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Indústria volta a BNDES sob Lula e ensaia ultrapassar agro – 03/11/2024 – Mercado

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Fábio Pupo

Após o governo Lula (PT) lançar um plano de crédito e subsídios à indústria, o volume de empréstimos aprovados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao setor é o maior em relação ao total em oito anos. De acordo com a instituição, o volume liberado de janeiro a setembro supera o montante destinado ao agronegócio –algo que não se via desde 2016.

O movimento é observado em meio à melhora da atividade no setor e à maior procura por financiamento após a criação das linhas do plano Nova Indústria Brasil, lançado em janeiro. A demanda dobrou neste ano, na comparação com um ano antes.

Apesar de a fotografia ser comemorada pelos representantes da iniciativa privada, o cenário para o ano que vem ainda é visto com cautela. Entre as causas, estão desde motivos já presentes há muitos anos –como a falta de competitividade e a concorrência com a China– até fatores mais recentes como o atual ciclo de aumento da taxa básica de juros (a Selic).

José Luis Pinho Leite Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, afirma que a instituição está em um processo de gradual retomada do apoio ao setor após os números observados nos últimos governos.

“Nos anos anteriores aos do governo do presidente Lula, a indústria foi totalmente deixada de lado. O BNDES deixou de apoiar o setor industrial no sentido não só de financiamento, porque diminuiu muito, mas também deixou de ter uma diretoria que olhava para a indústria”, afirma.

Ele diz que, no acumulado de janeiro a setembro, o setor contou com 27% de todo o crédito aprovado pelo BNDES –em comparação, a agropecuária ficou com 26%. No mesmo período do ano passado, a ordem era inversa. O campo ficou com 31% e as fábricas, com 18%.

“Estamos nos reaproximando do setor industrial sem deixar de apoiar os outros. Não queremos deixar de apoiar o agro nem a infraestrutura”, afirma. “O agro também demanda máquinas e equipamentos do setor industrial. Não queremos deixar de apoiar isso”.

A maior aprovação, no entanto, não aproxima os números aos do passado. Em meados dos anos 1990, por exemplo, a indústria liderava as aprovações e chegou a obter mais de 50% dos recursos concedidos pela instituição (ao longo dos anos, a infraestrutura passou a ser a campeã).

“Você não sai do nada e volta ao que era lá em 2010, no governo Lula, que era 40% [de aprovação para a indústria]. Você vai caminhar aos pouquinhos. E é isso que nós estamos fazendo”, afirma Gordon.

Os números observados até meados do ano mostram que os segmentos de alimentos e bebidas (25% do total à indústria), mecânica (18%), química e petroquímica (12%) e transportes (12%) lideram as aprovações no setor.

A maior atenção à indústria vem no momento em que o BNDES como um todo tem emprestado mais. Nos últimos 12 meses até junho (último período com dados completos consolidados), foram aprovados R$ 208 bilhões aos diferentes setores. O valor representa o dobro do verificado dois anos antes (a preços constantes).

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou em evento no Palácio do Planalto o momento de aumento de investimentos do setor. “Depois de muito tempo, presidente [Lula], é a primeira vez que a indústria lidera o crescimento nesse último trimestre. E o investimento lidera o crescimento”, disse na quarta-feira (30).

Mário Sérgio Telles, superintendente de Economia da CNI (Confederação Nacional da Indústria), afirma que o aumento que vem sendo observado neste ano é influenciado pela atividade mais aquecida no país e por um “efeito psicológico” gerado pelo plano do governo —com empresas buscando mais o BNDES devido ao anúncio.

“O BNDES tinha se fechado bastante para todos os setores e as aprovações tinham caído muito”, diz. “É um momento de inflexão importante, com demanda maior, um mercado de trabalho crescendo e concessões de crédito avançando. As aprovações para a indústria cresceram significativamente em 2023 e estão crescendo neste ano em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma.

Apesar disso, ele faz ressalvas sobre a condição geral do setor e afirma que o custo de financiamento é apenas um dos grandes problemas da indústria. “Não é um momento espetacular. Longe disso”, afirma.

Dados compilados pela CNI mostram que produção, faturamento, emprego e intenção de investimento na indústria cresceram nos últimos meses. A utilização da capacidade instalada, por outro lado, mostra uma melhora em agosto ainda com margem de elevação sem pressão nos preços.

“Você tem problema tributário, custo de energia, custos de infraestrutura e, vamos lembrar, nos últimos 15 anos tivemos a crise do Lehman Brothers e um crescimento muito grande da concorrência chinesa. Essa conjunção de fatores é que resultou nessa perda de competitividade da indústria brasileira”, afirma.

Robson Gonçalves, economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), diz que os números vistos agora não necessariamente representam uma tendência e que o país vive um cenário de desindustrialização.

“O BNDES sozinho não conseguiria mudar isso. Você precisaria de uma política industrial. O governo anunciou uma; mas, depois disso, as importações de aço e vidro, por exemplo, aumentaram. O material de construção vindo do exterior praticamente dobrou em relação há alguns anos. Isso é desindustrialização”, afirma.

Para ele, o cenário é de incertezas. “A demanda de recursos de longo prazo do BNDES exige que haja projetos de investimento. E, para que haja esses projetos, as empresas têm que ter um horizonte de investimento no qual confiam”, diz.

“O que está tendo é um ambiente de negócios de incerteza do cenário internacional, de política econômica, das brigas recentes entre governo e Banco Central, de briga entre Legislativo e Judiciário. Nada disso ajuda.”



Leia Mais: Folha

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Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural-interna-1.jpg

A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex) da Ufac realizou o lançamento do projeto “Extensão Universitária: Implantação e Divulgação de Unidade de Produção Rural Integrada para a Amazônia”, o qual coordenado pela professora Marilene Santos, é viabilizado por emenda parlamentar do senador Alan Rick (Republicanos-AC), no valor de R$ 5,7 milhões. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 3, no laboratório de mecanização, e foi marcado pela entrega de equipamentos agrícolas para uso de agricultores familiares.

A rede de apoio atende produtores orgânicos, integrantes do Movimento das Mulheres Camponesas e produtores de cacau de Acrelândia (AC), englobando ações em municípios acreanos como Rio Branco, Porto Acre, Bujari e Capixaba. Entre as frentes técnicas desenvolvidas, destacam-se a implantação de sistemas agroflorestais, o incentivo à adubação verde, melhorias na suinocultura, o manejo de pastagens e o fomento à cultura do cacau, com a meta de ampliar a produção regional para mais de 10 mil pés.

No total, a iniciativa atende a cinco grupos de produtores que recebem o acompanhamento especializado de uma equipe de cinco pesquisadores da Ufac, cinco engenheiros agrônomos, técnicos de nível superior, além de bolsistas de graduação e de mestrado.

“Aqui temos os melhores pesquisadores. Estamos muito felizes com essa entrega, que temos certeza de que ajudará nossos estudantes a entrarem com uma perspectiva diferente no mercado de trabalho”, destacou a reitora Guida Aquino.

A coordenadora do projeto, Marilene Santos, disse que a ação é uma semente que foi plantada e colherá bons frutos quando chegar ao resultado final. “Agradeço ao senador pela iniciativa.” Segundo Alan Rick, é preciso investir na base. “Não vamos conseguir colher a plantação se não houver nada plantado”, pontuou. “É um imenso prazer saber que contribuí em um projeto como esse.”

Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural-interna2.jpg

A equipe técnica e de pesquisadores que compõem o projeto é formada pelos professores Almecina Balbino Ferreira, Bruna Viana, Eduardo Pacca Matar, Eduardo Mitke Brandão, Matheus Matos e Sebastião Elviro Neto, além dos colaboradores Patrícia Cunha e Rogério da Silva Correia.

Também compuseram o dispositivo de honra os vereadores Neném Almeida (MDB) e Zé Lopes (Republicanos).

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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Ufac obtém 3º lugar nacional em chamada pública do Procel — Universidade Federal do Acre

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Proposta da Ufac, elaborada pelo Instituto eAmazônia, sobre energia sustentável e inovação para o edifício múltiplo do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, obteve o 3º lugar na classificação nacional e o 2º na classificação da região Norte na chamada pública Energia Zero em Prédios Públicos, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

O projeto contempla a modernização dos sistemas de iluminação e de climatização do edifício, além da instalação de um sistema de geração de energia fotovoltaica. As intervenções têm como objetivo reduzir o consumo de energia elétrica da edificação e equilibrar a geração local com o consumo anual, caracterizando o conceito de “Edifício Energia Zero”.

A nota final da proposta da Ufac foi de 7,62. No projeto, o eAmazônia prevê investimento de R$ 1.348.587,92 em recursos não reembolsáveis da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A., no âmbito do Procel.

Após a homologação do resultado da chamada pública, a Ufac dará continuidade aos procedimentos para assinatura do termo de cooperação técnica. A previsão é que a execução das intervenções ocorra em até 24 meses, seguida por um período de monitoramento para verificação das metas estabelecidas pelo programa.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Fórum de reitores debate desafios para ensino superior público — Universidade Federal do Acre

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A reitora Guida Aquino participou do 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, realizado na segunda-feira, 29, e terça-feira, 30, em Foz do Iguaçu (PR), reunindo dirigentes de 89 instituições brasileiras, entre universidades e institutos federais, além de 67 representantes de 17 países latino-americanos e caribenhos, para debater os desafios e as perspectivas da educação superior pública, da cooperação internacional e da integração regional.

“A integração entre as universidades da América Latina e do Caribe é fundamental para o fortalecimento da educação superior pública, da produção científica e da construção de respostas conjuntas aos desafios sociais, econômicos e ambientais que compartilhamos enquanto região”, disse a reitora.

Durante a programação, foram debatidos temas estratégicos como a democratização do acesso ao ensino superior, a inclusão social, a mobilidade acadêmica, a pesquisa e a inovação, bem como mecanismos para ampliar a cooperação internacional e fortalecer as redes de produção científica e tecnológica entre os países participantes.

O evento contou com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus David, além de representantes de organismos internacionais e lideranças acadêmicas.

 



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