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A alegria e a preocupação de Damasco enquanto as pessoas se perguntam: o que acontecerá depois de al-Assad? | Guerra da Síria
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Damasco, Síria – Do lado de fora de uma vila decadente no centro de Damasco, um homem com um suéter cor de vinho e calças pretas sobe em uma saliência e colhe kumquats de uma árvore.
Ao passá-los para outras pessoas ali reunidas, alguém grita: “Que Deus nunca o abençoe!”
Um duro insulto para o antigo morador desta propriedade – que acabou de fugir do país – e que, apenas dois dias antes, nenhum sírio teria sequer sonhado em sussurrar!
Nem a Guarda Presidencial de Bashar al-Assad, uma unidade especial do Exército Sírio designada para proteger o líder e os seus palácios, permitiria o acesso a tal propriedade.
Embora este não seja um dos muitos palácios de al-Assad, os moradores locais reunidos em torno dele na segunda-feira dizem que esta villa era uma das muitas propriedades que a família usava para receber convidados em todo o país.
Mas hoje, um dia depois do fim do regime dinástico de 53 anos da família, quando al-Assad fugiu para Moscovo na madrugada de 8 de Dezembro, não sobrou ninguém para impedir o povo sírio de entrar nas instalações.
No interior da vila, o piso de mármore está coberto de sujeira e lama de pessoas que entraram na propriedade anteriormente proibida.
Bakri al-Sahraa está com sua família perto de uma entrada no andar de cima conectada a uma escada externa que leva ao jardim da frente. Ele observa as pessoas tirando fotos do lustre ornamentado – um dos poucos itens que os visitantes sírios não recuperaram.
Estar aqui, diz ele, faz com que ele perceba o quão desconectados os Assad estavam da realidade.
“O luxo excessivo e essas pessoas que vivem como ricas não têm consciência dos pobres”, diz o engenheiro de 58 anos.
“Em cada cidade ele tinha um palácio. Em Homs existe um, em Aleppo existe um. Quanto vale essa megalomania?”
Em 2011, os sírios levantaram-se contra o regime para exigir os seus direitos. O regime de al-Assad respondeu com uma repressão brutal. Grupos rebeldes formaram-se e pegaram em armas contra o Estado, resultando numa guerra civil devastadora.
O efeito foi que mais de metade dos sírios caíram na pobreza extrema, sem segurança alimentar, de acordo com o Centro Sírio de Investigação Política (SCPR), um grupo de reflexão independente.

Ao lado de al-Sahraa está Shadi Sasli, de 42 anos, também de Damasco.
“Se você for ao Palácio Presidencial Sírio, verá como eles roubaram do povo”, diz Sasli, intrigado. Em árabe, o palácio é chamado Qasr Ash-shab, que significa Palácio do Povo.
“Tem Ferraris na garagem dele”, diz Sasli, que é mecânico de automóveis. “Eu costumava ver Ferraris apenas em meus sonhos.”
Quando questionado sobre como os homens de meia-idade viveram a maior parte das suas vidas sob a casa de al-Assad, Kassab al-Bahri, um homem de 54 anos de Damasco, junta-se a nós.
“Não vivíamos sob o comando dele”, diz ele. “Estávamos morrendo sob ele.”
Todos os três homens estão aliviados após a queda de al-Assad. Hoje foi um dia de celebração.
Mas algumas preocupações ainda persistem entre o povo de Damasco.
Muitos falam da queda de al-Assad como algo necessário e querido. Mas eles também se perguntavam o que o substituiria.
“Havia muito medo, tensão e dúvida”, disse Shizaa, uma mulher usando um véu branco e parada do lado de fora da vila, à Al Jazeera sobre os primeiros momentos em que os combatentes entraram em Damasco.

O medo diminuiu lentamente, diz ela, nos últimos dias, mas permanecem preocupações sobre como seria o futuro sob um novo governo.
“Esperamos apenas que haja segurança”, diz Shizaa, ao lado de outras três mulheres.
Hayat Tahrir al-Sham (HTS) – o principal grupo de combate no ataque que derrubou al-Assad – tem combatentes por toda Damasco e montou postos de controlo por toda a cidade.
Muitos também foram à Praça Umayyad, no centro de Damasco, para comemorar, disparando suas armas para o alto e tirando selfies com sírios que vieram de todo o país.
“Viemos aqui para comemorar porque o tirano de Damasco se foi”, disse um homem de Ghouta Oriental enquanto tiros comemorativos soavam atrás dele e carros passavam cantando canções de agradecimento a Deus.
“A alegria é grande e as pessoas não conseguem esconder as suas emoções porque todos vivíamos sob opressão.”
De volta à vila de al-Assad, outro homem, este vestindo uma jaqueta de couro, colhe kumquats e suga exuberantemente o suco deles, antes de projetar sua voz para que todos possam ouvir: “Como isso é doce!”
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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