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Universidade Zumbi, 20 anos de luta e de raça – 20/11/2024 – Opinião

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Neste mês de novembro, quando comemoramos 20 anos do primeiro dia de aula da Universidade Zumbi dos Palmares, não há como deixar de sentir uma ponta de orgulho e uma sensação de profunda felicidade por termos tido a inspiração, o entusiasmo e a fortuna de edificar e colocar de pé a primeira universidade voltada para inclusão e qualificação do jovem negro da história do nosso país.

Criada em 2001 e formalizada em 2002, a Zumbi dos Palmares, antes mesmo do debate das cotas para negros nas universidades públicas do Brasil, já se erguia como um novo símbolo da trajetória do negro na sociedade brasileira.

Nunca antes na história do país os negros haviam chegado a tal ousadia. Nunca antes os negros haviam demonstrado tanta cooperação e operosidade na construção de paradigma que resignificaria definitivamente a trajetória dos negros e a história e a educação do nosso país.

Com 50% de cotas para estudantes negros, a Zumbi dos Palmares foi a primeira instituição do país a criar cotas no ensino superior, a primeira a inscrever na grade curricular matérias da história e religiosidade do negro e cuidar transversalmente da sua participação econômica e social na construção do país.

Com a Zumbi dos Palmares, pela primeira vez na história professores, pesquisadores e colaboradores negros encheram salas de aulas e a administração. Pela primeira vez alunos brancos e negros conviveram e ocuparam igualitariamente carteira de salas de aula. Foi com a Zumbi dos Palmares que o mercado de trabalho criou os primeiros programas de contratação de estagiários e profissionais negros.

No banco Bradesco, pioneiro e parceiro há 15 anos, mais de mil jovens negros brasileiros e imigrantes foram treinados e mais de 400 foram efetivados, estando hoje em postos de destaque na carreira. Depois dele, tantos outros vieram e ajudaram a mudar a história.

Com o programa televisivo Negros em Foco, produzido pela Zumbi dos Palmares há 15 anos, o país pôde conhecer informações, problematização e experiências da música, dança, história, literatura, artes e culinária da cultura negra. E com a Atlética da Zumbi dos Palmares, o esporte universitário pôde interagir com a estética e conhecer a força e a potência do esportista universitário negro.

O basquete masculino da Zumbi é bi, e o feminino é pentacampeão universitário.

Com todos os cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação com nota 3, e direito nota 4, com seu Colégio Técnico Profissionalizante Dandara dos Palmares, em parceira com o Senai, com o centro de empreendedorismo e inclusão produtiva para mulheres negras Unibela, em parceria com o Senac e o Sebrae, com o núcleo de combate ao racismo nas relações de consumo Procon Racial, em parceria com o Procon-SP, com a escola de cultura e esportes e parceria com o Sesi-SP, com a Universidade do Samba juntamente com a Liga das Escolas de Samba e a Uesp –União das Escola de Samba de São Paulo—, com os Climáticos, brigada voluntária de preservação ambiental e combate aos efeitos dos extremos climáticos, e com as atividades culturais de conscientização racial Virada da Consciência Negra e Troféu Raça Negra, cumprimos integralmente os princípios e valores inarredáveis dos princípios universitários do ensino, pesquisa, extensão, cultura e ação comunitária.

Mas a Zumbi não fez e não faz nada disso sozinha.

Sua existência é fruto da generosidade dos artistas negros brasileiros, que sempre emprestaram seu prestígio; dos diversos parceiros e aliados públicos e privados; de personalidades negras e brancas, do Brasil e do exterior, que contribuíram de todas as formas e graciosamente; e, principalmente, das diversas empresas que contribuíram economicamente para sua existência ao longo deste longo tempo.

A todos os que se juntaram nesse esforço civilizatório e tornaram realidade o sonho de colocar o jovem negro nos bancos da universidade nos últimos 20 anos, recebam da nossa comunidade acadêmica o nosso muito obrigado.

E também nossa tradicional saudação: boa noite, Zumbi dos Palmares!

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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