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Do quintal para o mundo, madeira de manejo se transforma em peças utilitárias e decorativas pelas mãos de artesão
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1 ano atrásem
Maria Fernanda Arival
Gamelas, colheres, copos, pratos, artigos de decoração e outros objetos fazem parte do tesouro produzido pelo acreano Antônio Geraldo Sobrinho, que há mais de 20 anos utiliza madeira de manejo para criar suas peças. A narrativa de sua história marca o Dia Mundial do Artesão, celebrado nesta quarta-feira, 19.
Aos 60 anos, Antônio possui um ateliê no quintal de sua casa, em Rio Branco, de onde sai toda sua produção. “O artesanato é uma das melhores terapias. Eu gosto muito. O artesanato representa tudo para mim. Às vezes até esqueço de comer, porque estou entretido no trabalho. Ele é um controle psicológico, deixa a gente tranquilo”, destaca.
Sua arte é também sua fonte de ganho: “É a minha única renda. Há momentos em que conseguimos algo melhor, em outros é mais difícil. Já tive encomendas para outros estados, e também há peças minhas em outros países, que não foram encomendadas diretamente comigo, mas são minhas. No Brasil, já enviei peças para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina”.

“Para mim, tudo é arte”
Antônio conta que, antes de se dedicar profissionalmente ao artesanato, já tinha noção de como era a produção. “A partir de 2000, comecei a produzir as primeiras peças, que não eram tão boas, mas, conforme fui aperfeiçoando, criei outras. Nós produzimos as peças, mas sempre pensando em criar novas”, relata.
Ressalta ainda que toda a madeira usada vem de manejo, de forma legalizada. “Eu não vou desbravar e derrubar a floresta. Entro em contato com as pessoas que fazem manejo e pego. Tudo é legalizado, e a gente ajuda o meio ambiente a se alegrar com a gente, por manter e cultivar as árvores. Por isso, aproveito qualquer pedaço de madeira, seja tora ou pedaço pequeno. Para mim, tudo é arte”, avalia.
E o artesão gosta de desafios: “Quando me mostram algo que não faço, digo ‘não pergunte se eu faço, pergunte quanto custa’. As pessoas acham engraçado, mas eu digo que a arte já está dentro de mim. Eu nasci para o artesanato, é o meu trabalho”, explica, com risadas.

Produzindo diversas categorias de peças, Antônio cita algumas das madeiras com as quais trabalha: “Uso cumaru-ferro, cerejeira, cedro, aroeira e teca. Na minha casa, plantei cerejeira, mas é para ajudar a manter a floresta e o meio ambiente. Esse trabalho, para mim, é tudo. Mesmo que eu tivesse outro emprego, ainda assim dedicaria algumas horas ao artesanato”.
Antônio também cuida da renovação do seu portfólio: “Graças a Deus, a cada ano, tenho uma peça diferente. A peça que eu produzia antes, faço menos, e invisto na próxima. Não trabalho por esporte, trabalho com artesanato porque gosto”.
Em Rio Branco, o artesão tem peças expostas para comercialização na Casa do Artesanato Acreano (atualmente com funcionamento suspenso devido à cheia do Rio Acre), na Rua Eduardo Assmar, em frente ao Calçadão da Gameleira, mas também recebe encomendas por WhatsApp pelos números (68) 984165232 e (68) 992056468 ou Instagram @antoniogeraldoac.
Arte, economia, turismo e patrimônio
O titular da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Marcelo Messias, destaca a atuação dos artesãos locais, que contam a história e preservam a identidade da população do Acre.
“Neste dia, ressaltamos a importância de cada mão talentosa que transforma matérias-primas em verdadeiras obras de arte, que leva o nome do nosso estado para o Brasil e o mundo. O artesanato não é só arte, é economia, turismo e patrimônio. Na Sete, valorizamos esse trabalho com incentivo, capacitação e oportunidade de negócios. A cada peça produzida, temos um pouco da nossa história sendo contada e nossa essência preservada”, ressalta.

Para promover cada vez mais o artesanato, o governo do Acre, por meio da Sete, realiza capacitações, caravanas de cadastramento nos municípios e oportunidade de negócios com participações nas feiras nacionais e internacionais, que levam o nome e a riqueza deste trabalho manual que representa o Acre para diversos lugares do mundo.
Além disso, a Casa do Artesanato Acreano, reúne peças de artesãos dos mais variados segmentos como biojoias, cerâmicas, palha e produtos feitos por indígenas.
A coordenadora do Artesanato Acreano na Sete, Risoleta Queiroz, afirma que o objetivo da data é valorizar os profissionais do setor, destacar o trabalho na sociedade e promover a autonomia e a economia local.
“O artesanato brasileiro é diverso, com características diferenciadas de norte a sul. A produção artesanal é influenciada pelas comunidades locais e pela matéria-prima disponível na região. O trabalho artesanal é uma fonte de renda para muitas famílias e os conhecimentos para a produção artesanal são passados de geração em geração”, diz.

Risoleta lembra ainda que o artesanato acompanha a história da espécie humana ao longo dos anos: “Sofreu mudanças, novos olhares e hoje é uma ferramenta artística que conserva culturas e muito significado, para além da produção de um objeto decorativo ou de um adereço para o corpo. O papel do artesão na sociedade não é somente de mão de obra, mas de produção artística importante para o mundo”.
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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli
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3 dias atrásem
16 de abril de 2026No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo.
O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:
SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.
A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.
Veja o vídeo:
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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