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Estudante de escola pública do Acre conquista bolsa integral para cursar medicina na PUC-PR: ‘Chorei de alegria’
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1 ano atrásem
Tácita Muniz
A educação é a chave que abre portas para um futuro melhor, transformando vidas e realizando sonhos de famílias inteiras. O acesso ao conhecimento de forma irrestrita empodera e proporciona oportunidades. Essa é a história bem resumida de Geovana Ewelly Lira. Aos 17 anos e estudante de escola pública do Acre, a jovem comemora aprovação na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), conquistando o terceiro lugar para uma bolsa integral no curso de medicina.

Geovana fez parte do ensino fundamental e todo o ensino médio no Colégio Militar Tiradentes, em Rio Branco. A instituição é gerida pela Polícia Militar (PMAC) e o quadro de professores e coordenação é da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE).
Ao decidir cursar medicina, conta que fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado. Pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), chegou a conseguir uma bolsa para medicina em uma universidade particular do estado, porém, de apenas 50%. Depois, em outra edição, conseguiu o terceiro lugar na universidade paranaense.
Com uma rotina de estudos extensa e tendo enfrentado o isolamento imposto pela pandemia do coronavírus, Geovana conta que ser estudante de escola militar fez toda a diferença.
“Sempre estudei em escola pública e na pandemia pedi para o meu pai pagar um cursinho online para mim, que era mais em conta. Então, passei a ter o hábito de estudar em casa mesmo, sozinha. A questão da disciplina e compromisso que são disseminados na escola foi o que me ajudou na organização dos meus estudos”, narra.

Disciplina e foco
Já na reta final para concorrer ao Enem, a jovem passou a fazer os simulados para entender a prova. Uma rotina de estudos que, além do horário na escola, estendia-se em casa até na parte da noite.
Geovana lembra que, quando pequena, devido à profissão do pai, que é servidor do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), sonhava em estudar direito. Porém, viu esse desejo mudar quando começou a se dedicar aos estudos pensando no ensino superior. “Sempre pensei em estudar como uma pessoa que sonhasse fazer medicina, porque, por ser um curso concorrido, imaginava que estudando para passar em medicina, passaria em qualquer outro curso”, revela.
Tudo no ambiente escolar é uma forma de direcionar o aluno ao seu futuro e orientá-lo, principalmente nos anos finais em que o jovem precisa decidir a profissão que pretende seguir. E foi em uma peça de teatro na escola, em que precisou fazer o papel de advogada, que Geovana percebeu que realmente direito “não era sua praia”.
“Então comecei a acompanhar blogs de medicina e a história de muitas pessoas que passaram nesse curso. Pesquisei sobre procedimentos cirúrgicos e vi que o que queria para mim era medicina e não direito”, detalha.
O sonho, segundo ela, foi alimentado por bons exemplos e pessoas com histórias inspiradoras. “A minha área é essa: cuidar das pessoas”, avalia.
Ao receber a notícia que poderia cursar medicina em uma das mais renomadas universidades do país com uma bolsa 100% integral, Geovana se emocionou.

“Chorei muito, muito mesmo, mas de alegria. Eu achava que não era capaz mas, quando me desafiei, pensava que não poderia não passar. Meus pais vibraram muito também e eu ainda estou em êxtase”, diz.
O capitão Railson Melo, diretor da escola, destaca que sempre é motivo de orgulho saber que um aluno da instituição tenha conseguido realizar um sonho. Para o gestor, esse é um desejo compartilhado entre escola, estudante e os familiares.
“Recebemos [a notícia] com muita alegria, porque, assim como a Geovana está sendo consagrada pelo mérito e o esforço dela, muitos outros alunos que passaram por esta escola também já conquistaram seus objetivos e estão hoje cursando o que escolheram. Para nós, do Colégio Tiradentes, é motivo de muito orgulho e satisfação saber que os nossos alunos têm conseguido alcançar seus objetivos”, comemora.
Melo enfatiza que, na instituição, que atende alunos a partir do 6º ano até o ensino médio, as crianças e jovens são estimulados a tomar atitudes e ter autonomia em suas decisões, formando cidadãos proativos.

Destaque nacional
No Colégio Militar Tiradentes, os alunos têm acesso a uma gama de projetos que impulsionam a educação. Uma biblioteca completa, laboratório de informática, aulas regulares e de reforço, Pré-Enem e a possibilidade de participar de projetos de extensão universitária.
“Tudo isso para que o aluno se desenvolva plenamente e consiga caminhar com as próprias pernas. O diferencial do colégio militar é justamente a disciplina. Lógico que buscamos sempre a excelência no ensino, mas a disciplina é fundamental para que consigamos atingir os resultados que almejamos. Por exemplo, este ano a nossa escola é a número 1 do Estado do Acre”, informa. O estabelecimento teve nota 6,6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ficando acima da média nacional, de 4,3.
A metodologia da instituição, segundo o diretor, é mostrar ao estudante que todo objetivo requer esforço. “Ensinamos que é o próprio aluno que vai ter que lutar pelas suas notas e trabalhamos com um sistema de recompensas. Temos aqui o Alamar, o aluno-padrão, o aluno-destaque, o aluno 01. São instrumentos que fazem com que o aluno consiga se motivar ainda mais para conquistar seu objetivo, que é ser acima da média, para que consiga realmente aprender os conteúdos e finalmente realizar o seu sonho”.
Geovana não está sozinha em sua conquista. A família, que mora atualmente em Rio Branco, esteve ao lado dela durante a preparação e agora organiza mudança para Curitiba, capital paranaense, onde a filha vai estudar.

Mudança
O pai da estudante, Glaucio Lira, articula para ser inserido no teletrabalho e poder ficar perto da filha. “É um sonho realizado da família inteira, então vamos dar esse suporte material e emocional para ela, acompanhar tudo de perto, para que possa iniciar essa nova etapa da vida”, afirma.
Segundo Glaucio, Geovana sempre foi muito apegada aos pais e irmãos mais novos e acredita que estar ao seu lado nesse novo momento é fundamental para que continue se desenvolvendo de maneira plena.
Sobre o ensino da instituição, Lira avalia que a rede pública não deixou a desejar em comparação com o ensino particular. “Tenho admiração muito grande pelo colégio militar. A gente sabe que sem disciplina não vai a canto nenhum. Minha filha se encaixou no sistema militar e a nota do Ideb acima da média é o resultado dessa dedicação de toda a equipe”, avalia.
A família se organiza para se mudar em janeiro, já que as aulas começam em fevereiro. “Foi um sonho sonhado junto e realizado. Estamos felizes”, resume o pai.
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."
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