NOSSAS REDES

ACRE

ONU autoriza nova missão contra al-Shabaab na Somália | Somália

PUBLICADO

em

Faisal Ali

A ONU autorizou uma nova missão africana de manutenção da paz para continuar a sua luta contra o grupo al-Shabaab, afiliado à Al-Qaeda, na Somália, mas há dúvidas sobre se as tropas dos países vizinhos Etiópia permanecerá parte da implantação.

O Conselho de Segurança da ONU adoptou uma resolução na sexta-feira que permite o envio de até 12.626 pessoas para apoiar a luta de quase duas décadas do governo somali contra os insurgentes do Al-Shabaab.

A força de manutenção da paz existente, conhecida como Missão de Transição da União Africana em Somália (Atmis), cujo mandato termina no final deste ano, será substituída pela Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (Aussom), mais enxuta.

As duas forças de manutenção da paz foram precedidas pela Missão da União Africana na Somália (Amisom), que foi a maior, mais longa e mais mortífera missão deste tipo na história.

A Al-Shabaab, uma organização jihadista com raízes na invasão da Somália pela Etiópia em 2006, realiza regularmente ataques mortais em todo o país e no vizinho Quénia. Em agosto, quase 40 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas quando atacou uma praia na capital da Somália, Mogadíscio.

James Kariuki, representante permanente adjunto do Reino Unido na ONU, saudou a resolução, contando o conselho que “reforça robustamente” o apoio à Somália na sua luta contra o al-Shabaab. “Autoriza Aussom a apoiar a Somália na sua luta contra o al-Shabaab, fortalecer os esforços de estabilização da Somália e permitir a entrega de assistência humanitária”, disse ele.

O representante francês no conselho também aclamado a adopção da resolução como um “importante passo em frente” e uma “nova etapa no apoio aos esforços da Somália para combater o grupo al-Shabaab”.

Não ficou claro se a Etiópia, que tem contribuído significativamente para as duas iterações anteriores das forças de manutenção da paz, seria autorizada a continuar a desempenhar um papel. A Somália e a Etiópia estão envolvidas numa disputa de um ano sobre um acordo de acesso marítimo que a Etiópia, sem litoral, alcançou com a região separatista do norte da Somalilândia – que as autoridades da Somalilândia dizem que levaria a Etiópia a tornar-se o primeiro país a reconhecer a condição de Estado da região.

O acordo entre a Somalilândia e a Etiópia foi fortemente contestado pelas autoridades somalis, que o consideraram uma tentativa de “anexar” uma parte do seu território. O acordo concederia à Etiópia uma parte da costa da Somalilândia para potencial uso naval.

A Somália deu a entender pela primeira vez no Verão que poderia retirar a Etiópia de uma missão de manutenção da paz da União Africana de longa data contra o al-Shabaab em partes do sul e centro da Somália, e substituir o seu contingente por tropas de outros países, incluindo o Egipto, com o qual a Etiópia tem a sua próprias disputas sobre uma barragem que construiu ao longo do Nilo.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, intermediou um acordo entre os vizinhos em conflito no mês passado denominado Declaração de Ancara, que pretendia abordar as preocupações de acesso marítimo da Etiópia. Naquela altura, o presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, disse que a Etiópia seria autorizada a manter as suas tropas na missão de manutenção da paz.

Mohamed Rabi Yusuf, representante da Somália na ONU, disse o governo somali realizou uma “revisão abrangente dos seus mecanismos de segurança” e obteve compromissos de outros países dispostos a enviar tropas para a Somália. “Este compromisso aborda qualquer vácuo de segurança criado pela Etiópia, ao mesmo tempo que sustenta o progresso na luta contra o al-Shabaab”, disse Yusuf.

O delegado etíope, que esteve presente na reunião do conselho de segurança da ONU, disse que o seu país estava “pronto para continuar o seu papel na missão pós-Atmis”, acrescentando que “atores extra-regionais”, uma provável referência ao Egito, deveriam abandonar o seu “ perseguição imprudente”.

Ayub Ismail Yusuf, deputado somali e membro da comissão de relações exteriores do parlamento somali, apelou ao governo somali para excluir a Etiópia da força de manutenção da paz. “Nenhuma nação pode confiar em outra quando sua soberania foi ameaçada por ela”, ele postado em X.

Porém, em um final publicar no X, o conselheiro de segurança nacional da Somália, Hussein Sheikh-Ali, sugeriu que ainda não tinha sido tomada uma decisão sobre se as tropas etíopes seriam autorizadas a permanecer, mas acrescentou: “O espírito da declaração de Ancara permanece forte e vivo”.

No início desta semana, o governo somali afirmou que as tropas etíopes atacaram membros das suas forças armadas no estado de Jubbaland, no sul, causando vítimas e feridos. A Etiópia negou a alegação, atribuindo-a a intervenientes “terceiros” não identificados, de acordo com para uma declaração.



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS