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Supremo Tribunal de Moçambique confirma resultado eleitoral após meses de protestos | Moçambique

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Rachel Savage Southern Africa correspondent

O tribunal superior de Moçambique confirmou a vitória do partido no poder nas eleições presidenciais de Outubro, potencialmente desencadeando mais protestos depois de mais de dois meses de agitação devido a alegações de que os resultados foram fraudados.

Daniel Chapo, do partido no poder, Frelimo, venceu as eleições presidenciais de 9 de Outubro com 65,2% dos votos, disse Lúcia Ribeiro, presidente do conselho constitucional de Moçambique, numa conferência de imprensa na segunda-feira.

O número foi inferior ao anunciado anteriormente pela comissão eleitoral, que afirmou que Chapo ganhou 70,7%, mas ainda assim mais do que os 50% necessários para vencer.

Entretanto, o segundo candidato da oposição, Venâncio Mondlane, que capturou a imaginação dos jovens eleitores urbanos, obteve 24,2%, acima dos 20,3%, mas longe da maioria que reivindicou.

O relatório do conselho, cujos membros são maioritariamente nomeados por políticos da Frelimo, refere que houve “discrepâncias” a nível distrital durante a contagem dos votos, sem especificar o que as causou. Afirmou também que o partido Podemos, que apoia Mondlane, apresentou números “inflacionados” na sua contestação aos resultados.

Moçambique tem sido agitado por semanas de protestoscom as forças de segurança matando pelo menos 130 pessoas, segundo a Human Rights Watch. Observadores eleitorais internacionais disseram que havia provas de fraude eleitoral, mas alguns alertaram que Mondlane pode ainda não ter vencido eleições livres e justas.

O tribunal decidiu que Daniel Chapo, centro, venceu, mas com um valor inferior ao anunciado anteriormente. Fotografia: Luísa Nhantumbo/EPA

Os protestos paralisaram repetidamente a economia de Moçambique. Seu norte também foi atingido pelo ciclone Chidoque atingiu o país do sudeste africano em 15 de dezembro, matando 120 pessoas e destruindo cerca de 110 mil casas.

Antes da decisão da tarde de segunda-feira, Mondlane disse aos seus apoiantes para ficarem em casa até sexta-feira, no âmbito dos protestos anti-eleitorais, cuja última etapa chamou de “Turbo V8”. Ele também disse que eles não deveriam cometer nenhuma violência.

No entanto, num vídeo separado no Facebook, disse: “Se conseguirmos a verdade eleitoral (de Ribero), teremos paz. Se conseguirmos mentiras eleitorais, empurraremos o país para um precipício no caos, na desordem.”

Após a decisão, as estações de televisão moçambicanas transmitiram imagens de pneus queimados em ruas que de outra forma estariam vazias, exceto por agentes de segurança do Estado armados.

pular a promoção do boletim informativo

Polícia de Moçambique dispara contra pessoas que protestavam contra disputa eleitoral – vídeo

Chapo, que deverá tomar posse no dia 15 de Janeiro, disse a uma multidão de apoiantes da Frelimo que iria liderar um processo de reforma eleitoral. “O diálogo é a única forma de construir a harmonia social”, disse ele, sem dar mais detalhes.

Embora se esperasse que o conselho constitucional validasse a vitória de Chapo com algumas mudanças, Mondlane, incitando protestos em vez de negociar com a Frelimo, era um território desconhecido para Moçambique, disse Alex Vines, chefe do programa africano no thinktank Chatham House.

“Historicamente, tem sido um estado fraco com um partido mais forte”, disse Vines, que fazia parte de uma equipa de observadores eleitorais da Commonwealth que monitorizou a votação. “Agora encontramos um Estado fraco e um partido enfraquecido, sendo desafiado por uma nova política… liderada por um líder populista carismático que aproveitou a raiva de jovens frustrados e privados de direitos.”



Leia Mais: The Guardian

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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