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‘Aproveitamos todas as oportunidades para rir’: por que os quenianos estão adotando a comédia stand-up em tempos turbulentos | Quênia
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2 anos atrásem
Carlos Mureithi in Nairobi
KK sabe que uma piada colonial bem contada pode entusiasmar uma multidão queniana. “Adoro como os brancos descobrem coisas que já existiam”, diz ele ao público no Punchline Comédia Clube que acontece no Two Grapes, um restaurante de Nairobi. “Recebi este DM de um homem branco outro dia. Ele estava tipo, ‘Oh, meu Deus. Eu amo seu conteúdo. Estou tão feliz por ter descoberto você. Eu fico tipo, ‘Não, já fizemos isso antes’”.
Ele continua contando como eles “descobrem” as pessoas e depois as levam para outros lugares “para serem descobertos”, e como aqueles que foram “descobertos” acabam viajando pelo mundo e ganhando muito dinheiro.
Então, após uma breve pausa, ele dá uma piada inesperada: “Eu gostaria de ser descoberto, na verdade. Acho que isso seria uma coisa boa. Eu retiro isso.
É quarta-feira à noite e KK, cujo nome completo é Kimathi Kaumbutho, está se apresentando em uma noite de microfone aberto com outros 19 comediantes stand-up na lotada área externa do Two Grapes.
A cena da comédia stand-up neste país da África Oriental está a passar por um momento em que uma série de novos comediantes convidam os quenianos a rirem-se da sua vida quotidiana, bem como de questões sociais. Nos últimos anos, o ofício atraiu vários artistas aspirantes e consagrados que se apresentam em locais com ingressos esgotados. Criaram uma indústria próspera, com alguns a estrelar programas de televisão e a actuar em palcos em todo o continente e fora dele.
Os tópicos abrangem a vida quotidiana e toda a gama de desafios que assolam o país, incluindo a corrupção, os frequentes apagões de poder e o aumento da dívida nacional, à medida que os artistas aproveitam o poder do standup para fazer as pessoas rirem das suas dificuldades.
O Quénia teve um ano bastante tempestuoso, incluindo mortes protestos antigovernamentais que foram desencadeados em junho por um projeto de lei para aumentar os impostos e duraram quase dois meses. “Nestes tempos turbulentos, temos de aproveitar todas as oportunidades que temos para rir, e esse é o verdadeiro presente do standup”, disse Njoki Ngumi, especialista queniano em economia criativa.
O boom deve-se em parte ao estabelecimento de vários colectivos de comédia stand-up – como o Punchline Comedy Club, que estava a realizar o evento de microfone aberto em que KK se apresentava – que são creditados por democratizar a indústria e dar-lhe estrutura.
Além de suas duas noites semanais de microfone aberto, o Punchline Comedy Club oferece um show com ingressos mensais, diversos festivais e um evento que reúne comediantes de todo o mundo. Às segundas-feiras realiza um workshop gratuito e aberto a todos.
“Eu queria começar um clube de comédia onde houvesse estrutura”, diz Eric Lu Savali, que fundou o clube em 2017. “Mas, mais do que tudo, é muito importante que sejamos equitativos e justos com as pessoas.”
Em maio, o Punchline Comedy Club recebeu o grande comediante americano Dave Chappelle em um evento em Nairóbi, onde Savali e seu colega comediante do Punchline Ciru Mwangi foram atos de aquecimento para ele.
A cena da comédia stand-up do Quénia atraiu comediantes que, em poucos anos, se tornaram alguns dos artistas mais talentosos do país. Anthony “Ty” Ngachira subiu ao palco pela primeira vez em 2018 para fazer um teste para um show de improvisação em Nairobi, onde “não se saiu muito bem”, diz ele, mas conheceu pessoas em pé e decidiu tentar. Ele já se apresentou no Festival Internacional de Comédia de Bloemfontein, na África do Sul, e em duas produções de comédia no Showmax, um serviço de streaming continental.
Ele também apresentou um talk show e um noticiário satírico TMI (muita informação) com Ty Ngachiradurante o horário nobre da TV nacional.
após a promoção do boletim informativo
Advogado formado, Ngachira largou o emprego em uma organização sem fins lucrativos para se concentrar na comédia quando recebeu o chamado para apresentar o programa. Em abril, ele apresentou seu próprio especial de comédia solo. Originalmente concebido como um show único, esgotou rapidamente e ele teve que adicionar um segundo. “Foi muito gratificante saber que é possível ser comercialmente viável”, afirma.
Ngachira, que gosta de fazer piadas sobre política e governação, recorda como costumava gostar de ver os especiais do comediante americano Kevin Hart quando estava a começar – “percebi que ele próprio não tinha medo de ser a piada”, diz Ngachira.
Assim como o Punchline, o Nairobi Comedy Club, o Standup Collective e o Karura Comedy Club foram fundados nos últimos sete anos e têm um modelo semelhante.
O Quénia tem uma longa história de utilização do humor para satirizar a sociedade, nomeadamente através do teatro, de esquetes cómicos e até de programas de televisão com marionetas. Na década de 1990, os artistas faziam apresentações em pé durante os intervalos das peças. Mudou para a TV através de um programa chamado Canto Vermelho em 2002. Um de seus intérpretes, Daniel Ndambuki, popularmente conhecido como Churchill, passou a criar Churchill ao vivo (mais tarde renomeado como Show de Churchill) em 2007, um programa cujo sucesso ajudou a impulsionar a arte para o entretenimento convencional.
No lotado Nairobi Laugh Bar, numa noite de sábado, Eunice Njoki, que atende pelo nome artístico de Mammito, zomba dos chás de bebê, uma tendência popular entre os quenianos de classe média. “Os chás de bebê devem parar depois do primeiro filho. Você não pode nos chamar para um chá de bebê para seu sétimo filho”, diz ela no show do Standup Collective. “Não vou usar vinho para o seu sétimo filho.”
Através da comédia stand-up, os artistas estão ultrapassando as fronteiras sociais e desafiando costumes e convenções arraigados. O Quénia tende a ser uma sociedade largamente conservadora, onde temas picantes são discutidos em voz baixa e os superiores são tratados com respeito lisonjeiro. Mas nenhum assunto está fora dos limites dos shows. Mammito diz: “Estamos apenas fazendo com que as pessoas saibam que o standup é uma atuação adulta”.
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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
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20 horas atrásem
14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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