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Sylvia Colombo: Milei está cada mais parecido com Cristina – 01/03/2025 – Sylvia Colombo

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De cara, poderíamos dizer que ambos odiariam esse título. O atual presidente da Argentina, Javier Milei, construiu durante a campanha a figura de um outsider, disposto a varrer tudo o que a velha política ou —como ele prefere dizer, a casta— havia significado para o país.

Também renovou o slogan “que se vayan todos” (que todos vão embora) gritado nas ruas de Buenos Aires durante os piquetes de 2001/2002 que paralisaram o país e obrigaram o então presidente, Fernando de la Rúa, a fugir de helicóptero da Casa Rosada, enquanto a repressão comia solta na praça de Maio.

Cristina Kirchner tampouco se sentiria bem ao ser comparada a Milei, o radical de ultradireita que surgiu catapultado pelo sentimento de raiva contra ela, vindo das periferias e amplificado pelas redes sociais, onde o mileísmo fez sua plataforma baseada numa articulada e mentirosa política de desinformação.

Ela responderia, corretamente, que os Kirchner pertencem a uma corrente política tradicional, o peronismo, que pode ser polêmica e cheia de nuances, mas até aqui tem sido a única —e isso é fato— a estabelecer canais duradouros com as periferias do país, com suas promessas de mais justiça social muitas vezes alcançadas sob custo de dívidas e calotes.

Se há algo que não se pode dizer na Argentina é que o peronismo tenha dificuldade para chegar aos mais pobres. Mais do que isso, são os únicos que de fato os acompanham, ainda que as consequências econômicas depois sejam custosas.

Por que ambas as correntes se parecem tanto?

O paralelo mais chamativo é o fato de ambos atacarem com veemência os meios de comunicação tradicionais. Tanto o mileísmo —com seu exército de trolls e sua estratégia de comunicação armada por Santiago Caputo, o Rasputin do governo— quanto Cristina odeiam esses meios tradicionais e preferem conversar diretamente com seus eleitores, por meio das redes ou dos encontros cara a cara. Ambos adoram comícios, atos e o clima de uma eterna campanha.

Durante a gestão Cristina, aprovou-se a Lei de Meios, obrigando os principais monopólios da mídia, como o Grupo Clarín ou o Grupo La Nación, a desfazerem-se de alguns de seus negócios. Ao final, tudo ficou num elas por elas, uma vez que estes foram passados a grupos ou empresários amigos. Cristina, numa medida altamente populista, nacionalizou o futebol nacional, levando-o à TV pública, grátis —e entusiasmando os eleitores.

O que Milei tem de parecido nessa seara é o fato de expressar um profundo desrespeito pela atividade jornalística. Tendo como base de apoio jovens que catapultaram sua candidatura “contra tudo o que está aí”, principalmente via internet e durante a pandemia, Milei, assim como Cristina, aposta numa democracia direta, sem intermediários.

São influencers e blogueiros que têm acesso aos bastidores de seus discursos, que falam com seus ministros. Um jornalista independente ali fica perdido entre pedidos de suborno ou o receio de ser achincalhado no processo de pedir uma entrevista ao presidente.

Neste fim de semana, quando começam as jornadas do novo ano legislativo, Milei e Cristina voltam a se parecer. Como a peronista, Milei lança decretos sobre diferentes temas, sem esperar as discussões no Congresso, criando animosidades entre os Poderes. As advertências a parlamentares são realizadas com palavras chulas e desqualificações, assim como no kirchnerismo.

O verdadeiro desafio de Milei está apenas começando. Para manter-se coerente com seu discurso, deveria começar por diferenciar-se de seus antecessores.


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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

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