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Mehdi Qotbi, artista da diplomacia entre França e Marrocos

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Há pouco mais de um ano, Mehdi Qotbi almoçou no Plaza Athénée, em Paris, com o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin, o ex-chefe do Quai d’Orsay do governo Jospin, Hubert Védrine, e o ex-embaixador de França em Rabat, Philippe Faure, no cargo de 2004 a 2006. O quarteto desesperou-se então com o frio polar que envenenava as relações entre a França e Marrocos, no seu ponto mais baixo desde 2021.

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“Estávamos procurando uma solução para que a briga não persistisse, lembra o artista franco-marroquino, a quem o Instituto do Mundo Árabe (IMA) dedica uma retrospectiva até 5 de janeiro. Cada vez que encontrava um político francês, pressionava-o a compreender a posição de Marrocos. »

Embora, em dezembro de 2020, os Estados Unidos tenham reconhecido “Marroquina” do Sahara Ocidental, reivindicado pela sua parte pela Argélia, e que a Espanha considera o plano de autonomia marroquino como o “base única” para resolver o conflito, Mohammed VI exorta a França: sem um passo em frente do Eliseu nesta matéria, a crise bilateral não pode ser superada. Após longa hesitação, a mudança de pé finalmente ocorreu. Numa carta ao rei em julho, o Presidente Emmanuel Macron reconheceu que “o presente e o futuro do Sahara Ocidental fazem parte do quadro da soberania marroquina”, abrindo caminho para a reconciliação. Mehdi Qotbi ficou aliviado, insistindo que “A França e Marrocos têm uma amizade de longa data que não deve ser posta em causa”.

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Se repetir que só quer que a França ame Marrocos tanto quanto ele o ama, o artista de 73 anos nega qualquer papel nesta reaproximação. Somos solicitados a acreditar nele, mas a dúvida é permitida se julgarmos pelo seu currículo. Formado pelas Belas Artes de Toulouse, o homem é certamente um pintor, paixão à qual diz se dedicar desde a adolescência, mas não só. Em 1992, fundou o Círculo de Amizade Franco-Marroquino, reunindo líderes de todos os lados. A associação então permite que ele “conhecer toda a classe política francesa e desenvolver uma diplomacia paralela”, explica, em 2018, ao jornal online marroquino, Mídia24. No final da década de 1990, o reino era muito sensível à sua imagem. A publicação de Nosso amigo o rei (Gallimard, 1990), o incêndio de Gilles Perrault contra Hassan II, teve o efeito de uma bomba.

Um gesto altamente político

Na sua nova função, Mehdi Qotbi não é apenas um artista, mas também um agente de influência para o palácio marroquino, e está a expandir a sua rede. Sua agenda já inclui Dominique de Villepin, conhecido em um avião em 1984, quando este era conselheiro da embaixada da França nos Estados Unidos, mas também Jack Lang, de quem se tornou próximo após sua nomeação como ministro da Cultura, em. 1981. Foi outro devoto de François Mitterrand, Pierre Bérégovoy, que o trouxe para a Ordem das Artes e Letras dez anos depois. Uma consagração oficial à qual se seguiram muitos outros: cavaleiro da Legião de Honra de Jacques Chirac, elevado a oficial de Nicolas Sarkozy, promovido a comandante de François Hollande. Entretanto, o Estado francês comprou cerca de vinte das suas pinturas.

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

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