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Conheça o Parque Campana, em Brotas (SP) – 06/11/2024 – Turismo

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Teté Ribeiro

Recém-inaugurado, o Parque Campana, em Brotas, uma cidadezinha do interior de São Paulo com menos de 25 mil habitantes que, nas últimas décadas, se transformou em um lugar de turismo ligado a esportes ao ar livre, com rafting, trilhas, tirolesas e outras aventuras em que a adrenalina é a grande recompensa, oferece o contrário dessas experiências. É um lugar de calma, silêncio e contemplação.

O visitante precisa agendar sua visita pelo site ou pelo email do parque, e será guiado por uma caminhada de uma hora, em ritmo lento, para que tenha tempo de observar por todos os ângulos que quiser os pavilhões feitos com materiais como galhos de árvore, pedras da região, bambus, tijolos e plantas mesmo, que irão crescer e mudar seu aspecto com o passar do tempo.

O silêncio, entrecortado apenas pelo som dos pássaros, da água e do movimento das plantas e das folhas, provocado pelo vento, somado à visão das obras criadas especificamente para cada parte do parque, faz com que a estranheza inicial de dar de cara com estruturas retangulares, como vasos altos, colocadas em ângulos diversos, que parecem estar pendendo para os lados, com uma planta no topo de cada uma, vá, pouco a pouco, dando lugar a um sossego inexplicável.

Humberto explica que passou horas e horas pesquisando a luz natural, o relevo do chão, a vista existente, para só então criar os pavilhões. Talvez, por isso, no meio da visita, quando os olhos, os ouvidos e a mente finalmente se adaptam àquela estranha paisagem, o visitante é inundado pela sensação de que é perfeitamente natural encontrar imensas obras de arte naquele pedaço de terra.

Esse refúgio é obra da criatividade de dois artistas reconhecidos internacionalmente, muito mais no resto do mundo que no Brasil: os irmãos Campana, a dupla de designers formada por Humberto e Fernando (1961-2022), que saíram de Brotas e chegaram às grande galerias e museus de arte com uma combinação radical e inovadora de criatividade, senso de humor e crítica social.

Em termos práticos, o que Humberto e Fernando fizeram foi juntar, de maneira inédita, materiais muito rústicos, quase sem valor nenhum, como restos de madeira, plástico-bolha, papelão, coisas que você encontra muito mais frequentemente no lixo reciclado que em lojas de móveis caros, a um design irresistível, moderno e charmoso, sem abrir mão de conforto nem funcionalidade.

O Parque Campana é um desdobramento da sensibilidade destes dois artistas brasileiros, que acabou sendo produzido apenas por Humberto, depois da morte precoce e chocante de seu irmão mais novo, aos 61 anos, em 2022. “Durante a pandemia, quando a gente foi obrigado a ficar trancado em casa, começamos a passar mais tempo nessa terra, em Brotas, que ganhamos de herança”, conta Humberto, em uma visita guiada no dia da inauguração do parque.

Desde o ano 2000, os dois irmãos começaram a se envolver com a terra, e que sempre tinha sido usada por seus antepassados como uma fazenda tradicional, com plantações, pasto etc. “Meu pai era agricultor, mas nós nunca tivemos interesse em tocar uma fazenda, então a primeira coisa que fizemos foi plantar 16 mil mudas de plantas nativas, locais, para reflorestar o que as plantações e a pecuária tinham desmatado por tanto tempo“, diz o designer.

Durante a pandemia, o sonho cresceu para todos os lados. Em vez de apenas reflorestar a terra, Humberto e Fernando decidiram fazer deste lugar, tão pertinho do centro da cidade, um imenso espaço dedicado às maiores paixões da dupla: arte, educação e natureza.

“Muita gente acha que o Parque Campana é uma espécie de Inhotim, mas não tem muito a ver. Inhotim é um lugar lindo, mas cheio de estímulos, barulhento. Aqui é um lugar de silêncio, de contemplação, de cura”, afirma o seu criador.

“Meu interesse maior é compartilhar essa experiência com as pessoas. Já dei aula em vários lugares do mundo, agora quero fazer isso no nosso quintal, e deixar para essa comunidade, e para quem tiver interesse, um convite para se aproximar do nosso trabalho, ver a natureza com amor e respeito. Celebrar a vida mesmo, sabe?”.

A experiência de caminhar pelos oito pavilhões que já estão prontos nessa fase inaugural do Parque, pelas alamedas de chão de terra cobertas por pedriscos encontrados na região, deixa clara a sensação de que fala Humberto. As obras, todas construídas com objetos rústicos, sem cores artificiais, dão às vezes a impressão de que aquele é o resquício de uma civilização de outro tempo, ou de outra dimensão.

Os pavilhões, todos batizados com nomes de pessoas, são de tirar o fôlego pela engenhosidade e escala gigantes, ao mesmo tempo que provocam uma sensação de que, ali, nada é urgente. É como se, ao entrar naquele santuário natural transformado em exposição permanente, o relógio passasse a andar mais devagar, como se a vida, por uma ou duas horas, tivesse apertado o botão de “pause” no controle remoto.

PROGRAME-SE PARA IR

Visitas


Os dias de visitação são a última sexta-feira e sábado de cada mês, exceto feriados. Durante o período de férias escolares, serão dois finais de semana por mês. Os ingressos são limitados a 30 pessoas por período (manhã e tarde) e devem ser adquiridos no site.

Valores

R$ 50 por adulto, R$ 25 meia-entrada. Crianças de até cinco anos, idosos com mais de 65 e grupos de escolas públicas não pagam.

Próximas datas

Dias 29 e 30/11, 13,14, 27 e 28/12. Em 2025: 10 e 11/0, 24 e 25/1; 7, 8, 21 e 22/2.

Localização

Brotas fica a aproximadamente 3h de São Paulo, e o parque fica a oito minutos do centro da cidade.

Contato

Para informações sobre visitação, ingressos, comentários e sugestões, escreva para sac@parquecampana.com.br



Leia Mais: Folha

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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