POLÍTICA
Acendeu a luz vermelha para o pacote fiscal de Had…
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1 ano atrásem
Matheus Leitão
Em meio às turbulências políticas e econômicas, uma frase de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, evidencia as dificuldades que o governo Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfrentam com seu pacote fiscal. Lira mencionou que o pacote “tem problema de mérito, não só de prazo”, uma afirmação que reflete os desafios ligados ao trâmite, mas também uma resistência bastante considerável dentro do Congresso Nacional.
Esta resistência é iluminada pela controvérsia em torno de questões importantes como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ajustes no salário mínimo — assuntos que se mostraram divisivos entre os legisladores. A ausência de votos suficientes para passar as medidas como estão atualmente formuladas sinaliza um alarme vermelho para Haddad e sua equipe econômica, num momento em que a estabilidade fiscal do país já está sob intensa observação dos mercados financeiros.
Além disso, as recentes decisões do Banco Central, que indicam um provável aumento nas taxas de juros — talvez um ajuste severo de até 1 ponto percentual —, complicam ainda mais o panorama. Esta ação, embora destinada a combater a inflação persistente que supera o teto da meta de 4,5%, pode também estrangular o crescimento econômico, arriscando um efeito dominó sobre o emprego e o consumo.
Os sinais do mercado são mistos, mas inclinados para o pessimismo, como refletido na reação do dólar e nas taxas de juros longas. A inflação, embora tenha desacelerado em novembro, permanece acima do alvo, alimentando o debate sobre a eficácia das políticas monetárias e fiscais atuais.
O cenário é complicado pelo ambiente político instável, onde as negociações para desbloquear emendas parlamentares — fundamentais para a aprovação do pacote fiscal — enfrentam obstáculos legais e éticos. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal que exige maior transparência nas emendas apenas adiciona outra camada de complexidade ao processo.
A gestão de Haddad e consequentemente do governo, mais do que nunca, precisa estabilizar os desconfortos do mercado e balancear as demandas imediatas de controle fiscal com as pressões políticas internas.
O pacote fiscal não é apenas uma medida econômica, mas sim um teste significativo da capacidade do governo de operar dentro de um ambiente político instável e um panorama econômico incerto.
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A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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