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Chuvas no Sul: Agricultores do MST pedem reassentamento – 27/01/2025 – Ambiente

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Geovana Oliveira

Na manhã do dia 2 de maio de 2024, enquanto as chuvas colocavam o Rio Grande do Sul em alerta, o produtor de arroz Carlos Freitas, 55, e a esposa, Roselaine, 53, saíram de casa só por precaução. Quando a água começou a subir mais, à tardinha, Carlos voltou para buscar os animais de estimação e os encontrou mortos, boiando onde antes costumava ser sua sala.

“Nós adoecemos de ver as coisas assim. [As inundações] vão nos afetando”, diz Carlos, que enfrentou ao menos oito alagamentos desde 2002 e, nos últimos dois anos, perdeu toda sua safra de arroz orgânico. Em 2025, afirma, não vai plantar por causa do medo de perder o investimento de ao menos R$ 12 mil por hectare novamente.

O casal faz parte do grupo de 11 famílias do assentamento do MST (Movimento Sem Terra) Integração Gaúcha, em Eldorado do Sul (RS), que pede para ser realocado em outra região devido às constantes enchentes. A colônia agrária, que tem cerca de 70 famílias, é composta por terrenos de diferentes alturas em relação ao rio, sendo aqueles mais próximos os mais prejudicados.

Apesar de a cada três ou quatro anos as 11 famílias perderem suas produções agrárias, a primeira vez que a água chegou em suas casas foi em novembro de 2023 e, depois, em maio de 2024 —quando cobriu toda a cidade de Eldorado do Sul.

“A água sempre vinha e não chegava [nas casas], mas a gente vem observando que a cada enchente há um grau de elevação”, diz Daniel Audibert, 57, agricultor de hortaliças orgânicas.

Um estudo do grupo de cientistas World Weather Attribution, publicado em junho do ano passado, mostrou que as mudanças climáticas aumentaram em duas vezes a probabilidade de ocorrência das chuvas históricas que causaram as enchentes no RS, enquanto as falhas na infraestrutura do estado pioraram os danos.

Segundo Daniel, desde 1999 há um plano para o reassentamento das famílias, que estão em uma área de preservação ambiental. “A gente parou a produção por três anos, porque seríamos realocados, mas foi só conversa fiada”, diz.

Antes, cerca de 33 famílias pediam o reassentamento. Com o tempo, foram desistindo. Após a inundação maior no ano passado, ficaram 23. Mas, com a demora para que algo se concretizasse, passaram para 18 e, depois, restaram as 11 famílias que moram na mesma rua, alagada constantemente.

Em julho, o grupo acampou em frente ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Porto Alegre, junto a demais assentados do MST. O reassentamento foi uma das pautas da manifestação, desmobilizada após o governo estadual apontar um local que seria usado para cumprir a antiga promessa.

“Na época, a gente fez toda a negociação e se reuniu com o governador Eduardo Leite [PSDB]. Eles tinham sinalizado que seria na Estação Experimental de Taquari, mas foi só para voltarmos para casa”, critica Daniel.

As famílias tiveram dificuldade de acessar o auxílio reconstrução oferecido pelo governo federal, de R$ 5.000. Daniel conseguiu depois da quinta tentativa e recebeu no final de outubro. Não conseguiram, porém, o auxílio estadual, no valor de R$ 2.000. A ajuda financeira recebida para que as famílias se restabelecessem veio principalmente das campanhas coletivas de doação ao MST, que tem 344 assentamentos no RS.

“Só no trator que ficou embaixo da água eu gastei R$ 8.000”, diz o produtor de arroz Gilson Batistela, 54, que também não pretende plantar neste ano. A safra de arroz, explica, é colhida apenas uma vez ao ano e, se houver alagamento, todo o investimento feito é perdido.

O arroz plantado no assentamento precisa de água para crescer, mas uma quantidade muito grande impede seu florescimento. O MST estima ter perdido cerca de 10 mil toneladas da produção de arroz orgânico, principal cartão de visitas da política agroecológica do grupo.

“Como é que vai investir? Com que ânimo, com que segurança? Quem nos garante que na próxima não será pior? Os rios já estão cheios de areia, de terra, sujeira, então a tendência é, se der bastante chuva, a água subir mais rápido”, diz Miriam Batistela, 56.

Para pagar as contas e garantir a sobrevivência, Gilson tem trabalhado com o trator nas terras de outras pessoas que ainda têm recursos financeiros para investir na plantação. A esposa de Daniel, a agricultora Lúcia Audibert, 54, começou a fazer faxina duas vezes por semana na cidade.

“A enchente ainda não passou para nós”, diz a filha Alice Audibert, 25, agricultora e mestranda em desenvolvimento rural.

“E talvez no ano que vem ela ainda não tenha passado, porque as famílias não terão conseguido voltar para a produção do arroz, os produtores das hortas não vão ter conseguido pagar as dívidas que acumularam com as enchentes, aqueles obrigados a trabalhar fora já não estão conseguindo estabilizar seu lote em casa.”

Carlos e Roselaine também passaram a trabalhar fora da agricultura para garantir a subsistência. Segundo Carlos, se quisessem continuar a plantar arroz, precisariam de um investimento entre R$ 12 mil a R$ 15 mil por hectare, recurso que seria adquirido por empréstimo e, caso houvesse uma enchente e não pudessem pagar, viraria uma dívida.

Na casa com paredes rachadas e manchas de lama, o casal diz que não tem vontade de fazer nada para recuperar o terreno em que estão assentados desde 1992.

“Ficamos com o psicológico tão abalado que cansamos”, diz Roselaine, para justificar não ter recolhido todo o lixo do terreno ou mesmo tentar recuperar as louças que foram parar no quintal. “Limpamos o que conseguimos e aí fomos esmorecendo.”

No teto da sala, ainda há a marca de um botijão de gás, que boiou durante os dias em que a água ocupou a maior parte da casa.

Roselaine e Carlos só se animam quando falam da possibilidade de reassentamento. “É o que nos mantém ainda vivos, com esperança, sabe? Temos sonhos, planos para o que vamos fazer lá. Ficamos sentados pensando e planejando como vamos fazer nossa casinha”, diz Roselaine.

Procurado pela Folha, o Governo do Rio Grande do Sul afirmou, em nota, ter um plano para reassentar as famílias, mas que ele depende do governo federal. No último dia 9, o governador em exercício Gabriel Souza (MDB) entregou ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, um ofício com a proposta de trocar uma área estadual no município de Santana do Livramento por uma área federal próxima do assentamento em Eldorado do Sul.

Se a permuta for aceita, serão realocadas 18 famílias para a área próxima do assentamento. Integrantes da comitiva do governo federal sugeriram, porém, a compra de um terreno com recursos do Fundo do Plano Rio Grande ou do Fundo de Terras do RS. Não há um plano para se as propostas não forem aceitas.

O projeto Excluídos do Clima é uma parceria com a Fundação Ford.



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Ufac retoma reuniões presenciais dos conselhos superiores após 6 anos — Universidade Federal do Acre

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A Ufac retomou as sessões presenciais dos seus órgãos colegiados após quase seis anos. O retorno foi marcado pela 2ª reunião ordinária do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepex) de 2026, a qual ocorreu nesta quarta-feira, 19, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede.

As sessões passaram a ser remotas devido à pandemia da covid-19, em 2020. Depois, foram impactadas por paralisações dos servidores, crise no transporte público de Rio Branco e greve dos estudantes. “É um recomeço e o cumprimento de um dos principais compromissos assumidos durante nossa campanha eleitoral”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Este anfiteatro foi arena de grandes lutas do movimento sindical e dos próprios conselhos universitários.”

Segundo o servidor Jairo Nogueira, que atuou na intermediação do encontro com a Reitoria, a volta do formato presencial é fundamental para resgatar a interação direta entre os colegas e destravar os processos acumulados do Cepex. A sessão serviu de preparo para a reunião do Conselho Universitário (Consu), agendada para esta quinta-feira, 20.

Entre as propostas para a sessão do Consu, destacam-se reformulações no organograma da universidade, como a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, a reestruturação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, que passará a incorporar ações de inovação e o fortalecimento da autonomia do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, com a criação da figura do diretor do campus e de duas diretorias administrativas de suporte.

Por conta dos custos operacionais para o deslocamento dos 21 conselheiros de Cruzeiro do Sul, o modelo no campus do interior seguirá de forma híbrida temporariamente. A gestão está estruturando uma sala com suporte tecnológico para garantir a transmissão em tempo real, sem prejuízos aos participantes remotos. Paralelamente, nos próximos cem dias, a Reitoria pretende adaptar um espaço definitivo para as reuniões dos órgãos colegiados no campus-sede.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

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O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

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Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



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