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Sob sombra de Trump, G20 vira prévia de crise global – 15/11/2024 – Mundo

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Patrícia Campos Mello, Ricardo Della Coletta

O último G20 antes da posse de Donald Trump e da morte do multilateralismo. É assim que muitos diplomatas e analistas estão encarando a reunião de cúpula presidida pelo Brasil, realizada no Rio de Janeiro na segunda (18) e terça-feira (19).

Em seu primeiro mandato (2017-2021), Trump fez de tudo para minar a legitimidade do G20 e fortalecer arranjos bilaterais. Em três dos quatro anos em que o republicano participou do G20, os Estados Unidos foram inflexíveis e a cúpula terminou sem consenso.

Os líderes tiveram de fazer uma declaração no modelo 19 +1. Todos os países se comprometeram a apoiar as metas do Acordo do Clima de Paris, mas os EUA exigiram um parágrafo à parte, de dissenso, que começava dizendo que os EUA “reiteravam” sua decisão de se retirar do Acordo de Paris porque ele “prejudicava os trabalhadores e contribuintes americanos”.

Na cúpula de 2019, Trump chegou a fazer uma tentativa de rachar o G20. Ele pressionou o Brasil (então sob seu aliado Jair Bolsonaro), Turquia e Arábia Saudita a se juntarem aos EUA no rechaço ao Acordo do Clima, o que inviabilizaria uma declaração final do grupo. Com um trabalho de convencimento do presidente francês, Emmanuel Macron, que se recusava a assinar uma declaração sem compromisso climático, esses líderes acabaram apoiando o texto.

No segundo mandato, espera-se um Trump ainda mais refratário a arranjos multilaterais e fortalecido para cooptar outros países. A dissidência da Argentina neste ano em temas como gênero, taxação de bilionários e agenda 2030 seria um indício de que, a partir do ano que vem, o G20 pode voltar a seu modelo sem consenso, desta vez com EUA e Argentina impedindo acordo.

Essa fragmentação já reduziria a força do G20 para pautar a agenda internacional. Mas pode piorar —a Argentina pode estar lançando moda.

“Outros países alinhados a Trump, como Arábia Saudita, podem se unir ao time de ruptura de consenso em determinados temas”, diz Oliver Stuenkel, professor da FGV e pesquisador-visitante da Kennedy School da Universidade Harvard.

Para um integrante do governo, a fratura vai ser maior. Haverá mais países endurecendo posições, como, possivelmente, a Itália. Para esse integrante do governo, da mesma maneira que a coalizão doméstica de Trump se fortaleceu, a internacional também pode se ampliar.

Além disso, muitos dos atuais governantes de países do G20, como o presidente Macron da França e o chanceler Olaf Scholz, da Alemanha (e, claro, Joe Biden), são líderes enfraquecidos ou em fim de mandato, os chamados “patos mancos”, que podem vir a ser substituídos por governantes de direita alinhados a Trump, aponta Stuenkel.

O presidente eleito americano deve aumentar o leque de temas que são inegociáveis para os EUA, dificultando ainda mais um consenso. “As duas principais pautas do governo brasileiro que vão ser travadas são a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e, com mais ênfase, a taxação das grandes fortunas”, diz Feliciano Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo).

Não se espera acordo sobre nenhum tipo de taxação internacional. O republicano já anunciou que pretende prorrogar os cortes de imposto de renda (inclusive para os super-ricos) e taxas sobre empresas que implementou em 2017. Em seu primeiro mandato, ele abriu investigações e ameaçou retaliar países que impuseram impostos sobre serviços digitais.

Agenda 2030, ajuda para o desenvolvimento, políticas para migração alinhadas a entidades internacionais e condenação do protecionismo são outros tópicos que podem gerar ruptura.

No ano que vem, a África do Sul será a anfitriã da cúpula do G20 e, em 2026, os Estados Unidos. Os sul-africanos, que assumem a presidência do bloco em 1 de dezembro, já prometeram continuidade na agenda brasileira para o G20, com ênfase em combate à fome, à pobreza e à desigualdade, desenvolvimento sustentável e reforma da governança global.

“É claro que o governo Trump não terá poder sobre a agenda do ano que vem, que será definida pela África do Sul. Mas os sul-africanos já vão levar em consideração o fato de que serão seguidos pelo governo Trump, e isso pode levá-los a fazer uma agenda mais de centro, com questões menos progressistas na mudança do sistema internacional”, diz Guimarães.

Stuenkel não acha que Trump irá sair do G20 —pois perderia um palco de destaque internacional em 2026, ano da presidência americana. “Mas ele será péssimo para o bloco, vai desmantelar o sistema multilateral; ele aposta em relações bilaterais, melhor foro para os EUA imporem sua força.”

Em sua última participação no G20, quando já havia sido derrotado por Joe Biden na eleição de 2020, Trump cabulou uma das sessões (que eram online) e foi jogar golfe. Nas anteriores, além de bloquear o consenso, passou a maior parte do tempo em reuniões bilaterais anunciadas de forma bombástica, com o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin.

Alguns diplomatas acham que o impacto de Trump no cenário internacional não será tão grande quanto na última vez em que foi eleito, em 2016, porque não se trata de algo inédito.

Resta ver se ele irá apenas minimizar a importância do G20 ou, no pior dos cenários, eleger o grupo como um de seus cavalos de batalha.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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