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‘As balas podem fazer uma verdadeira bagunça nos ossos’: o hospital onde os feridos de guerra têm suas vidas recompostas | Médicos Sem Fronteiras

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Tracy McVeigh in Amman

UM a garota desliza pelos corredores do quinto andar do hospital com a amiga, a dupla tímida e de olhos brilhantes. Hoje é sua última chance de usar seus sapatos novos e brilhantes, comprados para uma festa na semana passada. Amanhã, o iraquiano de 12 anos terá uma perna amputada.

A operação estava prevista há duas semanas, mas o cirurgião, que tentou não chorar ao dar a notícia de que a amputação era necessária, concordou em adiar a cirurgia. Ela queria primeiro a chance de usar seus sapatos novos na festa.

Um homem iemenita espera para ser atendido pela cirurgiã ortopédica Dra. Hanna Janho no hospital MSF Mowasah em Amã, Jordânia. Fotografia: Alaa Atwah/The Guardian

Sua amiga de 11 anos é de Iémene seu couro cabeludo brilha com o brilho plástico das cicatrizes de queimaduras. Seu braço e ombro também foram danificados em um acidente há quatro anos, quando um caminhão superlotado bateu enquanto transportava refugiados que fugiam dos ataques de caças sauditas às suas aldeias.

Vítimas de diferentes guerras, eles estão entre os 110 pacientes feridos de guerra que são tratados na organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Hospital Mowasah em Amã, Jordânia, a qualquer momento. Outros 400 estão na lista de espera, com 8.500 cirurgias já realizadas.

É um centro de excelência em cirurgia reconstrutiva e ortopédica combinada com atendimento fisioterapêutico e psicológico, e sua equipe está inteiramente focada em obter os melhores resultados possíveis para os feridos de guerra.

“As nacionalidades refletem as guerras desta região”, diz o diretor do hospital, Roshan Kumarasamy, um veterano do trabalho de MSF em zonas de conflito global. “Nossos pacientes são da Síria, Iraque, Líbia, Iêmen, Somália, Gaza. Quase todos têm TEPT ou algum tipo de culpa do sobrevivente.

“Não existe outro local cirúrgico como este hospital no mundo – somos especializados de forma única”, diz ele. “Esta não é a operação de linha de frente de salvamento de MSF em si; isso é qualidade de vida depois disso.”

MSF é um dos três instituições de caridade apoiado pelo apelo do Guardian and Observer de 2024 em ajuda às vítimas do conflitot, ao lado de War Child e Parallel Histories. O apelo já arrecadou mais de £ 1 milhão

No Mowasahos ferimentos são causados ​​por dispositivos explosivos improvisados ​​(IEDs), chamas, estilhaços, bombas de barril, foguetes, balas, drones de atiradores furtivos e blocos de apartamentos explodidos.

Taha Saleh, um cinegrafista iemenita, tem cicatrizes borbulhantes atrás de cada orelha, onde uma bala passou por sua cabeça enquanto filmava em 2015. “Houve tantos feridos no ataque que eles estavam priorizando os pacientes, então me deixaram na pilha esperada morrer”, diz ele.

“Durante nove anos, lutei para conseguir tratamento no Iémen. Foi difícil comer. Eu tinha dores constantes na cabeça.”

O hospital é especializado em atendimento fisioterapêutico e psicológico, bem como cirurgia reconstrutiva e ortopédica. Fotografia: Alaa Atwah/The Guardian

Depois de um mês aqui em Mowasah, com fisioterapia e apoio de saúde mental, a tensão craniana e os pesadelos constantes de Saleh diminuíram. “Agora tenho esperança e sou abençoado por regressar em breve ao Iémen”, diz ele.

Ele conheceu seu amigo Ahmed Jalal aqui. Jalal ficou ferido em uma explosão que matou cinco pessoas. Sua vida foi salva em um hospital de MSF em Áden, no Iêmen, mas as zonas de guerra não têm atendimento especializado e ele ficou sem usar o braço. Aqui, ele fez tratamento de alongamento ósseo, foi para casa para se curar (enquanto se comunicava com a equipe de fisioterapia por telefone) e agora está de volta para sua cirurgia final.

“Eu me sinto muito sortudo. Agora poderei encontrar trabalho e casar”, diz Jalal.

Por trás de todas as lesões estão muitas histórias pessoais. Mas são histórias que a ortopedista Dra. Hanna Janho nem sempre pede mais. “As histórias podem começar a pesar sobre você”, diz ele. “No começo você pergunta, mas há apenas alguns feridos e incidentes. Concentro-me agora na lesão, no que pode ser feito.”

Dra Hanna Janho, cirurgiã ortopédica pioneira no hospital Mowasah. Fotografia: Alaa Atwah/The Guardian

Janho dirige sua clínica hoje, atendendo uma sucessão de pessoas que já operou, talvez várias vezes: enxertos ósseos e lesões de tendões e nervos em geral. As balas podem causar uma verdadeira bagunça nos ossos, e os atiradores gostam de mirar em fêmures e pélvis.

As pessoas são encaminhadas por médicos de MSF em seus países de origem. A equipe daqui considerará cada caso, e aqueles que acharem que podem ajudar serão levados de avião para Amã.

O esmagador denominador comum nos pacientes de Janho é a gratidão silenciosa – pela dor aliviada, pelos membros que se movem novamente, pelos ossos que cresceram e se fundiram.

“Normalmente, começaremos a ver as pessoas cerca de dois anos após o fim dos combates”, diz Janho. “Portanto, agora temos muitos iemenitas. Alguns pacientes moram em quartos nos andares superiores enquanto o tratamento está em andamento, e outros vão para casa e voltam.

“O pior que vemos? Provavelmente depois das bombas terem sido lançadas sobre as pessoas na Síria.”

Da’ed Almneaid é um psicólogo clínico que dirige a equipe multidisciplinar de saúde mental em um escritório adornado com obras de arte de pacientes anteriores e com forte cheiro de rosas.

“Ah, esses são os nossos fabricantes de perfumes”, diz ela com um sorriso. “Começamos a fazer formação ocupacional junto com a terapia, educação de adultos também, e os pacientes se capacitam. Temos muita integração aqui.

“Existe uma mentalidade, principalmente nas culturas árabes, que é: tentamos ficar calados porque todo mundo está sofrendo. Falar é aumentar o fardo de outra pessoa. Portanto, temos que quebrar o estigma – para orientar as pessoas de que não há problema em não estar bem.”

Isto também se aplica ao pessoal. Almneaid diz: “Trabalhamos juntos, passo a passo, com a criança de 12 anos que enfrentava a amputação. Ela está bem preparada e o cirurgião foi bem apoiado.”

O hospital Mowasah foi ideia de um grupo de médicos iraquianos. Dr. Rasheed Fakhri foi um deles e é considerado uma inspiração por muitos funcionários. Ele diz: “MSF é sempre uma emergência aguda; a ferida e o trauma agudo são tratados, o paciente sobreviveu. Então, apenas duas semanas depois de abrirmos em Amã, mudamos os critérios – as necessidades não são o que pensávamos inicialmente.

“Os cirurgiões na linha de frente estabilizarão e economizarão, mas o paciente ficará com (a necessidade de) reparo de tecidos moles, tendões ou nervos. Ninguém pode fazer nada porque não há tempo nem lugar para isso. Então é isso que fazemos aqui.”

Dr. Samar Ismail, que supervisiona a impressão 3D de próteses. Fotografia: Alaa Atwah/The Guardian

Mesmo num hospital de pioneiros como Fakhri, Samar Ismail está a aguentar-se. Ela é responsável pela impressão 3D de próteses e trabalha com queimaduras e cicatrizes. Hoje ela está ajudando Janeyah Ahmad, uma adolescente iemenita com queimaduras faciais, a colocar uma máscara facial transparente para ajudar na reparação de sua pele.

“Dispositivos assistidos personalizados, encontrar soluções para os problemas das pessoas… significa que realmente precisamos de pensar com imaginação”, diz ela. “Às vezes acordo no meio da noite e fico pensando em algum problema ou outro. Começámos a impressão 3D em 2017, por isso foi uma autoaprendizagem: se falhássemos, tentávamos novamente e agora estamos a partilhar o conhecimento com outros.”

Ela mostra um dispositivo quadrado com um apontador de lápis lacrado dentro. “Este é um bom exemplo. Tivemos um garotinho que perdeu a mão e fizemos uma prótese para ele. Mas ele ainda não se sentia normal porque na escola não conseguia apontar o lápis como as outras crianças. Então nós projetamos isso – ele coloca no dedo protético e segura firme para que ele possa apontar o lápis.

“Ele estava tão feliz”, diz ela, devolvendo o comentário com um sorriso. “Isso é o que fazemos.”



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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