ACRE
‘Uma sensação de liberdade’: pequenas livrarias da China se deslocam pelo mundo | China
PUBLICADO
2 anos atrásem
Amy Hawkins Senior China correspondent
Óm 24 de Novembro, exactamente dois anos depois de uma incêndio em um prédio de apartamentos em Xinjiang matou 10 pessoas e desencadeou uma onda de protestos históricos em toda a China, duas dezenas de pessoas reuniram-se numa pequena livraria na Holanda para reflectir sobre o acontecimento.
“Quando a raiva se torna contagiosa, / quando as palavras são consideradas perigosas, / deixe-me em branco, por favor!” Hongwei Bao, professor da Universidade de Nottingham, leu para um pequeno público predominantemente asiático.
O poema de Bao, Livro Branco, foi inspirado nos protestos que eclodiram em China no final de 2022, à medida que se espalhava a raiva sobre as duras medidas “zero Covid”, que foram consideradas como causadoras do número de mortes no incêndio e do sofrimento que as pessoas na China suportaram intermitentemente durante três anos durante a pandemia. Foi a maior revolta em massa contra o governo em décadas.
Bao esteve na Holanda para lançar sua nova coleção de poesia, A Paixão do Deus Coelho. O poema que dá título ao livro é uma releitura contemporânea da história de Tu’er Shen, um mítico chinês deus coelho que se tornou um símbolo para a comunidade LGBT.
“Não consigo imaginar que o meu livro seria vendido na China”, diz Bao, que se concentra nos estudos culturais queer chineses. “Em parte porque está escrito em inglês, em parte porque aborda questões políticas e sociais como os direitos queer e o feminismo… Não é mais possível vender ou publicar esses livros na China.”
O facto de Bao ter conseguido apresentar o seu trabalho a um público maioritariamente chinês deve-se à Nowhere Netherlands, a mais recente filial da cadeia Nowhere de livrarias de língua chinesa que se instalou em Chiang Mai e Taipé. Outras livrarias independentes também foram forçadas a fechar na China e em Hong Kong, e estão a reaparecer em todo o lado, desde o Japão até à costa leste dos EUA.
Desde que as fronteiras da China foram reabertas no início de 2023, tem havido uma enxurrada de pessoas deixando o paísprincipalmente da classe média que antes desfrutava de uma vida confortável no país. Embora as pessoas nunca tenham tido liberdade para falar sobre determinados temas, como direitos humanos e política, durante anos o aumento do padrão de vida e o espaço limitado concedido a locais independentes para a realização de pequenas reuniões fizeram com que valesse a pena viver num país controlado pelo Partido Comunista, ou pelo menos tolerável.
Mas agora, para muitos, o cálculo mudou.
O crescimento económico da China está a abrandar, prevendo-se que a taxa de expansão do PIB em 2024 mal atinja a meta do governo de 5%. E o presidente da China, Xi Jinping, colocou um foco renovado na segurança nacional em detrimento de todas as formas de liberdade de expressão. Isso aumentou a pressão sobre organizações independentes, como livrarias, cinemas e grupos de discussão.
Tornou-se difícil organizar até mesmo reuniões privadas de pessoas que as autoridades sabem estarem interessadas em discutir temas como o feminismo e os direitos humanos. Além de venderem títulos instigantes, as livrarias independentes costumavam ser locais que realizavam exibições de filmes sem censura e palestras de acadêmicos. Mas estas actividades estão a tornar-se mais difíceis de organizar.
Uma vítima da repressão da China à sociedade civil foi a Jifeng Bookstore, uma popular livraria independente em Xangai que foi forçada a fechar em Janeiro de 2018, depois de o proprietário se ter recusado a renovar o seu contrato de arrendamento. Yu Miao, gerente da Jifeng, achava que era o fim de uma série de duas décadas atendendo clientes curiosos e de mentalidade intelectual na cidade mais cosmopolita da China.
“Naquela época pensei que a livraria estava fechada e eu tinha feito o meu melhor. Não me arrependo”, diz Yu, o ex-empresário de óculos que comprou a Jifeng de seu proprietário original em 2012.
Yu já conhecia há muito tempo o jogo de gato e rato de fugir das autoridades. Mas em 2017, enquanto tentava encontrar um local alternativo para Jifeng, ele percebeu que a loja estava grampeada. A polícia local disse a Yu que tinha gravações das atividades da livraria e parecia conhecer o conteúdo até mesmo de pequenas reuniões.
Assim, a equipe Jifeng se reunia em uma livraria e em um café próximo, para ter privacidade. Seu nome era 1984.
A livraria de 1984 proporcionou espaço para “uma conversa mais descontraída, e havia um gato lá, que gostamos muito”, lembra Yu.
Hoje, porém, Yu se sente a um mundo de distância do onisciente irmão mais velho da China. Em setembro, a mais de 11.000 quilômetros de sua localização original, a Jifeng reabriu como JF Books no bairro de Dupont Circle, em Washington DC. Yu já recebeu clientes de Nova York, Carolina do Norte e Pensilvânia, incluindo pessoas que costumavam visitar a loja em Xangai.
JF Books é a única livraria de língua chinesa de Washington DC. Yu espera recriar um pouco da atmosfera cosmopolita que tornou a filial de Xangai única. Cerca de 30% do seu acervo são livros em inglês e o restante são volumes em língua chinesa sobre política, ciências sociais e filosofia, incluindo títulos de escritores africanos e sul-americanos.
“Na China, costumávamos dizer que éramos uma livraria independente, porque éramos independentes do poder do governo… isso mostrava uma sensação de liberdade”, diz Yu, que se mudou para os EUA com a família em 2019. “Mas em nos EUA, não creio que o termo “livraria independente” já não seja muito importante para nós.
“Porque aqui você já é independente, né? Você não tem uma autoridade que o controle. Por isso, normalmente não chamo a minha loja de “livraria independente”. É apenas uma livraria.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
4 dias atrásem
26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
Relacionado
ACRE
Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
7 dias atrásem
23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
Relacionado
ACRE
Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login