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UE e Estados do Golfo buscam dar e receber Ucrânia e Oriente Médio – DW – 16/10/2024

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O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, percorreu o tapete vermelho pela primeira vez cume entre a União Europeia e os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo em Bruxelas na quarta-feira, acenando para os jornalistas enquanto discutia profundamente com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron.

Sendo o maior nome do Golfo na lista de convidados, havia poucas evidências do passado do príncipe como um pária nas periferias políticas após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018. Agora, Bin Salman parece estar de volta ao grupo.

Embora alguns grupos de direitos humanos tenham criticado a sua presença, diplomatas da UE disseram simplesmente que não ouviram “nada sobre isto” quando questionados se os membros do bloco tinham manifestado preocupações sobre a primeira viagem de Bin Salman a Bruxelas como príncipe herdeiro, potencialmente provocando controvérsia.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, à direita, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à esquerda, dão as boas-vindas ao primeiro-ministro e príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud, durante uma reunião do Conselho de Cooperação UE-Golfo no edifício do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica, quarta-feira, 16 de outubro de 2024.
O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman foi talvez o representante de maior destaque na reunião com os líderes da UE em BruxelasImagem: Johanna Geron/REUTERS

Em vez disso, o seu foco estava noutro lado, com ambos os lados a pressionarem-se mutuamente para mudarem a sua maneira de pensar sobre os conflitos que assolavam os seus bairros.

UE queria condenação mais dura da Rússia

Fontes da UE e do CCG afirmaram que as negociações sobre a declaração conjunta finalizada nas semanas que antecederam a cimeira de quarta-feira foram difíceis. No topo da lista de desejos da Europa estavam palavras fortes condenando Moscovo pela sua invasão em grande escala da Ucrânia.

Um diplomata da UE disse inicialmente que o CCG – o grupo de estados ricos do Golfo que inclui a Arábia Saudita, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Kuwait e Omã – não queria nenhuma referência direta à Rússia no texto.

Em última análise, os líderes comprometeram-se simplesmente retirando a linguagem de uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2022, na qual “deploram nos termos mais veementes a agressão da Federação Russa contra a Ucrânia”.

Cinzia Bianco, pesquisadora visitante do think tank do Conselho Europeu de Relações Exteriores, disse que os estados da UE estavam interessados ​​em discutir os laços dos estados do Golfo com a Rússia.

“Embora o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos tenham feito esforços significativos de mediação entre as partes em conflito – como na libertação de crianças ucranianas detidas na Rússia e na troca de prisioneiros de guerra – não existe uma análise comum entre os europeus e o Golfo estados sobre a gênese e a resolução do conflito”, escreveu Bianco em um papel publicado no início deste mês.

A UE também queria abordar o tema espinhoso de como evitar a Rússia evitando sanções ocidentais. Dois rascunhos anteriores da declaração vistos pela DW faziam referências explícitas à “prevenção da evasão das sanções”, mas numa concessão de Bruxelas, o texto final fez uma vaga referência ao “fortalecimento do diálogo sobre medidas restritivas e sua implementação”.

Palestinos inspecionam o local de um ataque israelense a uma escola que abriga pessoas deslocadas, em meio ao conflito Israel-Hamas, em Deir Al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, em 10 de outubro de 2024.
A guerra Israel-Hamas continua a assolar Gaza, com muitos líderes da UE e do Golfo a fazerem referência à terrível situação humanitária na FaixaImagem: Ramadan Abed/REUTERS

Golfo pressionou por linguagem mais dura no Médio Oriente

Com violência em espiral em várias partes do Médio Orienteos Estados do Golfo, por seu lado, pressionaram os seus homólogos da UE a criticar mais duramente Israel. A declaração conjunta apela a cessar-fogo tanto em Gaza como no Líbano e condena “as decisões do governo israelita de expandir ainda mais os colonatos e legalizar os postos avançados de colonos em toda a Cisjordânia ocupada”.

Mas uma fonte de um país do CCG disse à DW que estavam “desapontados” com a linguagem sobre o Médio Oriente, quando comparada com o que foi acordado sobre a Ucrânia. A investigadora Cinzia Bianco também alertou que os europeus “precisarão de dar menos sermões e ouvir mais, especificamente sobre questões relativas ao Médio Oriente” quando se trata de interações com os estados do Golfo.

Sem criticar diretamente o bloco, o líder do Qatar, Xeque Tamim Bin Hamad Al Thani, alertou contra “quaisquer padrões duplos” no seu discurso de abertura em Bruxelas, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros do país disse à imprensa em Bruxelas que os países não devem ser “seletivos” quanto aos seus princípios.

Como reagirá Israel após o ataque com mísseis do Irão?

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Palavras cautelosas sobre o Irão

A linguagem sobre o Irão, contudo, foi mais conciliatória.

Na declaração conjunta, a UE e o CCG “apelam ao Irão para que prossiga a desescalada regional”.

Eles dizem que “lamentam” que os “avanços nucleares inabaláveis” do Irã tenham retornado ao acordos diplomáticos destinados a restringir as atividades de Teerã “cada vez mais difícil.”

Diplomatas da UE disseram que os estados do Golfo queriam evitar uma linguagem crítica forte, apesar Os recentes ataques com mísseis do Irão contra Israel e o seu apoio aos rebeldes Houthi que estiveram envolvidos em conflito direto com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

“No Irão, a situação é extremamente perigosa e extremamente sensível. Os países do CCG estão a lidar com o Irão através da diplomacia e a diplomacia é o único caminho a seguir”, disse uma fonte de um Estado do CCG à DW.

Mohammed bin Salman participa na cimeira em Bruxelas
Os líderes da UE e do Golfo disseram que trabalhariam para relançar as negociações sobre um acordo comercial há muito paralisadoImagem: Johanna Geron/REUTERS

Mais cooperação em matéria de comércio, viagens e energia

Mas a geopolítica não era a única coisa que preocupava os líderes. Os dois lados disseram que teriam como objetivo “levar adiante” as discussões sobre um acordo comercial bloco a bloco – uma ideia perseguida pela primeira vez há mais de três décadas, mas congelada desde 2008. Um diplomata da UE disse que havia tensões dentro do CCG. sobre se devemos prosseguir o comércio com a UE como um grupo do Golfo ou procurar acordos bilaterais.

Os dois lados também concordaram em “trabalhar para” simplificar o acesso das pessoas às viagens entre os dois blocos. Alguns estados do Golfo têm pressionado por isenções para garantir que os seus cidadãos possam viajar mais facilmente para a UE como turistas – um pedido que permanece sem resposta por enquanto.

“Cumprimos todos os requisitos para a liberalização dos vistos. Achamos que isto é mais uma questão de vontade política”, disse uma fonte do CCG à DW à margem das conversações.

As consequências da guerra da Rússia na Ucrânia também levaram a UE a procurar novas fontes de energia, à medida que se esforçava para se livrar da dependência do combustível russo. Os Estados do Golfo ricos em gás e petróleo têm tornar-se um fornecedor-chave para o bloco, e os dois lados afirmaram estar agora empenhados em “intensificar” a cooperação energética.



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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