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PGR recorre contra anulação de sentenças de Dirceu no STF – 05/11/2024 – Poder

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recorreu nesta terça-feira (5) contra a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de anular as condenações do ex-ministro petista José Dirceu na Operação Lava Jato.

Pelo rito do Supremo, o recurso será analisado por Gilmar. Se ele negá-lo, o caso será levado à Segunda Turma do STF —colegiado composto por ele e pelos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Gonet defendeu no recurso que o Supremo não pode estender a decisão que considerou o ex-juiz Sergio Moro para julgar o presidente Lula (PT) aos casos em que Dirceu foi condenado.

“O Ministério Público Federal perante essa Corte vem sustentando que o reconhecimento de irregularidade ocorrida num processo não se estende a outro, com partes distintas, mesmo que ambos tenham sido conduzidos pela mesma autoridade coatora”, diz Gonet no recurso.

Gilmar concordou em estender a Dirceu a suspeição de Moro —hoje senador pelo União Brasil-PR— porque, na visão do ministro, haveria um conjunto de indícios que mostrariam que a “mesma falta de isenção” em relação a Lula também impediu que Dirceu “tivesse direito a um julgamento justo e imparcial”.

As principais provas apresentadas pela defesa e acolhidas por Gilmar eram trocas de mensagens entre procuradores da Lava Jato e entre Deltan Dallagnol e Moro. A decisão do ministro favorável a Dirceu foi tomada em 28 de outubro.

A defesa apresentou a tese de que condenar o ex-ministro petista foi um ato preparatório da Lava Jato para denunciar Lula. Ao concordar com o argumento, o ministro do Supremo comparou a condenação a “um ensaio” da denúncia contra o hoje presidente.

“A confraria formada pelo ex-juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba encarava a condenação de Dirceu como objetivo a ser alcançado para alicerçar as denúncias que, em seguida, seriam oferecidas contra Luiz Inácio Lula da Silva”, afirma Gilmar.

A decisão foi expedida no último dia 28.

No recurso, Gonet diz que não é possível estabelecer a correlação entre os dois casos. Para a PGR, as revelações paulatinas feitas pela Lava Jato e delatores derrubam a tese de que houve manipulação contra Dirceu.

“A perspectiva de a condenação do requerente haver sido armada para estabelecer bases para a perseguição criminal do paciente do habeas corpus concedido pela corte não se mostra evidenciada e esbarra na consideração de que os fatos atribuídos a um e a outro personagem dos processos cotejados não são os mesmos”, diz.

O julgamento na Segunda Turma do STF pode acabar revertendo a anulação das condenações de Dirceu. Isso porque o ministro Edson Fachin costuma dar decisões favoráveis à Lava Jato, e os votos dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques —ambos indicados à corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro— são uma incógnita.

A PGR já havia se manifestado contra o pedido da defesa de Dirceu para anular as condenações do político proferidas por Moro. “Não tem sido outro o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu a improcedência de pedidos de extensão relativos às questões de ordem estritamente pessoal que aproveitaram ao jurisdicionado Luiz Inácio Lula da Silva”, disse o PGR em abril.

Dirceu foi condenado por Moro em dois processos, em 2016 e 2017. As penas somavam 34 anos de prisão (uma de 23 anos, outra de 11). A anulação dos atos processuais faz Dirceu retomar os direitos políticos, uma vez que ele deixa de estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

A primeira condenação de Dirceu na Lava Jato ocorreu em maio de 2016. A sentença de Moro previu 23 anos e três meses de prisão sob acusação de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa pela participação em esquema de contratos superfaturados da construtora Engevix com a Petrobras.

Lula foi indiciado pela Polícia Federal três meses depois, em agosto de 2016, por suspeita de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Dirceu foi citado 72 vezes na denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato no caso, mesmo sem ser acusado. As citações foram usadas para reforçar o argumento da defesa.

“Como os dois foram acusados em processos autônomos —o que se deve a uma estratégia processual do MPF—, a condenação de José Dirceu serviria de suporte lógico e de elemento de corroboração para as acusações contra o atual presidente nas ações do tríplex de Guarujá, sítio de Atibaia e imóvel para o Instituto Lula”, diz Gilmar.

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A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint), da Ufac, promoveu um encontro com jovens aprendizes para formação e troca de experiências sobre carreira, tecnologia e inovação. O evento ocorreu em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em 28 de abril, no espaço de inovação da Ufac, campus-sede.

Os professores Francisco Passos e Marta Adelino conduziram a atividade, compartilhando conhecimentos e experiências com os estudantes, estimulando reflexões sobre o futuro profissional e o papel da inovação na construção de novas oportunidades. A instrutora de aprendizagem do CIEE, Mariza da Silva Santos, também acompanhou os participantes na ação, destacando a relação entre formação acadêmica e experiências no mundo do trabalho.

 



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