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Descoberta de novos geoglifos pode reescrever a história da Amazônia

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Novos geoglifos descobertos no estado do Acre reforçam a ideia de que havia uma numerosa população milenar e hierarquizada na Amazônia 2.500 anos antes da chegada dos europeus. Dados podem “reescrever” a história da região.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil.

“A Amazônia era estudada como tendo um passado inóspito, uma região com pouca população e essas estruturas arqueológicas que vemos aqui demonstram o contrário”, disse à EFE Ivandra Rampanelli, arqueóloga com mestrado e doutorado em pré-história e responsável pela mais recente descoberta de geoglifos no Acre.

Para a cientista, as escavações indicam que “poderia ter sido uma população densa, grande, organizada e hierarquizada e isso reescreve a história da Amazônia como um todo, está mudando o que antes era visto como um território vazio”.

Os geoglifos são figuras construídas em encostas ou planícies, utilizando a técnica de adição de terra ou pedras, com tonalidades escuras de origem vulcânica de forma a criar um mosaico.

Os pesquisadores descobriram nos últimos anos um total de 523 geoglifos no estado do Acre, no Brasil, que faz fronteira com a Bolívia e o Peru, país onde se localiza os famosos geoglifos de Nazca.

Segundo Ivandra Rampanelli, a responsável pelas escavações mais recentes, os novos “desenhos na terra” descobertos na planície de Acre estão associados a rituais dos povos indígenas que habitavam a região antes da chegada dos europeus.

squicker / Flickr

Com mais de 2 mil anos de antiguidade, as linhas de Nazca, no Peru, são Patrimônio UNESCO desde 1994

As primeiras descobertas datam de 1977, segundo a especialista, quando pesquisadores locais encontraram oito áreas arqueológicas.

Apesar de um trabalho contínuo posterior, foi somente a partir de 2005 que um estudo sistemático dos locais avançou, isto com a ajuda de ferramentas diferenciadas, como satélites.

A mais recente descoberta na Amazônia ocorreu em outubro do ano passado, em uma pesquisa coordenada por Ivandra Ramapanelli, do Instituto do Patrimônio Histórico do Acre, e com a participação dos espanhóis Agustin Diaz Castillo, da Universidade de Valência.

Em julho, os primeiros resultados da descoberta começaram a ser relatados. Para Rampanelli, por estarem no meio da vegetação, os geoglifos são melhor preservados “do que aqueles em áreas privadas e que hoje servem de pasto para o gado”.

“Nas escavações futuras, poderemos encontrar material que permanece bem preservado e estudos de inventário botânico, inventário florestal, estudos do solo, porque estão melhor preservados do que outras áreas abertas (…)”, acrescentou.

Os dois novos geoglifos estão localizados na região de selva da reserva Chico Mendes, sendo que um deles é um círculo de noventa metros de diâmetro e cerca de quatro metros de profundidade.

A região amazônica do Brasil e da Bolívia tem mais de 800 geoglifos, dos quais 523 estão no Acre, um dos estados mais pobres do Brasil.

Recentemente, uma expedição arqueológica britânica descobriu 81 aldeias no estado de Mato Grosso, com vestígios de cerâmica e ferramentas de povos antigos. Ciberia, Lusa // ZAP

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