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Uruguai: Favorito quer acordo com China, mas via Mercosul – 24/10/2024 – Mundo

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Mayara Paixão

A depender do resultado, as eleições do Uruguai no próximo domingo (27) podem tirar uma pedra do sapato do Brasil no Mercosul. O favorito nas pesquisas quer frear as tentativas de Montevidéu de um acordo de livre comércio com a China por fora do bloco.

Yamandú Orsi, 57, candidato da Frente Ampla e pupilo de José “Pepe” Mujica, quer pleitear acordos como este, mas por meio do bloco sul-americano, disse à reportagem um dos principais formuladores dessa aliança de partidos de esquerda e centro-esquerda, Álvaro Padrón.

“Queremos um Mercosul que negocie, mas em bloco. Essa é nossa diferença”, afirma ele na sede da Frente Ampla no centro de Montevidéu. “Também precisamos de um Mercosul que consiga acordos, não um bloco ensimesmado.”

O atual governo uruguaio, de Luis Lacalle Pou (Partido Nacional), levou à mesa de debate o aviso de que a demora do bloco em fechar acordos faria o Uruguai fechar bilateralmente um acordo de livre comércio com Pequim. O tema gerou atrito com o Itamaraty, que afirmou que isso seria “a destruição do Mercosul”.

Em agosto, Lacalle Pou recebeu em Montevidéu uma delegação de alto nível da China, liderada por Liu Jianchao, chefe de relações internacionais do Partido Comunista Chinês, para tratar do assunto. Pequim e Brasília são os dois principais parceiros comerciais uruguaios.

A proposta de Yamandú Orsi, um professor de história e ex-prefeito de Canelones, nos arredores da capital, vai em certa medida na contramão do principal nome que o enfrenta nas urnas. O governista Álvaro Delgado, 55, do Partido Nacional, ex-secretário da Presidência na gestão de Lacalle Pou tem um projeto, claro, de continuidade.

Orsi aparece na liderança das pesquisas, que indicam que haverá segundo turno, a ser realizado em 24 de novembro. Neste caso, a disputa seria acirrada: é o momento em que tradicionalmente se unem os votos da chamada Coalizão Republicana (que une Partidos Nacional e Colorado e siglas menores como o Cabildo Aberto).

Embora tenha preferência para voltar ao poder após cinco anos de centro-direita na Presidência, a Frente Ampla sabe que nada está ganho.

Neste terceiro mandato, o presidente Lula (PT) teve boa relação com Lacalle Pou. Nas conversas entre diplomatas, surge a brincadeira de que, segundo teria dito o uruguaio, em três horas de encontro com Lula ele destravou muito mais a agenda bilateral do que o fez em três anos compartilhados com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

São projetos essencialmente burocráticos, mas com a dupla Lula e Lacalle Pou saíram do papel projetos como a binacionalização do aeroporto de Rivera, na fronteira com o Brasil.

Após o primeiro turno no Uruguai, Lula deve oficializar apoio a Orsi. Seu discurso de campanha em muitos pontos se assemelha ao do petista para os órgãos multilaterais.

“Houve um ciclo progressista na América Latina, outro conservador, e nenhum conseguiu mover nada”, diz Padrón sobre a proliferação de blocos regionais. “Precisamos sair da retórica para que a integração regional transforme a vida das pessoas de forma prática.”

“Somos um país pequeno, e ainda mais por isso nossa estratégia tem de ser em bloco. A integração da região não é uma questão romântica, somente ideológica, é pragmática: se queremos influenciar o mundo necessitamos de escala.”

Mas não há total alinhamento. Sobre Venezuela, Orsi diz que buscará colocar o Uruguai como um país negociador. “Queremos ser um agente-chave nesse processo”, diz Padrón. Mas não somando-se ao projeto de Brasil e Colômbia. “Isso ficou nebuloso, foram muitas conversas e não houve resultado de fazer o governo da Venezuela aceitar negociar. Chegou-se ao ponto de loucura de propor novas eleições.”

A proposta de novas eleições foi ventilada pelo assessor especial de Lula, o ex-chanceler Celso Amorim, que foi enviado pelo presidente para as eleições em Caracas em julho.

Seja quem for o futuro presidente do Uruguai, terá de lidar com um Mercosul que enfrenta as tentativas da Argentina de travar qualquer debate no bloco sobre combate a desigualdades sociais, algo que antes era quase uma linha de consenso. Sobre a figura do ultraliberal Javier Milei, Álvaro Padrón diz apenas que uma possível gestão da Frente Ampla terá de conviver e “quer ser um ator de consensos”.

Seu nome poderia aparecer em algum alto cargo de governo de Orsi ganhar. A campanha planeja, aos moldes do Brasil, ter uma espécie de diplomacia presidencial, como um conselho de política externa do presidente para além da chancelaria.

É um papel agridoce. Amorim é o enviado de Lula para desenrolar os principais entraves diplomáticos desse mandato. Em viagens oficiais do presidente, porém, contrapartes de outros governos já relataram ficar confusas de com qual destinatário negociar: o diplomata presidencial ou a chancelaria?



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Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

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Mirian Soares de Amorim.jpeg

A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



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Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre

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Curso de Farmácia-entrega de Menção Honrosa (2).jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.

A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.

“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.

A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”

Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Seminário na Ufac debate formação em enfermagem obstétrica — Universidade Federal do Acre

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Seminário enfermagem obstétrica (2).jpg

A Ufac sediou o seminário Desafios Atuais na Formação para a Prática da Enfermagem Obstétrica, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, na sala dos Colegiados, campus-sede. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para debater a reestruturação do modelo de assistência ao parto e ao nascimento, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a interiorização da qualificação profissional no Estado.

O evento integra um projeto nacional, composto por uma rede de 40 instituições de ensino superior articuladas para formar mais de 700 enfermeiras obstétricas pelo país, com foco prioritário nas regiões do interior. No Acre, o programa abrange turmas de especialização e residência voltadas para profissionais atuantes nas regionais do Alto Acre, Alto Purus, Baixo Acre, Tarauacá-Envira e Juruá.

“A Ufac cumpre o seu papel social ao ampliar a formação e capacitar profissionais que atuam em um momento tão ímpar quanto o nascimento de uma criança”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Contamos com alunos de todas as regionais. Isso gera um efeito multiplicador: o profissional capacitado coordena equipes locais e eleva diretamente a qualidade do atendimento prestado à população pelo SUS.”

A coordenadora das formações no Estado e professora da Ufac, Sheley Borges, destacou a necessidade de repensar a prática profissional para garantir um cuidado humanizado e seguro. “A intencionalidade da nossa formação é reduzir a mortalidade materna e neonatal e alcançar as mulheres em uma dimensão em que sejam respeitadas. Queremos garantir que as escolhas não ocorram por medo, como optar por uma cesariana sem compreender que é uma cirurgia de grande porte.”

A coordenadora nacional do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, Kleyde Ventura, ressaltou a relevância estratégica da parceria com a Ufac. “No Acre, vivemos uma condição muito especial, pois, com exceção de uma aluna, todas as especializadas são do interior. Estamos interiorizando e descentralizando os modos de formar, abordando o trabalho multiprofissional e a articulação de redes para garantir assistência de qualidade e direitos assegurados.”

Também participaram do seminário o promotor de Justiça do MP-AC, Gláucio Oshiro; o coordenador do curso de Enfermagem da Ufac, João Francalino; e o epidemiologista Serafim Salgado, coordenador das metodologias aplicadas no programa de formação.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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