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Indígenas e polícia entram em conflito em fazenda no Pará – 10/11/2024 – Cotidiano

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Carlos Villela

Policiais militares e indígenas da etnia turiwara entraram em conflito durante uma reintegração de posse em uma fazenda de dendê em Tailândia, no nordeste do Pará.

O confronto começou quando agentes da Polícia Militar cumpriam, na última terça (5), uma ordem judicial para reintegração de posse, determinada no dia 25 de outubro pelo desembargador Mairton Carneiro.

Durante a tentativa de remoção, os policiais utilizaram bombas de efeito moral, e os indígenas incendiaram pneus. Oito indígenas e uma quilombola foram detidas na terça-feira durante o conflito, e liberadas provisoriamente na quarta (6).

A fazenda Roda de Fogo é ocupada desde agosto pelos turiwara, em uma disputa com a empresa Agropalma, que mantém plantações de dendê para produção de óleo de palma. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do estado se manifestaram contra a medida do Tribunal de Justiça.

Os indígenas afirmam que a área da fazenda tem importância para sua cultura e subsistência e acusam a empresa de restringir o acesso a cemitérios sagrados no local. Segundo eles, a introdução das plantações de dendê resultou na expulsão dos povos originários da região, o que motivou a demanda pela demarcação do território.

Em nota, a Agropalma disse que a operação foi feita em cumprimento à decisão judicial do Tribunal de Justiça do estado e que a desocupação foi feita sem registro de feridos.

Já a Defensoria Pública afirma que, durante a audiência de custódia, se verificou desrespeito a garantias legais, como leitura de documentos obrigatórios, e indícios de possíveis violações de direitos humanos, como uso excessivo de força policial.

O Ministério Público Federal diz que o tribunal estadual não tem competência para julgar o caso, por envolver direitos indígenas —tema de competência da Justiça Federal.

O órgão tentou impedir a reintegração de posse, sem sucesso. “Como o MPF havia alertado, o despejo foi extremamente tenso e gerou uma série de riscos a vidas indígenas”, disse a entidade em nota. “Se for identificado ‘dolo ou erro grosseiro’ no caso, os agentes públicos envolvidos podem ser responsabilizados pessoalmente pelos resultados”.

Em nota, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) informou que monitora de perto a situação e atua na mediação do conflito entre os Turiwara e a Agropalma desde o início do conflito em 2022.

A Funai disse que houve uma audiência judicial em setembro com o intuito de buscar uma conciliação entre a Agropalma e a comunidade Turiwara. “A tentativa de conciliação, mediada pela Defensoria Pública e pelos advogados que representam os indígenas, não obteve sucesso, uma vez que a empresa não aceitou os termos propostos.”

Segundo a entidade, a coordenação regional da Funai de Baixo Tocantins planejava implantar ações como acompanhamento de demandas e estudos para qualificação fundiária na região. No entanto, devido ao agravamento do conflito e à ocupação da área, o foco foi redirecionado exclusivamente para ações de segurança.

No início deste ano, a Funai acionou a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública para investigar o assassinato de um indígena e o ferimento de outro em meio a um conflito. Desde então, o Ministério dos Povos Indígenas solicitou ao Ministério da Justiça o apoio da Força Nacional, com o objetivo de garantir a segurança dos Turiwara durante o processo de ocupação.

Segundo a fundação, esse pedido depende de autorização do governo estadual. Procurada pela Folha, a gestão do governador Helder Barbalho (MDB) não se manifestou até a publicação.



Leia Mais: Folha

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Eventos da Ufac em CZS discutem ciências ambientais e agrárias — Universidade Federal do Acre

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O programa de pós-graduação em Ciências Ambientais e o programa de educação tutorial (PET) de Agronomia, do campus Floresta da Ufac, promovem, de 16 a 19 de novembro, o 5º Simpósio de Ciências Ambientais da Amazônia Sul Ocidental e o 2º Simpósio de Ciências Agrárias do Vale do Juruá. As inscrições estão abertas online para submissão de trabalhos até 20 de setembro; e para estudantes, profissionais da área e público em geral até 20 de novembro.

Os eventos reúnem alunos, pesquisadores e profissionais do setor para debater soluções socioambientais e inovações para o desenvolvimento sustentável na região. E segundo os organizadores, consolidam-se como um fórum estratégico de integração interdisciplinar na Amazônia Ocidental, promovendo a difusão de pesquisas científicas, o intercâmbio de experiências práticas e o fortalecimento de redes de conhecimento voltadas à conservação ambiental e ao avanço das ciências ambientais e agrárias.



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Pesquisa da Ufac é premiada em Congresso Brasileiro de Sementes — Universidade Federal do Acre

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Ítalo Ribeiro em CBSementes-2026.png

Pesquisadores de programas de pós-graduação (PPGs) da Ufac conquistaram o prêmio de melhor trabalho na categoria Mestrado durante o 23º Congresso Brasileiro de Sementes, realizado de 25 a 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR), e promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes. O estudo trata de uma técnica baseada no uso de ultrassom para acelerar a germinação e o crescimento de mudas.

A autora principal é a mestranda Lívia Brito, com a colaboração de Ítalo Ribeiro, Rayane de Oliveira, João dos Santos, Janaína Alencar, Evandro Ferreira e Luis Maggi, que integram os PPGs em Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia; Biodiversidade e Biotecnologia; Produção Vegetal e Ciência Florestal, além do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O trabalho avaliou os impactos do ultrassom na espécie arbórea conhecida popularmente como bordão-de-velho ou sete-cascas. A planta possui valor econômico para alimentação humana e animal, além de potencial para projetos de reflorestamento. Contudo, a produção de mudas enfrenta barreiras devido ao seu revestimento, uma rigidez na casca da semente que dificulta a entrada de água e atrasa a germinação.

Os testes conduzidos no Laboratório de Biofísica da Ufac/Bionorte demonstraram que a aplicação de ultrassom com determinada frequência e intensidade pelo período de cinco minutos aumentou o percentual e a velocidade do processo de germinação. A tecnologia é pioneira no país, sem registros anteriores de aplicação em escala industrial no Brasil.

Segundo Lívia, a expectativa da equipe é estender a metodologia a outras culturas agrícolas e espécies nativas, sobretudo as ameaçadas de extinção. A investigação também abrange experimentos com a castanha-do-brasil, apontando dados preliminares de que doses específicas de ultrassom podem elevar os teores de proteína bruta e nitrogênio total nas plantas.

A comitiva da Ufac no congresso contou ainda com outras apresentações. Ítalo Ribeiro expôs os efeitos da técnica no crescimento inicial da ‘Apuleia leiocarpa’, espécie moveleira sob ameaça de extinção; Ronald Antônio Nascimento de Souza apresentou resultados aplicados a sementes de sangue-de-dragão e moringa; e o professor e orientador Luis Eduardo Maggi apresentou um software em desenvolvimento projetado para estimar com precisão a quantidade de energia acústica aplicada sobre as sementes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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V SIMECO — Universidade Federal do Acre

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