturas críticas, como cabos submarinos. Os aliados da NATO acusaram a Rússia de utilizar extensivamente meios de guerra híbrida. É muito difícil provar quando um caso é um ato de guerra híbrida.
Nos dias 17 e 18 de Novembro, dois cabos foram cortados no Mar Báltico, um entre a Finlândia e a Alemanha, e outro entre a Lituânia e a Suécia.
Alguns meios de comunicação, incluindo o The Wall Street Journal, relataram que o graneleiro de bandeira chinesa Yi Peng 3, que partiu do porto de Ust-Luga, na Rússia, pareceu passar sobre os cabos quase ao mesmo tempo em que cada cabo foi cortado.
O ministro da defesa alemão disse que as autoridades tiveram que assumir que se tratava de um ato de sabotagem, mas não disse quem é o responsável, nem forneceu provas.
“Os estados do mar Báltico têm tomado medidas cada vez mais decisivas contra o corte de cabos”, disse Keir Giles, consultor sênior do think tank Chatham House, com sede em Londres, à Al Jazeera.
Ele disse que medidas como investigações poderiam servir como um impedimento contra futuras atividades de sabotagem porque existe o risco de a carga ser apreendida.
Acrescentou que é improvável um ataque armado contra a Finlândia ou infra-estruturas da Estónia, como o descrito no Artigo 5 do tratado da NATO.
O Artigo 5º decreta que cada aliado da OTAN deve tratar um ataque a qualquer aliado como um ataque contra todos os países da OTAN. A Estónia é membro da NATO desde 2004 e a Finlândia aderiu à aliança em 2023, no meio da guerra Rússia-Ucrânia.
Em 2022, ocorreram explosões ao longo de dois Gasodutos Nord Stream que vão da Rússia à Alemanha. Ninguém assumiu a responsabilidade pelas explosões e Berlim ainda está investigando os incidentes.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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