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POLÍTICA

Lula não blindou Juscelino Filho só por reverência…

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Lula não blindou Juscelino Filho só por reverência...

Daniel Pereira

Com apenas três meses de governo, a situação de Juscelino Filho (União Brasil) à frente do Ministério das Comunicações parecia insustentável. Naquele curto período, soube-se que o ministro tinha escondido da Justiça Eleitoral um patrimônio de cerca de 2 milhões de reais em cavalos de raça, usado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar de uma agenda de caráter pessoal e direcionado 5 milhões de reais em emendas, em 2020, quando era deputado federal, para pavimentar uma estrada que dava acesso a uma fazenda dele em Vitorino Freire (MA), reduto eleitoral de sua família.

Apesar de ser fonte de um noticiário negativo para o governo e formalmente investigado, Juscelino ficou mais de dois anos no cargo até ser demitido na última terça-feira, 8, após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. Sua queda demorou, segundo aliados de Lula, porque o presidente tem reverência pelo princípio da presunção de inocência, principalmente depois de ter sido preso pela Operação Lava-Jato “injustamente”, conforme o entendimento do PT.

Cumplicidade e pragmatismo

A presunção de inocência pode até ter contribuído para a blindagem a Juscelino, mas conta apenas uma parte da história. A parte menos relevante. Desde seus mandatos anteriores, Lula demonstra solidariedade a políticos aliados em apuros, além de uma elástica tolerância com auxiliares denunciados pela imprensa ou investigados por órgãos de controle. É da lavra do presidente a máxima segundo a qual certas acusações “saem na urina” e, portanto, não devem desestabilizar integrantes do primeiro escalão.

Para Lula, o desgaste com eventuais constrangimentos morais, se é que existem, é compensado com sobra pela possibilidade de manter e ampliar o apoio de partidos e de bancadas parlamentares. Por isso Juscelino Filho ficou tanto tempo no ministério. O presidente temia melindrar o União Brasil, que tem 59 deputados, caso o tirasse do cargo.

Esse temor deixou de existir, e a demissão ficou madura porque, além da denúncia da PGR,  a própria bancada do União Brasil passou a pedir a substituição de Juscelino, alegando que ele não representava o grupo. Padrinhos políticos do ex-ministro foram consultados e avalizaram a troca. Ou seja: o presidente agiu ao ter a garantia de que não haveria retaliação pela legenda.

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Padrinho e afilhada

Lula nunca gostou de demitir ministros por causa de manchete de jornal, como dizia, ou por serem alvos de investigações. O petista chegou a ficar incomodado com Dilma Rousseff porque a sucessora, em seu primeiro mandato na Presidência, promoveu a chamada faxina ética e exonerou ministros acusados de corrupção, desvio de verba e outros crimes. Na época, Lula alegou em conversas com aliados que as demissões causariam turbulência política para Dilma. Também reclamou que a presidente tentava marcar uma diferença com ele, mostrando-se intransigente com malfeitos, tudo com o objetivo de ganhar pontos com setores da sociedade que eram refratários ao antecessor.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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