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Agora é a hora de desconectar e reiniciar. No próximo ano entraremos num mundo mais perigoso – mas por agora preciso do silêncio da natureza | Paulo Daley
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2 anos atrásem
Paul Daley
Uma longa caminhada nas montanhas no fim de semana passado trouxe uma perspectiva repentina do peso da gritaria e da raiva.
De repente, havia apenas o canto dos pássaros, o farfalhar das copas das árvores, o suave borbulhar do Rio Nevado e o vento sussurrando através dos troncos de antigas eucaliptos fantasmas. Isso era tudo menos uma quietude silenciosa. Mas foi o som de uma serenidade que só a natureza pode oferecer – um barulho de extrema desconexão, se quiser.
Nos últimos anos, provavelmente desde os confinamentos pandémicos, tenho sido um grande defensor de caminhar com os meus próprio silêncio. Isto é, embora não esteja conectado à ciberesfera. Portanto, nada de notícias, músicas, nem mesmo audiolivros ou telefonemas. Minha respiração rítmica e a respiração ofegante dos cães junto com suas patas ao meu lado, o grasnar das gaivotas e, claro, os sons do meu ambiente – aviões, buzinas de balsas, trânsito, pessoas conversando.
É uma trilha sonora urbana de silêncio nunca imaculado. Mas nele eu sempre poderia salvar a catarse, uma calma elusiva, um bálsamo restaurador para uma mente ocasionalmente ansiosa, que é facilmente atraída pela dor dos outros, da qual, lamentavelmente, não há escassez global.
Este foi um momento de reflexão intensa. Às vezes era até um momento de não pensar. Muitas vezes descobri que conseguia caminhar durante uma hora e meia num estado de estase meditativa desligada, chegando a casa com uma sensação de renovação emocional e criativa, após a qual por vezes tinha de me lembrar do caminho percorrido.
Isso foi uma coisa boa.
E, então, eu mantive esse padrão de andar off-line por alguns anos. Mas algo mudou no final de junho. Foi em um quarto de hotel, durante as férias no Arizona, que assistimos ao primeiro debate sobre as eleições presidenciais. Até então, eu não tinha acompanhado muito de perto a política presidencial dos Estados Unidos, apesar da magnitude das suas implicações. Mas observando o desempenho calamitoso do titularfoi como se eu tivesse sido imediatamente reconectado a um estado de hipervigilância cibernética (isso, eu sei, aconteceu com muitos outros também).
Nunca houve podcasts ou enquetes suficientes, notícias interessantes ou previsões. Minha concentração para qualquer outra coisa estava praticamente destruída. Eu me peguei lendo sites de notícias estrangeiros às 3 da manhã, vasculhando a escuridão dos especialistas em busca de fragmentos de esperança que a América não cairia em uma crise. fascismo, vingança e o caos personificado pelo 45º e agora prestes a ser empossado 47º presidente, e prenunciado de forma não mais presciente do que em 6 de janeiro 2021.
As recentes eleições presidenciais de 5 de Novembro e as suas consequências ainda parecem o mais consequente na história global recente e, certamente, na minha vida – e na dos meus filhos e netos.
Em todo o mundo, a direita política e social (inclusive na Austrália) está cumprimentando, é claro, encorajada pelas possibilidades internas de extrair e transplantar elementos da política de ódio e escárnio.
Entretanto, fascistas autoritários de longa data (nada mais do que na Rússia, cujo ditador deve deliciar-se em ver a próxima presidência dos EUA fazer o trabalho do Kremlin por si, comendo vorazmente as outrora veneradas instituições democráticas do seu país a partir do interior, enquanto alimenta a oligarquia), conflitos público-privados e potencial cleptocracia) devem sorrir com a ironia de tudo isso.
A eleição foi feita e espanada há algumas semanas. Mas até ao fim de semana passado eu ainda estava a consumir cápsulas, a sintonizar-me com as recriminações do Partido Democrata e, não menos importante, a tentar conciliar a garantia de Kamala de que “vai ficar tudo bem” com a sua mensagem de campanha totalmente credível de que o futuro 47º presidente era um louco/ameaça existencial à democracia.
E então, no sábado passado, me desconectei nas montanhas. Algumas horas sem gritaria, raiva e triunfalismo. Este foi o reset que eu precisava.
A autocracia e a sua irmã gêmea de democracia subvertida florescem em meio ao silêncio e à oposição exausta e esgotada. Portanto, não estou, de forma alguma, propondo uma zona de exclusão permanente ou virando as costas ao conhecimento informado sobre como isso pode impactar global e internamente. O que acaba de acontecer nos EUA terá implicações profundas para a Austrália num próximo ano eleitoral em tudo, desde o tom do discurso político até às relações exteriores. e defesa, mudanças climáticasmetas de emissões, energias renováveis, combustíveis fósseis e imigração – e os direitos das minorias.
A trolling cultural/política personificada pela tão prenunciada nomeação de o próximo gabinete dos EUA e o simbolismo do reacionário, iniciativas maldosas já juraram contra os marginalizados, e como eles podem permitir possíveis replicantes em outros lugares, exigem extrema vigilância.
Mas uma vigilância eficaz também requer energia e força, recarga e equilíbrio mental e emocional.
Agora – no interregno que antecede a inauguração de Janeiro – é o momento de reiniciar. Para abraçar novamente a paz e a tranquilidade que se encontram na desconexão, para que as maravilhas auditivas da vida e da natureza possam dar força contra a belicosidade e a raiva de um mundo enormemente mudado e cada vez mais perigoso.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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