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Congresso planeja indicar autores de emendas ao STF – 25/10/2024 – Poder

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Catia Seabra, Cézar Feitoza

O Congresso Nacional admitiu atender às demandas do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), e identificar os parlamentares autores das emendas de comissão.

Integrantes da cúpula do Legislativo, porém, avaliam que não será possível encontrar a paternidade de todas as emendas, por dificuldades técnicas. O argumento principal dos parlamentares é que as emendas de comissão são aprovadas coletivamente —e, portanto, não existiria individualização. A tarefa ficará a cargo da presidência do Congresso.

Na quarta-feira (23), integrantes da Câmara, Senado e governo se reuniram no STF para tratar do tema. Ao fim, houve uma sinalização sobre um acordo. Após decisão de Dino, o tribunal decidiu de forma unânime, em agosto, manter a suspensão da execução de emendas parlamentares impositivas até que deputados e senadores deem mais transparência aos repasses.

As emendas de comissão são parte importante desses recursos. O sistema de indicações nessa modalidade tem sido semelhante ao feito nas emendas de relator.

Oficialmente, parlamentares sugerem a destinação de recursos para os presidentes das comissões, e eles repassam a demanda para o governo sem a assinatura de quem fez o pedido original. Dino chamou essa figura de “patrocinador” da emenda.

A avaliação entre as pessoas envolvidas no imbróglio das emendas é que muitos dos documentos que comprovavam a indicação das verbas já foram descartadas ou nem sequer tenham sido formalizadas.

Membros do Congresso e do governo Lula (PT) devem criar uma comissão para identificar a autoria das emendas de comissão dos últimos dois anos. Uma possibilidade é enviar ofícios para todos os parlamentares, pedindo que eles digam voluntariamente quais verbas são de sua autoria.

A decisão de identificar os patrocinadores das emendas foi tomada após a cúpula do Congresso reconhecer que somente dessa forma o ministro Flávio Dino vai liberar as emendas represadas.

Nas palavras de um integrante da cúpula do Congresso, nada impede que um parlamentar assuma a responsabilidade por uma emenda de seu interesse, ainda que não seja o autor, apenas para garantir a liberação de recursos.

Ao bloquear o dinheiro, em 1º de agosto, Dino disse que as emendas de comissão e os restos a pagar das emendas de relator somente seriam pagas “mediante prévia e total transparência e rastreabilidade”.

A identificação dos autores marca uma mudança de postura do Congresso. No início das discussões no Supremo, os representantes da Câmara disseram que, por não existir a figura do patrocinador das emendas, “o Congresso não tem como colaborar”.

Nos últimos dois meses, o STF recebeu dezenas de documentos do governo que confirmavam a falta de transparência das emendas de comissão.

Em parecer, a CGU (Controladoria-Geral da União) disse que prepara mudanças no Portal da Transparência para atender à decisão de Dino, incluindo um campo para informar quem indicou a emenda de comissão.

“Cumpre ressalvar que a Controladoria-Geral da União depende do envio das informações em formato estruturado para disponibilizá-las no portal”, disse a pasta, ressaltando que faltam dados no Legislativo.

Em audiência de conciliação em 3 de outubro, representantes do governo afirmaram ao Supremo que esperavam o Congresso definir como enviaram os dados sobre os responsáveis pelo recurso.

“Em relação aos anos anteriores, as informações sobre os parlamentares patrocinadores precisam que os dados sejam estruturados”, disse um dos representantes do governo Lula, segundo ata divulgada pelo Supremo.

O imbróglio é semelhante ao que ocorreu em 2022. Na época, o Supremo decidiu que o Congresso deveria identificar os autores de todas as emendas de relator —que somavam R$ 16,5 bilhões naquele ano.

Um levantamento feito pelo gabinete do ministro Flávio Dino mostra que somente 360 deputados e 69 senadores enviaram a lista com o dinheiro enviado aos municípios. O número representa 72% do total de congressistas brasileiros.

A expectativa no Supremo é que, no caso atual, as emendas só sejam liberadas caso a paternidade seja revelada. Nos casos em que o patrocinador do recurso se mantiver anônimo, o governo pode decidir como usar o dinheiro.

O Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o uso das emendas de relator no fim de 2022. Com a derrubada do mecanismo —que funcionava como moeda de troca entre o Legislativo e o governo—, o Congresso decidiu turbinar o valor das emendas de comissão para manter o controle sobre o dinheiro.

As emendas de comissão tiveram um salto em 2023, chegando a R$ 7,6 bilhões —aumento de mais de 300% se comparado com o ano anterior. Em 2024, o valor dobrou e ficou fixado em mais de R$ 15 bilhões no Orçamento.

As emendas de comissão têm como autores os presidentes das comissões temáticas do Congresso. Os colegiados costumam aprovar o envio do dinheiro de forma genérica no ano anterior, destinando grandes valores para ações estruturantes como “fortalecimento do SUS”.

Durante o ano da execução das emendas, o presidente da comissão envia documentos ao governo solicitando a liberação gradual dos recursos para ações específicas, como melhorias na infraestrutura de determinado hospital.

A distribuição dos recursos não segue critérios técnicos e, na prática, privilegia a cúpula da Câmara e do Senado. A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara, por exemplo, enviou para Alagoas valor superior à soma da verba indicada para outros 19 estados.

Como a Folha mostrou, o colegiado distribui a verba conforme orientações repassadas por uma assessora de confiança de Lira. Mariângela Fialek envia minutas e planilhas para o presidente da comissão, deputado José Rocha (União Brasil-BA), que só as repassa para o governo.

Além de resolver as emendas já bloqueadas, a conversa entre os Poderes também resultou em acordo para uma projeto para disciplinar o tema futuramente. Na próxima semana, o Congresso deve votar um projeto de lei, ainda em construção, para definir regras de transparência às emendas parlamentares.



Leia Mais: Folha

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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