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Ameaça à cultura ‘sem precedentes’, diz UNESCO – DW – 23/09/2024
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Num vídeo nas redes sociais, soldados das milícias sudanesas posam em frente às antigas ruínas de Naga com as suas Kalashnikovs em punho e os dedos formando um “V” para a vitória.
Naga fica a 200 quilómetros (124 milhas) a nordeste da capital do Sudão, Cartum, e não muito longe das margens do Nilo, numa área outrora considerada o berço da civilização. A cidade foi fundada por volta de 250 aC como residência real do Reino de Meroe e apresentava vários templos e edifícios palacianos.
Três templos foram escavados e restaurados desde a década de 1990 por arqueólogosincluindo uma equipe alemã do Museu de Arte Egípcia de Munique. Mais cinquenta templos, palácios e edifícios administrativos ainda estão escondidos sob as ruínas, bem como necrópoles com centenas de sepulturas.
Mas agora Naga, que é um Património Mundial da UNESCO site, foi pego em mais um Guerra civil sudanesa. Desde Abril de 2023, generais rivais lutaram novamente pelo poder neste país rico em recursos, mas desesperadamente pobre. O governante de facto Abdel-Fattah al Burhan e o exército que ele controla enfrentam a oposição do Forças de Apoio Rápido milícia do seu antigo vice, Mohammed Hamdan Dagalo – que agora controla Naga.
Os líderes mundiais, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden, têm apelado repetidamente – e até agora sem sucesso – ao partes no conflito para negociar o fim da guerra.
‘Ameaça à cultura’ no Sudão não tem precedentes
“A situação é muito má”, diz Arnulf Schlüter, diretor do Museu de Arte Egípcia de Munique.
Ele não sabe se o projeto arqueológico algum dia será retomado.
“A maioria dos escavadores fugiu, a casa de escavação foi invadida e os pneus dos veículos foram roubados. O local de antiguidades está indefeso.”
Museus e artefatos estão sendo destruído e saqueado em todo o país no meio de uma grave crise humanitária — mais de 10 milhões de sudaneses estão deslocados e metade dos 50 milhões de habitantes do país passam fome.
“Esta ameaça à cultura parece ter atingido um nível sem precedentes, com relatos de saques de museus, património, sítios arqueológicos e colecções privadas”, afirmou a UNESCO, a organização cultural das Nações Unidas, em 12 de Setembro.
Sítio arqueológico de Naga, no Sudão, está desprotegido
Apesar do significado histórico dos três templos da cidade, que foram restaurados ao longo de décadas, e dos planos elaborados pelo famoso arquiteto britânico Sir David Chipperfield para construir um museu no local, Schlüter está muito preocupado com o seu futuro à luz da guerra.
“Não sabemos como eles estão”, disse ele sobre as pessoas que administram o Naga. “Há falta de informações confiáveis”.
Ele observou que o serviço de antiguidades do Sudão, responsável por cuidar dos locais do património mundial, perdeu muitos documentos como resultado do conflito.
“Os seus escritórios em Cartum foram saqueados”, explicou, notando que um registo centralizado de antiguidades acabava de ser criado.
Schlüter teme que a história da nação esteja sendo bombardeada até desaparecer.
“Mesmo que a paz voltasse imediatamente, teríamos que começar do zero”, disse ele.
O Museu Nacional do Sudão também foi saqueado
No meio da imensa destruição de infra-estruturas civis, os soldados roubaram e destruíram museus em todo o Sudão, muitas vezes antes de tentarem vender antiguidades no mercado de arte estrangeiro.
Por exemplo, o Museu Nacional do Sudão de Cartum, cuja importante antiguidade,estátua e coleções arqueológicas recentemente restauradas pela UNESCO e pelo governo italiano também foi saqueada.
A UNESCO está alertando os investidores do mercado de arte para não adquirirem artefatos culturais do Sudão.
“Qualquer venda ilegal ou deslocamento destes bens culturais resultaria no desaparecimento de parte da identidade cultural sudanesa e colocaria em risco a recuperação do país”, afirmou a agência da ONU.
“A situação nas zonas de guerra é dramática”, disse a professora Angelika Lohwasser, egiptóloga especializada em Arqueologia do Sudão na Universidade de Münster.
Como organizadora da Conferência Internacional de Estudos Meroíticos na universidade da Alemanha Ocidental, em Setembro, ela juntou-se a egiptólogos para ver fotos e relatórios sobre os danos causados a locais culturais no Sudão.
Segundo Lohwasser, os bens culturais do Sudão estão “atualmente sob ameaça”.
O icônico Mercado Souq de Omdurman, no lado oposto do Nilo a Cartum, também foi completamente queimado.
O Goethe-Institut está fechado na capital do Sudão
Entretanto, a instituição cultural alemã, o Goethe-Institut, está abandonada há muitos meses em Cartum.
Devido à sua proximidade com o palácio presidencial da capital, está localizado no centro da zona de combate.
Muitos dos funcionários foram evacuados do país no início da crise militar em 2023.
Na capital egípcia, Cairo, para onde fugiram muitos trabalhadores culturais do Sudão, o Goethe-Institut criou programas relevantes para o Sudão, como confirmou a sede em Berlim.
O conflito no Sudão também transformou a indústria das viagens culturais.
Frank Grafenstein dirige uma agência que mantém o site Visit Sudan em nome do governo e organiza viagens culturais para jornalistas e gestores de turismo.
Embora o site ainda esteja online, Grafenstein não tem mais contatos no país devastado pela guerra civil.
“Aconselho não viajar para o Sudão”, disse ele.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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