NOSSAS REDES

ACRE

Ao presumir que sou incompetente em tudo, estou piorando tudo | Adriano Chiles

PUBLICADO

em

Adrian Chiles

Taqui está algo pior do que pura incompetência, e isso é a incompetência de próximo nível – quando a sua incompetência começa a se alimentar. É um lugar perigoso para se estar. É como se não apenas se sentisse deprimido, mas também se sentisse deprimido por estar deprimido ou ansioso por estar ansioso. A incompetência de próximo nível é quando, estando tristemente consciente da sua incompetência, você começa – com boas razões – a duvidar de tudo o que faz e, o que é mais importante, a se culpar por coisas que não foram culpa sua. E isso pode causar ainda mais caos.

Um exemplo: há algumas quartas-feiras, eu entrevistaria Geoff Hurst, lenda do futebol inglês, no festival literário de Cheltenham, sobre seu novo livro, Last Boy of ’66. Na segunda-feira, sendo um profissional consumado, achei que deveria dar uma lida no livro. Mas não consegui encontrar o livro em lugar nenhum do meu apartamento. Onde eu coloquei isso? Obviamente, em algum lugar tão seguro que agora não consegui encontrá-lo.

O dia inteiro eu caçava, embaixo das camas, em cima dos guarda-roupas, nas mochilas, nas malas e nas gavetas. As estantes foram esvaziadas de todos os seus livros com golpes cada vez mais mal-humorados da minha mão. Ao cair da noite, desisti, decidindo retomar a busca ao amanhecer. Na manhã de terça-feira, agora assistido por entes queridos cansados, nada aconteceu. Sim, eu poderia ler o PDF, mas precisava do livro para fazer anotações e assim por diante. Encolhendo-me, desculpando-me, implorei ao editor que me entregasse outro exemplar. Eles concordaram com isso, embora também pedissem desculpas – por publicá-lo tão tarde. Eh? Quer dizer que eu nunca tive esse livro em primeiro lugar?

É assim que se parece a incompetência de próximo nível. Estando tão acostumado a perder coisas, eu tinha certeza de que havia perdido algo que nunca tive em minha posse. A bicicleta chegou com um exemplar do livro, assim como a outra veio com o correio. Mais umas 24 horas desnecessariamente estressantes chegaram ao fim. Eu tive tantos dias assim quando eu ter embolado; Não posso fazer a mesma coisa quando não fiz nada de errado.

Você teria pensado que a transição da incompetência comum ou de jardim para este novo e terrível nível seria gradual. Mas para mim aconteceu de repente, com três exemplos na mesma semana.

De qualquer lado da não perda do Último Garoto, tive desastres não-desastres com – se você me perdoa a ironia imperdoável – meu remédio para TDAH. Não consegui encontrar meus comprimidos em lugar nenhum. Eu coloquei a nova garrafa em algum lugar e não consegui encontrá-la. Freneticamente, vasculhei caixas e frascos de remédios, jogando-os para o alto, como um malabarismo absurdo em que objetos eram jogados para cima, mas não apanhados.

Mais uma vez, os entes queridos foram pressionados a participar da busca. Minha cunhada, que por acaso é médica, veio passar o fim de semana e passou grande parte do tempo procurando meus comprimidos. Sem alegria. Eu desisti. Desagradavelmente, pedi outra receita ao meu médico. Não tem problema, disse ele, explicando que NUNCA OS ENVIOU EM PRIMEIRO LUGAR. Depois de recebê-los, fui embora no fim de semana seguinte e descobri, para meu desespero sem fim, que não os havia embalado. Foi um fim de semana prolongado e não de um jeito bom. E então, ao fazer as malas para voltar para casa, descobri que na verdade os havia trazido comigo, mas, inexplicavelmente, os havia escondido em um tênis de corrida. Emocionado, embora desesperado, tomei um imediatamente, tarde demais, e o resultado foi que não dormi nada naquela noite.

Tudo isso se deve ao TDAH? Não sei. Alguns de meus entes queridos, levando em consideração minha neurodiversidade, me dão uma chance. Outros apenas me consideram um bufão. Simpatizo com ambos os pontos de vista, mas essencialmente não sei o que pensar. Tudo o que sei com certeza é que é absolutamente exaustivo para todos os envolvidos.

Adrian Chiles é locutor, escritor e colunista do Guardian



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard - interna.jpg

Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS