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Plano da UE para combater o abuso infantil online desperta preocupação com a privacidade – DW – 02/10/2024
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Será que os esforços bem-intencionados para combater o abuso sexual de crianças poderão abrir caminho a uma vigilância sem precedentes no União Europeia?
Esta é a questão que está no centro de um debate acalorado sobre um projecto de lei que poderá ser adoptado durante uma reunião de ministros da UE em 10 de Outubro.
A lei exigiria que serviços como WhatsApp, iMessage ou Signal verificassem automaticamente as mensagens enviadas na UE em busca de potencial material de abuso sexual infantil e sinalizassem conteúdo suspeito às autoridades.
Usando IA para descobrir cyber groomers
Os defensores dizem que a lei é urgentemente necessária para combater um aumento no material de abuso sexual infantil e proteger os membros mais vulneráveis da sociedade.
No entanto, os opositores dizem que as medidas, que apelidaram de “controlo de chat”, são ineficazes, propensas a erros e podem violar o direito fundamental dos cidadãos da UE à privacidade.
“É claro que nós, como sociedade, concordamos com a importância de combater esse tipo de conteúdo”, disse Anja Lehmann, professora de criptografia no Instituto Hasso Plattner em Potsdam. “Mas não há evidências confiáveis de que as medidas propostas fariam isso de forma eficaz”.
Lehmann é um dos 344 pesquisadores de 34 países que são signatários de uma carta aberta alertando que a nova lei significaria efetivamente o fim da criptografia segura de ponta a ponta e poderia abrir caminho para a vigilância em massa.
“A luta contra esses crimes parece mais uma vez ser usada como pretexto para um ataque à criptografia segura das comunicações online”, disse Lehmann à DW.
Preocupações constitucionais
Especialistas jurídicos compartilham as preocupações levantadas pelos pesquisadores.
“Esta lei representaria uma violação significativa dos direitos fundamentais, o que é indiscutível entre os profissionais do direito”, disse André Haug, vice-presidente da Ordem dos Advogados Federais Alemãs, uma organização que representa aproximadamente 166 mil advogados.
A lei tem sido controversa desde que foi introduzido pela primeira vez em 2022. Dois rascunhos anteriores foram bloqueados por oponentes devido a questões de privacidade.
Ciberalimentação: criminosos atacam crianças
Embora a versão mais recente, elaborada pela presidência húngara da UE, faça algumas pequenas alterações, “não resolve o problema central”, disse Haug à DW.
A lei ainda violaria o direito à proteção das comunicações e dos dados pessoais, conforme descrito nos artigos 7.º e 8.º da Carta dos Direitos Fundamentais da UE, disse ele.
“Isto é particularmente preocupante em áreas sensíveis, como as comunicações entre advogados e clientes ou médicos e pacientes”, acrescentou Haug.
Triagem de conteúdo antes de ser criptografado
A proposta não especifica exatamente como provedores como WhatsApp, iMessage ou Signal seriam obrigados a exibir conteúdo em seus aplicativos.
Mas os especialistas dizem que o único método viável é o conhecido como “varredura do lado do cliente”, um processo no qual as mensagens são verificadas em um banco de dados anônimo de material de abuso sexual infantil ou casos de “grooming” – tentativas de potenciais predadores de construir laços emocionais com menores para fins abusivos — antes de serem criptografados.
Embora o regulamento afirme que esta abordagem respeitaria a criptografia de ponta a ponta, na prática isso não acontece, argumentou o professor de criptografia Lehmann, oferecendo uma analogia com as cartas tradicionais.
“O Estado pode não estar abrindo as cartas das pessoas”, disse ela, “mas está efetivamente olhando por cima dos ombros delas enquanto as escrevem para ver o que há nelas”.
Falsos positivos e ‘desvio de missão”
Especialistas em tecnologia também dizem que a tecnologia de digitalização alimentada por IA é imatura e resultará em uma alta taxa de falsos positivos.
Eles alertam que os criminosos podem explorar o sistema de digitalização em ataques em grande escala, minando a segurança dos dispositivos.
E alertam sobre o que chamam de “aumento da missão”: assim que a tecnologia estiver instalada, ela poderá ser expandida para monitorar conteúdo além de material de abuso sexual infantil.
“Assim que abrirmos essa porta, criaremos uma infra-estrutura que poderá potencialmente levar-nos a um estado de vigilância”, disse Lehmann. Os regimes antidemocráticos, por exemplo, poderiam utilizar a digitalização do lado do cliente para detectar conteúdos críticos ao seu governo, acrescentou ela.
Confronto político
Ainda não está claro se os ministros do Interior da UE que apoiam a lei conseguirão a maioria necessária para aprovar o projeto de lei quando se reunirem em 10 de outubro.
Se tiverem sucesso, o processo passaria para negociações à porta fechada, onde o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia finalizariam os detalhes da legislação.
Se adversários como a Alemanha obtivessem votos suficientes para bloquear o projecto, os legisladores provavelmente voltariam a redigir uma nova proposta.
Esta semana, os Países Baixos, anteriormente indecisos, anunciaram que não apoiariam o projecto devido a preocupações com os direitos fundamentais.
Editado por Rina Goldenberg
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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