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Podemos reduzir sofrimento animal, diz ativista – 13/01/2025 – Folha Social+

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Victória Pacheco

Em 2014, a ativista Leah Garcés, 46, se viu diante de seu maior inimigo. Ela viajou horas para se reunir com Craig Watts, criador de frangos que fornecia anualmente mais de 700 mil animais de corte a uma das maiores processadoras de aves dos Estados Unidos.

“Estava certa de que se tratava de uma emboscada. Antes de sair, falei a meu marido para me buscar naquele endereço, caso não retornasse. Provavelmente estaria morta em meio aos dejetos de aves”, conta ela.

Mal imaginava Garcés que Watts se tornaria um aliado na luta por melhores condições em granjas de frangos e suínos.

Insatisfeito com o contrato que mantinha desde jovem com a Perdue Farms, o fazendeiro de um condado pobre da Carolina do Norte se afundou em dívidas solicitando empréstimos para criar aves e cumprir exigências da empresa ao longo da vida.

Naquele mesmo ano, ele permitiu que Garcés e sua equipe fizessem filmagens na fazenda. O vídeo mostrando animais amontoados, doentes e com partes do corpo em carne viva ganhou repercussão nacional na imprensa americana e aumentou a pressão por mudanças nos criatórios.

À Folha a ativista colombiana-americana, presidente da ONG Mercy for Animals e autora do recém-lançado livro “Transfarmation: The Movement to Free Us from Factory Farming” (sem tradução no Brasil) conta como trabalha para reduzir o sofrimento animal.

Em seu novo livro, você propõe redesenhar o sistema alimentar para torná-lo mais justo. Como fazer isso na prática?

O livro traz histórias de fazendeiros que desejam se livrar de contratos abusivos com a indústria da carne. Não são os produtores, mas, sim, as empresas que buscam a manutenção de um sistema que explora pequenas propriedades e famílias.

Trabalhamos com essas pessoas para transformar suas granjas em estufas, para que elas possam produzir cogumelos, microverdes [pequenos vegetais ricos em nutrientes] e até cânhamo [planta da mesma espécie da maconha, cannabis sativa, que não apresenta efeitos entorpecentes, devido ao baixo teor de THC (tetrahidrocanabinol), podendo ser empregada para fins industriais e alimentícios].

No Projeto Transfarmation, ajudamos de oito a dez fazendeiros por ano a fazer essa transição. Já estabelecemos polos na Carolina do Norte e em Iowa. Polos semelhantes poderiam ser criados em países como o Brasil ou a Índia, que têm sistemas parecidos.

Como você convence fazendeiros que divergem de seu ponto de vista?

A Mercy for Animals conta com uma rede de fazendeiros aliados. Nosso trabalho é divulgado no boca a boca. Não precisamos ensinar a eles que o atual sistema é ruim. Eles já sabem disso. Estão vivendo endividados.

Quando lançamos o projeto, cerca de 200 nos escreveram imediatamente querendo saber mais sobre a iniciativa, pois se sentiam presos em um sistema em que não queriam estar. Eles não queriam mais andar no meio de frangos mortos e doentes, nem ter que matar para obter seu sustento.

Qual é o papel da indústria nessa transformação?

O papel da indústria é abraçar essa mudança. Empresas estão sempre evoluindo para atender às demandas dos consumidores.

Ao me encontrar com Jim Perdue, presidente de uma grande produtora de frango nos Estados Unidos [Perdue Farms], ele me disse: “Somos uma indústria de proteína, não de frango. Se consumidores pedem um tipo diferente de proteína [como a vegetal], vamos produzi-lo.”

Se conseguirmos encontrar formas de empresas continuarem lucrando, pagando seus acionistas e funcionários, sem usar animais, acredito que elas adotarão essa ideia.

De que maneira as mudanças propostas pela Mercy For Animals podem ser implementadas em países com diferentes percepções culturais sobre o consumo de carne?

A cultura não permanece a mesma. Não assistimos mais a lutas de gladiadores. Em breve, touradas devem acabar. Um dia, a criação intensiva de animais estará nessa mesma categoria.

Além disso, se não reavaliarmos a produção e o consumo de carne, laticínios e ovos, não alcançaremos as metas climáticas. Companhias e governos estão começando a se dar conta disso. Há, inclusive, cidades nos Estados Unidos incentivando [a produção de] alimentos à base de plantas.

É possível garantir que esse tipo de alimento esteja disponível para todos?

Arroz e feijão são alimentos nutritivos e deliciosos que compõem a base nutricional da maioria dos países. O problema é que governos subsidiam a criação de gado.

Se opções de alimentos à base de plantas recebessem os mesmos subsídios que gado, milho e soja, seria possível diminuir seus preços para a população. O mesmo ocorre com alimentos orgânicos.

Considerando que mudar o sistema de produção exigiria apoio do governo e da indústria, o quão escaláveis são as soluções que propõe?

Nos Estados Unidos, já conseguimos mudar 40% da produção de ovos para o modelo livre de gaiolas por meio de nossas campanhas, com a meta de alcançar 60% até 2030. Também eliminamos gaiolas de gestação para suínos.

Estamos obtendo o compromisso de empresas, uma a uma, de mudarem suas práticas, o que leva à adaptação dos produtores e a uma transformação gradual em todo o sistema.

Em países como Brasil e Estados Unidos, onde o controle corporativo domina o sistema alimentar, ao mudar as políticas corporativas, altera-se também a forma de produção. Em outros lugares, como o México, a ação governamental tem mais peso —recentemente, o bem-estar animal foi incluído na constituição.

Seu objetivo é acabar com a produção de carne?

Na Mercy for Animals, nossa meta é um mundo onde animais não sejam mais explorados para alimentação, o que pode levar 300 anos para acontecer. Até lá, podemos reduzir o sofrimento e os danos causados pela produção de carne, laticínios e ovos.

Pressionamos empresas e governos a eliminar as práticas mais cruéis, como gaiolas e celas, permitindo que animais possam bater as asas, se mexer e botar ovos em ninhos.

Leah Garcés, 46

É presidente da Mercy For Animals, organização global que combate a exploração de animais na produção de alimentos. Com quase 20 anos de experiência, ela liderou campanhas em 14 países, fez com que mais de 300 empresas se comprometessem com o bem-estar animal e liderou mais de 80 investigações em fazendas industriais. Garcés é mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pelo King’s College London.



Leia Mais: Folha

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critérios e avaliação em 2025

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critérios e avaliação em 2025

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As melhores seguradoras do Brasil se destacam pela capacidade de cumprir obrigações, atender aos clientes e oferecer soluções adequadas aos riscos das empresas. No entanto, não existe uma única resposta universal. A escolha depende de critérios técnicos, regulatórios e operacionais que variam conforme a necessidade do contratante.

Como identificar as melhores seguradoras do Brasil

As melhores seguradoras devem atender a requisitos objetivos. Primeiro, precisam estar autorizadas pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Em seguida, devem demonstrar capacidade financeira para cumprir as indenizações.

Além disso, indicadores como o volume de prêmios, o índice de sinistralidade e o nível de reclamações ajudam a avaliar o desempenho.

Critérios técnicos de avaliação

Para selecionar uma seguradora, a empresa deve considerar critérios específicos:

  • Solidez financeira: capacidade de pagamento de sinistros;
  • Especialização: atuação em ramos como garantia ou engenharia;
  • Estrutura operacional: atendimento e gestão de sinistros;
  • Conformidade regulatória: adequação às normas da SUSEP.

Além disso, a aderência ao tipo de risco é determinante. Por exemplo, empresas que contratam seguro empresarial precisam avaliar se a seguradora compreende o setor em que atuam.

Segmentos relevantes no mercado brasileiro

O mercado de seguros no Brasil se divide em diferentes segmentos. Cada um atende necessidades específicas:

  • Seguros patrimoniais e operacionais;
  • Seguros de responsabilidade civil;
  • Seguros de garantia;
  • Seguros de engenharia.

Nesse contexto, o seguro-garantia se destaca em contratos públicos e privados. Ele assegura o cumprimento de obrigações contratuais.

Por outro lado, o seguro de risco de engenharia cobre danos ocorridos durante a execução das obras. Assim, ele atende empresas que atuam em construção e infraestrutura.

Ranking e indicadores do setor

Os rankings variam conforme o critério utilizado. Alguns consideram o volume de prêmios, enquanto outros analisam a satisfação do cliente ou a solvência.

Por isso, a empresa deve evitar decisões baseadas apenas no posicionamento no ranking. Em vez disso, deve analisar dados consistentes e compatíveis com sua necessidade.

Além disso, relatórios da SUSEP e de entidades do setor oferecem informações confiáveis sobre desempenho e participação de mercado.

Como escolher a seguradora adequada

Para escolher entre as melhores seguradoras do Brasil, a empresa deve seguir um processo estruturado.

Primeiro, identificar os riscos que se deseja cobrir. Em seguida, comparar coberturas disponíveis. Depois, avaliar as condições contratuais, os limites e as exclusões.

Além disso, a análise deve incluir suporte técnico e capacidade de atendimento. Isso garante que a seguradora responda adequadamente em caso de sinistro.

Portanto, a escolha não depende apenas do custo, mas da capacidade de resposta e da aderência ao risco.

Papel das seguradoras na gestão de riscos empresariais

As melhores seguradoras do Brasil atuam como parte da estratégia de gestão de riscos das empresas. Elas oferecem cobertura e transferem os impactos financeiros decorrentes de eventos inesperados.

Além disso, ao contratar seguros adequados, a empresa reduz a exposição a perdas que podem afetar sua operação. Por isso, a escolha da seguradora influencia diretamente a continuidade do negócio.

Consequentemente, avaliar a capacidade técnica e financeira da seguradora torna-se um passo necessário para garantir proteção efetiva e previsibilidade operacional.

Como escolher entre as melhores seguradoras com foco em risco e cobertura

As melhores seguradoras do Brasil se definem pela capacidade de atender às necessidades específicas de cada empresa. Ao considerar critérios técnicos e regulatórios, é possível estruturar uma proteção alinhada aos riscos e garantir maior estabilidade operacional.




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