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Oscar não teve etarismo com Demi Moore e Mikey Madison – 04/03/2025 – Ilustrada

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Oscar não teve etarismo com Demi Moore e Mikey Madison - 04/03/2025 - Ilustrada

Envolvidos com as indicações e a premiação do Oscar para “Ainda Estou Aqui” e movidos pela premiação de Fernanda Torres com o Globo de Ouro, que depois perdeu para Mikey Madison o Oscar de atriz, estamos todos discutindo o trabalho de atrizes e atores de maneira muito acalorada.

Todos temos um gosto pessoal para interpretações, mas, ao contrário do que se costuma dizer, gosto pode e é bom ser discutido, pois ele é forjado ao longo da vida não só por matéria subjetiva, mas por algo menos abstrato do que parece. É construído pelo repertório que vamos adquirindo com o tempo: o que lemos, o que vimos, o que ecoa na nossa cultura ou história pessoal, o que conhecemos e vivenciamos das artes, da política, da economia e do contato com o mundo. E claro que ele é salpicado de paixões pessoais também. Pelo menos o meu.

Torres não ganhou o Oscar de melhor atriz e, para mim, deveria ser dela. Um trabalho de interpretação construído com inteligência, profundidade e um conjunto de ambiguidades e sutilezas só alcançadas em momentos raros por um ator.

Com sua interpretação, ela pavimenta a história de Eunice Paiva com tanta beleza e originalidade que sustenta o monumento de Fernanda Montenegro, com Eunice já idosa e com Alzheimer, dizendo “ainda estou aqui”. Esse eco ressoa em nós desde que o filme nos tomou. O fato de Torres ser brasileira é a cereja do bolo. Ela é uma artista que o Brasil entrega para o mundo, assim como Walter Salles.

Durante esses dias em que estendi a bandeira do Brasil com o rosto da Fernandinha, pensava que o mais difícil para mim seria aceitar uma derrota para Demi Moore. E, para meu alívio, foi Mikey Madison quem surrupiou nosso Oscar de melhor atriz.

Contra a opinião geral, acho a interpretação de Moore clichê; a cada olhar, cada gesto, faz o que o senso comum entende como medo, dor, tristeza. Não é capaz de tridimensionalizar a personagem. Não imprime ao seu papel o que Constantin Stanislavski chama de “contravontade”, aquela camada de dúvida ou de um pensamento oposto ao que se está dizendo para enfatizar e dar mais verdade ao que se diz. Interpretação plana, previsível. Como se ela, como atriz que cedeu à pressão da indústria por não se deixar envelhecer, não refletisse sobre o próprio assunto do filme que fez e que lhe diz respeito.

Já Mikey Madison faz uma prostituta jovem que tem em seu gestual as estereotipias de sedução que a personagem cria para sobreviver como trabalhadora do sexo, mas a isso acrescenta o medo, a doçura, o frescor, a dor, a força e a inocência que só a juventude nos dá. Constrói um personagem tridimensional, comovente e totalmente desamparado.

O trabalho do ator é uma coisa técnica, às vezes quase braçal. Diderot escreveu em “Paradoxo do Comediante” que as lágrimas de um ator devem descer do seu cérebro. Stanislavski escreveu, em relação ao texto, que ele deve ser trabalhado como profundidade em uma pintura. As palavras não têm todas o mesmo tom nem a mesma importância, assim como os traços, as manchas de tinta que formam uma paisagem. Quando não tem isso é mediano.

Não acho que houve um cunho etarista na premiação se comparo as atuações de Moore e Madison, que fez bonito. Mas o fato é que nenhuma indicada entregou uma atuação tão potente quanto Torres, que construiu uma gramática poderosa até no silêncio de sua personagem. Uma atriz brilhante aos 59 anos e que, ainda aos 20, já havia vencido o prêmio de melhor atriz em Cannes.

Atriz e diretora de teatro



Leia Mais: Folha

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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