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Entender a diversidade é chave para mudanças climáticas – 02/01/2025 – Ciência Fundamental
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Raika Moisés
Há algumas décadas tivemos as primeiras evidências científicas de que a ação humana causava mudanças climáticas e viria a intensificá-las. As evidências viraram alertas para evitar um futuro trágico —e esse futuro virou presente. Por que não conseguimos mitigar a crise do clima?
Para a ecóloga colombiana Brigitte Baptiste, a questão é multifatorial e intimamente relacionada à diversidade, por diversos ângulos. Parte do problema é o fato de que as soluções devem ser específicas para as localidades onde são aplicadas, o que pode gerar conflitos entre o Norte e o Sul Global.
Tendo a diversidade em mente, Baptiste, primeira mulher trans a ser reitora em uma universidade na Colômbia (a Universidad EAN), defende a ecologia queer —uma teoria que considera a característica não linear dos ecossistemas. Em entrevista ao blog Ciência Fundamental, ela falou sobre essas e outras ideias.
Por que, mesmo sabendo das mudanças climáticas e das tragédias ambientais, não encontramos soluções efetivas?
Vejo que existe uma dificuldade que pode ser entendida como científica, mas que, na realidade, é um problema de comunicação. As soluções ecológicas são territorializadas, e é aí que aparecem particularidades: elas dependem dos valores e da construção das culturas em cada localidade. Há, também, uma dificuldade de entender as relações biológicas entre as espécies. Quando falamos de ecossistemas, não é fácil estabelecer os padrões que regulam o funcionamento do mundo —e isso marca as discussões (ou a dificuldade de mantê-las) entre o Norte e o Sul Global.
No que se refere ao meio ambiente, o que mudou em relação à sujeição do Sul Global ao Norte Global, e o que ainda precisa mudar?
Houve mudança nas regras do jogo do extrativismo, que ganhou algum nível de justiça ambiental, de equidade distributiva. Lentamente, as economias do norte e do sul vêm se misturando, redistribuindo o comércio e os serviços de acordo com interesses para além do propósito meramente extrativista. Na mineração e na agricultura há cada vez mais parâmetros de sustentabilidade, com normas para mitigar danos colaterais. Ainda assim, vemos muitos processos de extração sem compensação e casos de exploração social. E é isto que precisa mudar: questões de justiça ambiental e climática. Elas exigem a reorganização das atividades produtivas no mundo, seguindo critérios ecológicos —e estamos longe disso.
Há um caminho de aproximação entre os dois lados que seja menos prejudicial para todos?
Acredito ser possível uma outra relação entre os continentes. O colapso demográfico do planeta vai fazer com que isso ocorra. A China, por exemplo, precisará aceitar imigrantes se quiser sustentar suas populações envelhecidas, e esse acolhimento implica mudanças drásticas nas relações interculturais. Uma civilização ecológica global permitiria um sistema de comércio internacional muito mais equilibrado, transversal às culturas e às qualidades socioecológicas dos territórios.
Não existe, porém, um vínculo explícito entre as interações macroeconômicas globais e a sustentabilidade. “Sustentabilidade” virou uma palavra banal, mas é muito importante: é um indicador das trajetórias ecológicas dos territórios e permite identificar quando esses territórios estão inseridos de uma forma inadequada no contexto global.
A comunidade científica parece ter dificuldade em reconhecer que o Sul Global é capaz de propor soluções para o colapso ambiental. Por quê?
A comunidade científica reluta em reconhecer noções de bem-estar e modos de vida que não sejam sustentados por formas de conhecimento e valores inerentes a ela. Aparentemente, a noção de bem-estar associada à noção de conhecimento científico clássico não permite dissidências. Por isso os povos amazônicos são considerados pobres, por viverem com menos de um dólar ao dia ou apresentarem problemas decorrentes da desnutrição. Parâmetros de bem-estar do ocidente não podem ser universais. Se compreendêssemos a complexidade socioecológica do mundo, poderíamos distinguir trajetórias de (in)sustentabilidade sem precisar recorrer a indicadores autoritários, considerando distintas perspectivas de bem-estar.
O que é a ecologia/ambientalismo queer?
Ecologia é uma maneira de interpretar a evolução dos ecossistemas à medida que se estabelecem novas soluções para garantir a funcionalidade biológica dos territórios, e queer porque sempre implica processos que vão torcendo, que se desviam de uma projeção linear futura porque os ecossistemas não funcionam em linha reta. A ecologia queer chama a atenção para esse caráter torcido, que aos olhos humanos poderia parecer disfuncional, tortuoso —palavra que uso para definir essa classificação.
*
Raika Moisés é doutora em comunicação e gestora do Programa de Jornalismo e Mídia do Instituto Serrapilheira.
O blog Ciência Fundamental é editado pelo Serrapilheira, um instituto privado, sem fins lucrativos, de apoio à ciência no Brasil. Inscreva-se na newsletter do Serrapilheira para acompanhar as novidades do instituto e do blog.
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Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre
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17 de agosto de 2026O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.
Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.
Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”
Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.
O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.
Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.
Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre
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12 de agosto de 2026O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.
Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.
Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.
Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.
A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.
A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.
Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”
Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.
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Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre
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12 de agosto de 2026A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.
A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.
O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.
O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.
O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.
“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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