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G20 Social anuncia esforços coletivos para erradicação da fome
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Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
Liderados pelo Brasil, organizações multilaterais, países, bancos de desenvolvimento e instituições filantrópicas anunciaram, nesta sexta-feira (15), segundo dia de debates da Cúpula do G20 Social, no Rio de Janeiro, ações colaborativas no chamado Sprints 2030. O objetivo das ações é dar apoio, em larga escala, às iniciativas já comprovadas e baseadas em evidências e lideradas por governos nacionais no combate à fome e à pobreza extrema.
Os compromissos acertados antecipam a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do governo brasileiro, para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) de números 1 e 2 até 2030.
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza será oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira (18), durante a Cúpula dos Líderes do G20. Em 2024, o chamado Grupo dos 20 está sob a presidência rotativa do Brasil. O G20 é formado por 19 países importantes no cenário internacional e mais dois órgãos regionais: a União Africana e a União Europeia.
O anúncio de ações concretas para erradicação da fome e da extrema pobreza faz parte da estratégia chamada de Sprints 2030, que concentra ações para obter resultados em larga escala em diversas áreas como produção sustentável de alimentos, combate de desigualdades socioeconômicas, erradicação da fome global.
Os participantes dos compromissos do Sprints se unem para até 2030:
1. alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferências de renda e sistemas de proteção social em países de baixa e média baixa renda até 2030;
2. expandir as merendas escolares de alta qualidade para mais 150 milhões de crianças em países com fome e pobreza infantil endêmica
3. iniciativas em saúde materna e primeira infância terão como objetivo alcançar outras 200 milhões de mulheres e crianças de 0 a 6 anos;
4. programas de inclusão socioeconômica visam atingir 100 milhões de pessoas adicionais, com foco nas mulheres;
5. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial, oferecerão bilhões em financiamento para que países implementem programas relacionados a políticas da Aliança Global.
Durante a divulgação dos Sprints 2030, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que os anúncios demonstram o compromisso de governos, instituições internacionais e fundos financeiros. “Demonstram não só que têm compromisso e vão participar, mas também reafirmam como vão participar, onde querem, qual a população que querem alcançar, que áreas foram apresentadas como propostas eficientes, a partir da experiência de muitos países e quais são aquelas que cada anúncio quer priorizar.”
A primeira-dama Janja da Silva disse acreditar que, com os anúncios do Sprints 2030 feitos nesta sexta-feira, nos próximos meses, mais países, instituições e, principalmente, financiadores se unirão à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “Estamos longe dos compromissos que assumimos na Agenda com ODSs [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] 1 e 2 para erradicação da pobreza e fome zero. Mas ainda temos tempo de agir com ações concretas, de forma coordenada, aproveitando toda a experiência construída por diversos atores, em todo o mundo.”
“Não alcançaremos um desenvolvimento sustentável enquanto deixarmos milhões de pessoas para trás, vivendo em condições subumanas. A proposta da Aliança reflete o compromisso histórico do presidente Lula com o enfrentamento das desigualdades”, disse Janja da Silva.
Parceiros
Os Sprints 2030 reúnem parceiros financeiros e de conhecimento para realizar ações conjuntas. O movimento colaborativo conta com 41 governos nacionais, 13 organizações internacionais públicas e instituições financeiras e 19 grandes instituições filantrópicas, organizações da sociedade civil e outras entidades sem fins lucrativos,
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, em participação por vídeo, anunciou o financiamento adicional de US$ 25 bilhões, cerca de R$ 140 bilhões, para apoiar a implementação de políticas nacionais no conjunto de políticas da Aliança Global e mais U$ 200 milhões ou R$ 1,1 bilhão, em assistência técnica para os países da América Latina desenvolverem programas e aperfeiçoarem suas ações.
“Temos, sim, o potencial de acabar com a pobreza extrema na América Latina até 2030. Para isso, precisamos de um investimento coletivo de 1,6% do PIB da região anualmente. Novas fontes de recursos e Instrumentos inovadores são importantes para a aliança”, afirmou Goldfajn.
Já o Banco Mundial se comprometeu a ampliar os programas de proteção social para apoiar pelo menos 500 milhões de pessoas em países em desenvolvimento até 2030 – metade deste público será de mulheres e meninas.
Sobre o Brasil, o ministro Wellington Dias destacou que políticas públicas integradas têm feito o país retomar o caminho para a erradicação da fome e da pobreza. Segundo Dias, a fome no Brasil apresentou redução nos últimos dois anos e passou de 32,8% para 18,4% da população em insegurança alimentar moderada ou grave.
E o governo federal prevê que o Brasil sairá do Mapa da Fome até 2026, baseado, entre outros fatores, na política de transferência de renda do programa Bolsa Família.
Projeções
As projeções atuais indicam que 622 milhões de pessoas viverão abaixo do limiar da pobreza extrema de US$ 2,15 por dia em 2030. Se as tendências atuais se mantiverem, 582 milhões de pessoas ainda viverão com fome em 2030, o que frustrará o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada pelo Brasil na Cúpula dos chefes de Estado do G20, nesta segunda-feira, o governo brasileiro quer ampliar a erradicação da fome além do território nacional para uma dimensão mundial, por meio do fortalecimento da cooperação internacional.
O maior plano para erradicação da fome se concentra em pilares de apoio a programas nacionais liderados pelos países, compartilhamento de conhecimentos baseados em experiências exitosas e apoio financeiro.
Os membros da aliança podem aderir por meio de declarações de compromisso personalizadas.
Para saber mais, acesse o portal da Aliança Global.
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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