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A ameaça tarifária de Trump é justificada? – DW – 12/02/2024
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Por que os BRICS querem desafiar o dólar americano?
O BRICS nações – nomeadas em homenagem aos membros originais Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — estão entre as economias de rápido crescimento no século XXI. Estão empenhados em reduzir a sua dependência do dólar americano, a moeda de reserva mundial, utilizada por quase 80% da economia global. troca.
A maioria dos economistas concorda que o sistema financeiro dominado pelo dólar dá ao Estados Unidos grandes vantagens económicas, incluindo custos de financiamento mais baixos, a capacidade de sustentar défices fiscais maiores e a estabilidade da taxa de câmbio, entre outras.
O dólar é a principal moeda utilizada para precificar mercadorias como o petróleo e o ouro e a sua estabilidade significa que os investidores recorrem frequentemente ao dólar em tempos de incerteza.
Washington também beneficia da enorme influência geopolítica da chamada dolarização, incluindo a capacidade de impor sanções a outras nações e restringir o seu acesso ao comércio e ao capital.
As nações do BRICS, que se expandiram recentemente para incluir o Irão, o Egipto, EtiópiaOs EUA e os Emirados Árabes Unidos acusaram Washington de “armar” o dólar, alavancando a moeda para que os rivais operem dentro de um quadro definido pelos interesses dos EUA.
As discussões sobre uma nova moeda conjunta ganharam força depois que os EUA e União Europeia impôs sanções à Rússia durante seu ano de 2022 invasão em grande escala da Ucrâniaem meio a preocupações de que outras nações do BRICS poderiam ser alvo de desavença com o Ocidente.
Como se desenvolveu o plano monetário do BRICS?
A criação de uma moeda BRICS foi discutida pela primeira vez pouco depois da crise financeira de 2008/9, quando um boom imobiliário nos EUA e regulamentações deficientes quase colapsaram todo o sistema bancário global.
Na cimeira dos BRICS do ano passado, na África do Sul, o bloco concordou em estudar a possibilidade de criar uma moeda comum para minimizar a exposição aos riscos relacionados com o dólar, embora os líderes dos BRICS tenham notado que provavelmente levaria muitos anos para se concretizar.
Presidente russo Vladímir Putin foi mais longe durante o mais recente Cúpula do BRICS em Kasan em Outubro, propondo um sistema de pagamentos internacionais baseado em blockchain, concebido para contornar as sanções ocidentais.
Houve pouco entusiasmo pelo plano de Putin, mas os líderes dos BRICS concordaram em facilitar mais o comércio em moedas locais, reduzindo a sua dependência do dólar.
Putin e seu homólogo brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva são os mais fortes defensores da nova moeda. Embora a China não tenha expressado explicitamente uma opinião, Pequim apoiou iniciativas para reduzir a dependência do dólar. A Índia, por sua vez, é muito mais cautelosa quanto à ideia.
Quão viável é uma moeda comum?
Uma nova moeda conjunta seria um enorme empreendimento para as nações do BRICS, repleta de muitas complexidades devido aos diferentes sistemas políticos e económicos dentro dos nove actuais membros. Os estados BRICS encontram-se em fases variadas de desenvolvimento económico e têm taxas de crescimento muito diferentes.
A China, por exemplo, é um Estado autoritário, mas é responsável por cerca de 70% do produto interno bruto (PIB) total do bloco, com 17,8 biliões de dólares (17 biliões de euros). A China regista um excedente comercial e mantém uma grande quantidade de dólares para apoiar a sua competitividade como grande exportador. A Índia, por outro lado, regista um défice comercial, é a maior democracia do mundo e a sua economia vale 3,7 biliões de dólares.
O domínio da China nos BRICS criaria um enorme desequilíbrio que a tornaria complicado para Nova Deli chegar a acordo sobre um quadro para a nova moeda que não ofuscasse os seus interesses nacionais. As disparidades entre outros membros do BRICS também poderão estimular a resistência a uma moeda partilhada.
Líderes do BRICS discutem alternativa ao dólar
Também é improvável que os membros do BRICS queiram eventualmente avançar para uma moeda totalmente negociada como o dólar ou o euro. O euro demorou mais de 40 anos, desde 1959, quando foi debatido pela primeira vez, até 2002, quando as suas notas e moedas se tornaram moeda legal em 12 países da UE, mais tarde em 20 estados.
A opção mais provável seria a criação de uma moeda conjunta utilizada exclusivamente para o comércio, avaliada com base num cabaz de moedas e/ou mercadorias como o ouro ou o petróleo.
A moeda dos BRICS poderia funcionar de forma semelhante aos Direitos Especiais de Saque (DSE) do Fundo Monetário Internacional (FMI). O SDR é um ativo financeiro internacional, avaliado às taxas de câmbio diárias do dólar, euro, yuan, iene e libra. Alguns proponentes sugeriram que qualquer alternativa ao BRICS poderia ser uma moeda digital.
A ameaça tarifária de 100% de Trump é muito prematura?
Trump escreveu no Truth Social Saturday que quando regressar à Casa Branca em Janeiro, “exigirá um compromisso” dos países BRICS de que “não criem uma nova moeda BRICS nem apoiem qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano”.
O Presidente eleito poderá, no entanto, estar a precipitar-se um pouco porque a proposta monetária registou poucos progressos, apesar da retórica dos líderes dos BRICS.
Na verdade, na segunda-feira (2 de Dezembro), o governo sul-africano insistiu que não havia planos para criar uma moeda dos BRICS, culpando os “recentes relatórios incorrectos” por espalharem uma narrativa falsa. Chrispin Phiri, porta-voz do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO) do país, disse em comunicado publicado no X (antigo Twitter) que as discussões até agora se concentraram em impulsionar o comércio dentro do bloco usando moedas nacionais.
A ameaça de Trump poderá agora prejudicar os laços com as economias de crescimento mais rápido do mundo, que são alguns dos principais parceiros comerciais dos EUA. Também poderia desencadear a ameaça de medidas retaliatórias.
Somando-se às atuais ameaças de Trump de impor tarifas adicionais aos rivais dos Estados Unidos, incluindo a China, qualquer medida da sua administração poderá aumentar ainda mais a inflação, tanto a nível mundial como a nível interno, potencialmente abrandando o crescimento económico.
A decisão de dar prioridade ao dólar também marca uma mudança política em relação ao primeiro mandato de Trump, onde ele favoreceu um enfraquecimento da moeda para impulsionar as exportações dos EUA. A sua ameaça provocou um fortalecimento do dólar na segunda-feira e um enfraquecimento do ouro, juntamente com o yuan, a rupia e o rand.
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse que uma tendência está ganhando força em relação ao dólar como moeda de reserva, dizendo que “cada vez mais países estão mudando para o uso de moedas nacionais em seu comércio e atividades econômicas estrangeiras”.
“(no comércio internacional)”, alertou.
Editado por: Uwe Hessler
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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