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Mirassol estreia na Série A graças à venda do São Paulo – 26/12/2024 – Esporte

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Lucas Bombana

Em 2025, ao estrear na Série A do Campeonato Brasileiro no ano de seu centenário, o Mirassol, time do município de mesmo nome e 65 mil habitantes no interior paulista, dá passo importante em uma trajetória que começou há cerca de oito anos, graças à venda de um jogador do São Paulo ao futebol europeu.

Revelado pelo Mirassol antes de migrar para o time da capital, o atacante Luiz Araújo se destacou com gols e assistências pela equipe do Morumbi no Brasileiro de 2016. Em junho de 2017, foi negociado com o Lille, da França.

O clube francês pagou aproximadamente € 10,5 milhões pela então jovem promessa, valor que correspondia a cerca de R$ 38,8 milhões na época, ou R$ 56,6 milhões em valores atualizados. Dono de 20% dos direitos econômicos do jogador, o Mirassol recebeu cerca de R$ 7,8 milhões pela venda.

A maior parte do valor —aproximadamente R$ 6 milhões— foi direcionada à construção de um moderno centro de treinamento, inaugurado em 2019. O espaço conta com quatro campos de futebol, alojamento, vestiários, restaurante, piscina e academia.

“A receita da venda do atleta nos permitiu o pontapé inicial para a construção do CT, o que talvez seja o grande marco para o início da mudança de patamar do clube”, afirmou o presidente da agremiação, Edson Ermenegildo, à Folha. Ele é também o prefeito da cidade, pelo PSD, e foi reeleito no pleito de outubro, com 47,5% dos votos válidos.

Luiz Araújo ainda seria negociado, em 2021, rumo ao Atlanta United, dos Estados Unidos, e, em 2023, para o Flamengo, transferências que renderam mais R$ 1 milhão aos cofres do Mirassol, devido ao mecanismo de solidariedade da Fifa (Federação Internacional de Futebol), que destina um percentual das vendas aos clubes formadores.

O retorno dos investimentos não demorou a aparecer. Em 2020, a equipe disputava a Série D do Brasileiro apenas pela quinta vez em sua história e ficou com a taça de campeão.

Em 2022, faturou a Série C. No ano seguinte, fazendo a estreia na Série B, terminou na sexta colocação, a duas posições da vaga para a elite. E, neste ano, chegou ao vice-campeonato, atrás apenas do Santos, garantindo seu primeiro acesso à Série A.

Um dos rostos mais conhecidos do plantel, o goleiro Muralha foi o menos vazado da competição, com 25 gols sofridos em 36 partidas, média de 0,7 por jogo. O clube anunciou a renovação com o arqueiro até o final de 2025.

A equipe também foi a melhor mandante da Série B, com 14 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota jogando no Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o Maião. Foi, ainda, a que menos perdeu, com nove derrotas.

“O planejamento é fundamental. Independentemente da divisão que se disputa, temos que oferecer todas as condições de trabalho para os atletas e para a comissão técnica, além da segurança de que, no Mirassol, todos os compromissos assumidos são cumpridos”, afirmou Ermenegildo, ou Dr. Edson, como é mais conhecido no meio político.

Segundo o presidente, que também atuou como delegado da cidade por mais de 40 anos, clubes do interior só conseguem ser competitivos se investem fortemente nas categorias de base. “As boas condições de desenvolvimento dos atletas nos permitem ter na negociação de jovens uma importante fonte de receita.”

Ele afirmou que, ao receber o dinheiro da venda de Luiz Araújo e iniciar o planejamento do CT, teve no Palmeiras uma das principais fontes de inspiração.

“Claro que as proporções são diferentes, as dimensões institucionais e físicas dos clubes não se comparam. Mas, quando iniciamos o projeto do nosso CT, enviamos profissionais para conhecer a Academia de Futebol do Palmeiras, para ter algumas ideias de como o que é aplicado lá poderia ser adaptado para a nossa realidade”, disse o cartola.

Ermenegildo citou orgulhosamente o laser de alta intensidade, usado no tratamento de lesões musculares, e um tanque de flutuação recentemente adquirido, que auxilia na recuperação física e no relaxamento mental. “Fomos o primeiro clube da América Latina a ter esse equipamento.”

Para 2025, o dirigente disse que a principal meta do Mirassol é se manter na elite, tanto do Paulista —o clube está no Grupo A, junto com Corinthians, Inter de Limeira e Botafogo-SP—, como do Brasileiro.

“Sabemos que os nossos adversários serão clubes gigantes e tradicionais do futebol brasileiro. Portanto, entendemos que os investimentos devem aumentar, mas é difícil precisar valores, uma vez que não temos a certeza do montante das cotas de televisão para o próximo ano”, afirmou.

Um dos primeiros reforços foi fora das quatro linhas, com a chegada do ex-volante Paulinho, campeão mundial com o Corinthians em 2012. Ele se aposentou dos gramados neste ano e chega para assumir a função de coordenador técnico.

“O Paulinho esteve visitando vários clubes para entender processos e estrutura, já que havia por parte dele a intenção de se tornar um gestor. Em uma das visitas, ele esteve em Mirassol, gostou da nossa estrutura, e as conversas evoluíram a ponto de fazermos o convite para ele integrar nossa equipe”, disse Ermenegildo.

“Todos vocês conhecem minha história, meu caráter e a minha personalidade. É o meu primeiro trabalho na parte de gestão, mas sou um cara preparado”, afirmou Paulinho em sua apresentação. “Estar no Mirassol, um clube organizado, que tem uma gestão muito boa, chega à Série A por méritos, por capacidade e potencial, para mim é um desafio muito bom para a carreira.”



Leia Mais: Folha

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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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