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Escritoras na Flup nos ensinam sobre ex-escravizados – 17/11/2024 – Bianca Santana

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“O sobrenome que nós carregamos, inclusive a ministra dos direitos humanos, Macaé Evaristo, que orgulhosamente é minha prima, até bem recentemente tinha uma versão”, iniciou a escritora Conceição Evaristo a mesa “Tão inseridas, tão excluídas”, parte da programação da Festa Literária das Periferias (FLUP) 2024, mediada por Daiane Rosário.

“Minha tia mais velha sempre me contou a história que, quando foi se registrar, diante do escrivão, esqueceu o sobrenome. A primeira coisa que veio à cabeça dela era um homem que morava meio que vizinho, e esse senhor se chamava Evaristo.”

O sobrenome da avó materna de Conceição era Miranda Pimentel. Recentemente, a escritora encontrou documentos de seu avô materno, que morreu no Hospital Colônia de Barbacena, como louco: Luís Floriano Evaristo. “Aí ficou uma dúvida, se esse Evaristo já era de meu avô ou se, quando a filha mais velha foi registrar os irmãos, se também registrou o pai”.

Bernardine Evaristo, escritora inglesa, que compôs a mesa com Conceição e Daiane, pensava que o sobrenome Evaristo, herdado de seu avô paterno, fosse nigeriano. “Quando eu estava com mais ou menos 26 anos, fiz algumas perguntas sobre a infância do meu pai, porque ele não nos falava nada sobre a vida na Nigéria, que ele deixou em 1949. E ele me disse: ‘sim, seu avô era brasileiro’.”

Gregorio Bankole Evaristo morreu em Lagos, em 1927, mas nasceu no Brasil. “O meu pai cresceu onde os ex-escravizados viviam. Saíam do Brasil no final de 1800, e voltavam para a costa africana oeste, onde viviam famílias brasileiras enormes, como os Silva e os Evaristo”, contou Bernardine.

“Quando cheguei à Nigéria pela primeira vez, em 1991, visitei esse bairro brasileiro. Havia prédios muito parecidos com os que a gente vê aqui no Rio. E depois, quando voltei lá, esses prédios tinham até sumido.”

No livro “Os retornados: a história dos ex-escravizados que deixaram o Brasil e formaram comunidades afro-brasileiras no golfo do Benim”, o historiador e diplomata Carlos Fonseca narra o abandono e a demolição das casas construídas pelos brasileiros em Lagos, mas também sua constituição.

“Ao concluírem o retorno, os libertos brasileiros estabeleceram-se em seus próprios territórios: ruas, quarteirões ou bairros inteiros, adquiridos aos poucos, às vezes cedidos por chefias locais. Em Lagos, há registro de doação de 38 terrenos pelo Obá Dosunmu, no começo dos anos 1850, presumivelmente por pressão do cônsul britânico Campbell, que tomara para si a tarefa de velar pelo bem-estar desses negros ‘civilizados pela escravidão’.”

No livro, Carlos Fonseca explica que, a partir de 1835, milhares de afro-brasileiros decidiram deixar o Brasil rumo ao continente africano. Embora muitos deles tivessem nascido no Brasil e de lá nunca tivessem saído, o movimento ficou conhecido como “retorno”.

Chegaram ao golfo da Guiné, em cidades como Lagos, na Nigéria, Uidá, Porto Novo e Aguê, no Benim, Lomé, no Togo e Adra, em Gana. Daqui levaram modos de construir, vestir, falar, cozinhar, dançar, cantar, rezar, portar a ponto de serem conhecidos como “brasileiros”.

No final do século 19, essas comunidades prosperaram, principalmente pela dedicação ao comércio de dendê, vendido para a Europa, mas também de produtos oriundos do Brasil, como aguardente, carne seca e fumo de rolo. Com o início da primeira guerra mundial esse fluxo Brasil-África cessou e, geração a geração, os descendentes dos retornados viam-se no dilema de seguirem estrangeiros em sua própria terra ou abrirem mão da tradição de seus avós. O livro de Carlos Fonseca apresenta esses dilemas.


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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física. 

O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.

A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.

Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico. 

“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.

Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.

O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia-interna.jpg

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre

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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais-interna.jpg

O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.

A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.

Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.

Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.

As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.

“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”

Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.

Próximos passos

Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:

– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;

– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.

 



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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre

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Ministro da Saúde Alexandre Padilha

O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.

O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.

O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.

Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.

A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.

 



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