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A reação bizarra ao assassinato do chefe de um seguro de saúde faz sentido? Somente na América | Emma Brockes

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Emma Brockes

Fou nas quase duas décadas que morei nos EUA, minha abordagem em relação às contas médicas foi sempre a mesma. Primeira fatura, ignore. Segunda fatura, ignore. Terceira fatura, escrita inteiramente em letras maiúsculas e em vermelho, devolva à minha seguradora para comprar mais um mês de falta de pagamento antes de receber uma quarta fatura, que eu também ignoraria. Depois disso, a conta iria para uma agência de cobrança de dívidas no Centro-Oeste, que me enviaria uma carta extremamente hostil, ameaçando entrar com ação judicial se eu não pagasse. Eu paguei. Ha! Isso vai mostrar a eles.

Esta é a burocracia que milhões de americanos enfrentam cada vez que visitam um médico para qualquer coisa além da manutenção de rotina. É ao mesmo tempo uma experiência padrão e um gatilho para as emoções mais avassaladoras e liberadoras de cortisol. Arrastar os calcanhares até o aviso final foi um gesto patético que não resultou em nada, mas foi o único mecanismo que eu tinha para expressar a raiva não adulterada causada por um fato básico da vida nos EUA: que – e não há outra maneira de expressar isso – você paga enormes quantias de dinheiro a esses filhos da puta todos os anos e ainda assim eles brigam com você em tudo.

Menciono tudo isso como pano de fundo para a leitura de não-americanos sobre o que, à distância, pode parecer as respostas incomumente otimistas e, em alguns casos, bizarramente alegres ao assassinato de Brian Thompson, o CEO da UnitedHealthcare, em uma rua de Manhattan no ano passado. semana. Num relatório policial interno obtido pelo New York Times, Luigi Mangione, o suposto atirador que foi preso na Pensilvânia na manhã de segunda-feira, teria descrito o assassinato como um “remoção simbólica”. Ele também foi citado como tendo dito: “Francamente, esses parasitas simplesmente mereciam”. O que continua a ser chocante – pelo menos para aqueles que não dependem dos cuidados de saúde dos EUA – é que estas divagações de um alegado assassino foram, nas horas seguintes à divulgação da notícia do assassinato, amplamente partilhadas e, em alguns casos, celebradas pelo público americano.

No dia seguinte ao tiroteio, as reações online foram rápidas e brutais. “Sinto muito, é necessária autorização prévia para pensamentos e orações”; “envio de autorização prévia, reclamações negadas, cobranças e orações à sua família”; “depois que eles (cumprirem) a franquia exigida, poderei complementar alguns cuidados”. Amazônia tive que puxar a mercadoria ostentando o slogan “negar, defender, depor”, um conjunto de táticas conhecidas por serem usadas pelas seguradoras para protelar sinistros que aparentemente estava inscrito em cartuchos de bala no local do assassinato. Mesmo na imprensa sóbria, havia uma vibração inegável de “ele merecia” em alguns dos comentários.

Desde a prisão de Mangione e à medida que surgiram mais detalhes sobre o seu passado conturbado, aqueles que o consideram uma figura do tipo Robin Hood estão a acalmar-se rapidamente. Ainda assim, permanece a falta de simpatia pela vítima. Uma das principais causas de falência pessoal nos EUA é a dívida médica e, mesmo para aqueles que podem pagá-la, o fluxo constante de contas, a perda de tempo de brigar com as seguradoras e a tentação de pular exames vitais são estressantes.

Eu tinha um bom seguro. E, no entanto, em qualquer mês, a gaveta de cima da minha secretária continha uma pilha de correspondência das minhas seguradoras informando-me que o meu pedido tinha sido negado ou apenas parcialmente coberto. Um pequeno exemplo: a provisão da minha apólice para exames de câncer de rotina era de US$ 300 anuais, quando o custo real de uma única mamografia em Nova York pode chegar a milhares. Como um dos meus médicos me disse uma vez: “Realmente, eles só querem que morramos”.

Na verdade, eles não querem que morramos até que nos tenham esgotado o nosso último dólar. É assim que você acaba pensando. É um inferno. As pessoas perdem a cabeça. Também é chato. Você pensa sobre isso e fala sobre isso, e agora estou escrevendo sobre isso (de novo). As pessoas permanecem em empregos que odeiam durante anos apenas pelo seguro saúde. Neste momento, uma amiga em recuperação de um cancro agressivo está ao telefone todos os dias a tentar determinar se será expulsa da sua equipa de oncologia porque o seu hospital está em guerra com a sua seguradora. (Isso acontece a cada poucos anos, quando as principais redes hospitalares desentendem-se com as principais seguradoras sobre as taxas e uma ou outra delas ameaça desistir. Enquanto isso, os pacientes no meio do tratamento enfrentam a terrível possibilidade de que sua cobertura seja retirada. .)

Nada disso tem a ver com um jovem muito problemático de 26 anos que supostamente tomou a decisão de cometer um assassinato. Thompson não era o culpado por Saúde dos EUAe Mangione não é um herói popular americano. Ainda assim, explica a insensibilidade de algumas respostas. Não moro nos EUA há cinco meses, mas graças ao serviço de encaminhamento de correspondência dos correios dos EUA, estou na fatura número três de uma nota de US$ 1.300 datada de fevereiro, que foi negada pela minha seguradora porque o médico do pronto-socorro eu viram e não tiveram controle sobre a escolha que não estava em sua lista de médicos aprovados. Acho que vou ignorar.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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