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Num restaurante japonês no oeste de Londres, esta chinesa sentiu-se verdadeiramente em casa | Xinran
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EUm 2006, durante o seu ano sabático antes de entrar na universidade, o meu filho Pan partiu à descoberta de um “mundo para além dos livros”. Depois de passar quatro meses viajando de mochila às costas pela Austrália e pela Nova Zelândia, ele compartilhou comigo a realização mais profunda de suas viagens: o significado do lar.
Ele me disse: “Algumas pessoas vivem em mansões luxuosas, mas raramente compartilham jantares ou fins de semana com suas famílias. Outros, em chalés lotados, são diariamente envolvidos pelos sons das crianças brincando e pelo aroma das refeições caseiras. Alguns residem nas profundezas das montanhas, conhecendo cada folha de grama, pássaro e coelho, enquanto outros atravessam bairros movimentados da cidade, mas permanecem estranhos aos seus próprios vizinhos.” Suas palavras me fizeram pensar nos lugares que chamei de lar.
A minha primeira “casa” foi dividida entre as casas dos meus avós, porque os meus pais, ambos membros do Partido Comunista Chinês na década de 1950, não tinham tempo para mim. Fui mandado embora quando tinha apenas 30 dias de vida. Não me lembro muito da vida na casa dos meus avós.
A minha segunda casa foi uma que nunca esquecerei: um orfanato político para crianças. Quatorze de nós fomos rotulados de “crianças negras” porque viemos de famílias consideradas inimigas dos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural. Durante seis anos e meio foi-nos negado o direito de brincar, falar ou mesmo comer junto com as outras crianças.
A minha terceira casa não foi um lugar, mas uma viagem – viajar entre cidades e aldeias para entrevistar mulheres chinesas. Explorei o conceito de lar através dos olhos deles, unindo experiências de mães e filhas. Essa jornada fez parte do meu trabalho no programa de rádio Palavras na brisa noturnaque hospedei entre 1989 e 1997.
Aos 40 anos, encontrei um verdadeiro sentimento de pertencimento à Inglaterra. Esta última casa é um santuário físico e emocional, onde pude refletir sobre a jornada da minha vida e construir um novo sentido de propósito e conexão. Para mim, a minha verdadeira casa é o meu apartamento em Queensway, Londres.
Mudei-me para cá no verão de 2002, mas três anos depois percebi que mal conhecia meus vizinhos ou a história da vibrante rua onde morava. Quando meu filho falou sobre a sensação de estar em casa, de repente senti-me movido pela curiosidade. Eu mergulhei em seu passado.
Queensway é uma rua comercial em Bayswater, oeste de Londres. Os primeiros mapas retratam uma estrada que se estende ao norte da Bayswater Road através de campos abertos. Queensway era originalmente chamada de Black Lion Lane. Em 1837, foi renomeada como Queen’s Road em homenagem à Rainha Vitória, que nasceu nas proximidades do Palácio de Kensington. No entanto, o nome foi considerado muito comum e, um século depois, tornou-se Queensway.
No extremo norte da rua ficava um dos edifícios de Londres primeiras lojas de departamentos, Whiteleys, fundada por William Whiteley na década de 1860. Quando me mudei para lá, a loja havia se tornado um shopping center.
Hoje, Queensway abriga muitos restaurantes, cafés e pubs. E, porque a comida é como um deus na cultura chinesa, depois que meu filho voltou do ano sabático, ele e eu embarcamos em um projeto “goste do Queensway”. Cada semana, explorávamos um restaurante ao longo do Queensway, categorizando-os por país. O objetivo era simples: encontrar um sabor nacional diferente para o nosso almoço ao menor custo possível.
Começamos com comida mexicana na pista de patinação no gelo do Queens – uma delícia. De lá, passamos para restaurantes marroquinos e brasileiros no Queensway Market, depois para kebabs árabes, grelhados persas, caril indiano, ensopados iraquianos e delícias turcas. Provamos pratos russos, italianos, franceses, gregos, tailandeses e malaios, meze mediterrâneos, churrascos coreanos e, claro, restaurantes chineses (contamos os seis que encontramos como um) e um pub inglês. Incluímos até McDonald’s e KFC para provar o fast food americano.
Minha parada final com Pan foi um restaurante japonês de sushi em uma esteira rolante em Whiteleys. Pedimos a opção mais barata: uma única tigela de arroz frito com água da torneira ilimitada. O chef de sushi, que por acaso era chinês, gentilmente preparou um arroz frito com ovo para nós e disse: “Espero que isso seja suficiente para vocês dois”. Ele generosamente colocou tanto óleo e sal que tivemos que beber quatro copos de água. Foi facilmente a refeição mais recheada (e econômica) de nossa viagem ao Queensway.
O que pensávamos que seria uma rápida pesquisa culinária de dois ou três meses se estendeu por 27 semanas. Para nossa surpresa, o Queensway ofereceu cozinha representando pelo menos 27 países. Não admira que meu falecido marido, Toby Eady, uma vez tenha brincado que ficou surpreso ao ouvir alguém falando inglês do lado de fora do nosso apartamento. Eu ri e respondi: “Isto é Londres – claro que as pessoas falam inglês!” Mesmo assim, depois de concluir nosso projeto, entendi sua surpresa.
Queensway não é apenas uma rua de Londres. É uma encruzilhada global, um lar para pessoas de todo o mundo. Juntos, trazemos as nossas culturas, tradições e gostos caseiros para esta cidade livre e vibrante. E que mulher chinesa sortuda eu sou por viver num mundo tão rico de sabores no oeste de Londres – a minha verdadeira casa.
Xinran é fundadora da Ponte do Amor das Mães e autora de nove livros, incluindo As Boas Mulheres da China, China Witness, O que os Chineses Não Comem, A Promessa e O Livro dos Segredos
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Estudantes estrangeiros de Medicina farão intercâmbio na Ufac — Universidade Federal do Acre
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9 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, recebeu sete estudantes estrangeiros de Medicina que participarão de um intercâmbio acadêmico voltado à vivência da realidade amazônica e dos serviços de saúde na região. A recepção, com boas-vindas e apresentação da universidade, ocorreu nessa segunda-feira, 8, no gabinete da Reitoria, campus-sede.
O grupo é formado por Berklay Çetinkaya, da Turquia; Shajeea Sajid, da Itália; Clara Corsini, da França; Laura Joanna, da Alemanha; Lucie Dupin, da França; Shannon Marie, do Canadá; e Nia Julia, da Finlândia. Com idades entre 18 e 27 anos, os intercambistas permanecerão no Acre pelas próximas três semanas.
Durante a programação, os alunos conhecerão unidades de saúde, terão contato com diferentes aspectos do Sistema Único de Saúde (SUS) e participarão de atividades de campo, como a visita ao internato rural do curso de Medicina da Ufac no município de Feijó (AC), permitindo o contato com populações rurais e indígenas e com desafios enfrentados por profissionais que atuam em regiões distantes dos grandes centros urbanos.
“Estamos muito felizes em receber esses sete estudantes estrangeiros. O que mais nos impressiona é que eles escolheram a Amazônia e o Acre para realizar esse intercâmbio”, disse a reitora Guida Aquino. “Tenho certeza de que isso trará resultados importantes e incentivará também nossos estudantes a buscarem oportunidades internacionais de formação.”
Para o coordenador do curso de Medicina, Osvaldo Leal, a iniciativa representa um importante passo no processo de internacionalização da Ufac. “É uma experiência de aprendizado mútuo e uma oportunidade de mostrar o que temos a oferecer enquanto universidade amazônica”, pontuou.
A estudante de Medicina da Ufac, Assúria Mesquita, uma das responsáveis pela organização da programação, ressaltou que o intercâmbio fortalece a troca de conhecimentos entre diferentes culturas e sistemas de saúde. “Essa troca contribui para a formação de profissionais mais preparados e sensíveis às diferentes realidades.”
O intercâmbio é realizado por meio da Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina, organização presente em mais de 190 países e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.
Também participou da recepção a vice-reitora eleita, Almecina Balbino.
(Fhgner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física.
O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.
A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.
Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.
O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
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