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A saúde no contexto das mudanças climáticas: impactos, judicialização e soluções políticas
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2 anos atrásem
Da Redação
Por José Luiz Gondim dos Santos*
A relação entre saúde e clima é um dos principais desafios contemporâneos para o desenvolvimento sustentável. Os eventos climáticos extremos e recorrentes têm impacto direto na saúde humana, exacerbando desigualdades e comprometendo os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No Brasil e no mundo, as respostas a essas crises passam pela judicialização e pela formulação de políticas públicas, evidenciando a importância de abordagens integradas.
Eventos climáticos e a saúde humana
Os eventos climáticos podem ser categorizados como eventuais e corriqueiros, com impactos distintos na saúde e no meio ambiente. Exemplos de situações eventuais incluem o tsunami no Sudeste Asiático (2004) e o furacão Katrina nos Estados Unidos (2005), que causaram milhares de mortes e destacaram a vulnerabilidade de sistemas de saúde frente a desastres de grande magnitude (WHO, 2021). No Brasil, deslizamentos em Petrópolis (2022) e as cheias no Acre (2015 e 2021) ilustram como desastres locais também expõem fragilidades na infraestrutura e aumentam a incidência de doenças infecciosas, como leptospirose e cólera.
Eventos corriqueiros, como ondas de calor e queimadas na Amazônia, agravam doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em populações vulneráveis. Esses fenômenos são recorrentes no Brasil, onde as crises hídricas no Nordeste revelam a relação direta entre a má gestão de recursos naturais, insegurança alimentar e saúde pública (IBGE, 2023). Esses cenários reforçam a necessidade de vincular políticas públicas aos ODS, como o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e o ODS 13 (Ação Climática), para mitigar os efeitos adversos das mudanças climáticas.
Judicialização da saúde e sustentabilidade
A judicialização tem se tornado uma ferramenta importante para assegurar direitos fundamentais, especialmente em saúde e meio ambiente. Decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil refletem essa conexão. A ADPF 760, por exemplo, determinou ações contra o desmatamento na Amazônia, destacando os impactos na saúde pública. Já a ADO 59 tratou da implementação do Fundo Clima, com foco na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas (STF, 2023).
Esses casos demonstram que a judicialização pode impulsionar o cumprimento dos ODS, mas também apontam desafios, como o alto custo e a demora na implementação de políticas estruturais (Silva, 2022). Além disso, o excesso de judicialização pode desviar recursos de iniciativas preventivas, como programas de saneamento básico, essenciais para a saúde pública e alinhados ao ODS 6 (Água Limpa e Saneamento).
Inserção de soluções na agenda política
A teoria do ciclo da política pública é uma abordagem eficaz para integrar saúde, clima e direitos em políticas públicas. O primeiro passo envolve identificar os problemas, como a relação entre mudanças climáticas e doenças transmissíveis. Em seguida, é essencial formular alternativas baseadas em evidências científicas e experiências internacionais, promovendo a integração intersetorial entre saúde e meio ambiente (Secchi, 2023).
A inserção de soluções na agenda política exige articulação com lideranças e o uso estratégico de crises para mobilizar apoio público e político. Após a aprovação das políticas, sua implementação deve ser monitorada por meio de indicadores alinhados aos ODS. Avaliações contínuas são necessárias para garantir ajustes e melhorar a eficácia das políticas (Kingdon, 2003).
Conclusão
A intersecção entre saúde e mudanças climáticas evidencia a complexidade de promover sustentabilidade e equidade. A judicialização tem um papel fundamental, mas deve ser complementada por políticas públicas preventivas e sustentáveis. A aplicação da teoria do ciclo da política pública oferece um caminho estruturado para enfrentar esses desafios, integrando saúde, direitos e sustentabilidade aos ODS. A ação coordenada entre diferentes atores, aliada a estratégias de mitigação e adaptação, é essencial para garantir um futuro mais saudável e resiliente.
*José Luiz Gondim dos Santos é gestor de Políticas Públicas, advogado especialista em Constitucional, Mudanças Climáticas e Negócios Ambientais
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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física.
O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.
A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.
Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.
O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre
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28 de maio de 2026O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.
O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.
O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.
Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.
A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
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