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Por que a RDC processou a Apple por ‘minerais de conflito’ – DW – 21/12/2024

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Numa queixa-crime apresentada terça-feira, a República Democrática do Congo acusa Maçã de fazer uso de minerais provenientes de mineração na RDC. Principalmente, estes são os chamados minerais 3T – estanho, tântalo, tungstênio – e ouro.

Funcionários da ONU relataram que algumas minas estão operado por grupos armados que supostamente estão envolvidos em massacres da população civil, ataques sexuais generalizados, saques desenfreados e outros crimes.

“O objetivo é mostrar aos consumidores que o produto que têm nas mãos está contaminado por crimes internacionais”, disse o advogado belga Christophe Marchand, que preparou o RDCdo caso contra a Apple, disse à DW.

RDC acusa Apple de usar minerais contrabandeados de seu leste

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‘Práticas comerciais enganosas’

Especificamente, a RDC acusa as subsidiárias francesa e belga da Apple de contrabando de matérias-primas congolesas através de Ruanda. Além de “lavar minerais de zonas de conflito”, uma das queixas apresentadas pelos advogados em nome do Ministério da Justiça da RDC acusa a Apple de empregar “práticas comerciais enganosas para garantir aos consumidores que as cadeias de abastecimento são limpas”.

O objectivo do processo é “confrontar indivíduos e empresas envolvidas na cadeia de extracção, aquisição e comercialização de recursos naturais e minerais saqueados na RDC”.

A Apple emitiu uma longa declaração em sua própria defesa: “Contestamos veementemente essas alegações. Exigimos que nossos fornecedores cumpram os mais altos padrões do setor. À medida que o conflito na região aumentou no início deste ano, notificamos nossos fornecedores de que suas fundições e refinarias devem suspender adquirindo estanho, tântalo, tungstênio e ouro da RDC e de Ruanda.

“Tomámos esta medida porque estávamos preocupados com o facto de já não ser possível que auditores independentes ou mecanismos de certificação da indústria realizassem a devida diligência necessária para cumprir os nossos elevados padrões.”
Segundo a Apple, a empresa não compra seus minerais primários diretamente, mas sim de fornecedores auditados. O Relatório de Minerais de Conflito de 2023 da Apple afirma que “nenhuma base razoável” foi encontrada para que as cadeias de abastecimento da empresa tenham financiado ou beneficiado “direta ou indiretamente” grupos armados na RDC ou em um país vizinho.

Questionando os padrões da Apple

Muitas ONGs estão céticas quanto à eficácia dos mecanismos de controle da Apple. O Grupo de Peritos da ONU na RDC revelou que o ouro extraído no país é encaminhado ilegalmente através do Ruanda e do Uganda antes de ser exportado.

Duas cores do Apple iPhone 16
A Apple diz que o iPhone 16 contém 100% de cobalto reciclado e 99% de tungstênio recicladoImagem: Manuel Orbegozo/REUTERS

“Sabe-se que nestes países existem refinarias que são abastecidas com matérias-primas como o ouro proveniente da RDC”, afirmou Emmanuel Umpula, director executivo da African Natural Resources Watch (AFREWATCH), que denuncia o papel do Ruanda e do Uganda nesta situação. comércio mineral. “Há relatórios que comprovam isso claramente.”

Embora as autoridades do Ruanda neguem que o país seja cúmplice, os comerciantes de Bukavu afirmam que o ouro do Kivu do Sul é frequentemente vendido a compradores baseados em Kigali ou Cyangugu no Ruanda.

“A extracção ilegal de matérias-primas no leste da RDC é uma das razões pelas quais a guerra continua”, disse Umpula. “É um sistema predatório de pessoas que querem que o conflito continue para poder saquear os recursos minerais”. Umpula disse que os comerciantes muitas vezes levavam os minerais primeiro para países como a China, a fim de cobrir seus rastros. Eles são então processados ​​lá antes de serem entregues a empresas como a Apple.

A gigante tecnológica dos EUA afirma utilizar cada vez mais recursos reciclados. Segundo a Apple, 99% do tungstênio e 100% do cobalto das baterias da série de produtos iPhone 16 são reciclados. A empresa afirma que sua política inclui instituições financeiras que buscam melhorar a rastreabilidade das matérias-primas. Segundo a Apple, o apoio a iniciativas regionais que ajudam as comunidades afetadas pelos conflitos também foi ampliado.

Uma população cética

Hypocrate Marume, membro do Comitê Consultivo da Sociedade Civil de Kivu do Sul, disse à DW que acolhe com satisfação o processo contra a Apple. Ele está optimista de que, a longo prazo, isto ajudará a acabar com as violações dos direitos humanos na RDC.

“Isso é um alívio”, disse Marume. “É por isso que apelamos a todas as organizações da sociedade civil para que apoiem os nossos advogados. Para que tenhamos acesso a reparações pelos danos que estes grupos já causaram em conluio com os rebeldes”.

Um ativista ambiental que pediu que o seu nome não fosse divulgado disse à DW que a culpa por esse comércio não pertence apenas às empresas e aos grupos armados. Ele disse que as autoridades da RDC não estavam a cumprir o seu dever de proteger a população e controlar os recursos do país. “Foram eles que emitiram as licenças para as empresas”, disse ele. “Mas, se uma autoridade provincial for verificar o que está a ser feito no terreno, pode ser espancada por homens armados. Em que país vivemos?”

Por que a RD Congo não é o país mais rico do mundo?

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Umpula continua esperançoso de que o processo da RDC possa forçar as empresas multinacionais a examinar mais de perto as suas cadeias de abastecimento. Cabe agora aos sistemas judiciários francês e belga decidir se serão iniciadas investigações, o que poderá abrir um precedente.

A França e a Bélgica foram escolhidas devido às suas regulamentações oficiais mais rigorosas para incentivar a responsabilização empresarial. Nos Estados Unidos, por outro lado, em Março, um tribunal federal rejeitou uma tentativa de demandantes privados de responsabilizar a Apple, Google, Tesla, Dell e Microsoft pela sua dependência do trabalho infantil nas minas de cobalto da RDC.

Marchand, o advogado que abriu a ação, disse que foi provado, sem sombra de dúvida, que os fornecedores da Apple obtêm matérias-primas de áreas de conflito. “O próximo passo é provar que a Apple sabe disso”, disse ele.

Este artigo foi adaptado do alemão por Philipp Sandner.

Sandrine Blanchard, Kossivi Tiassou, Zanem Nety Zaidi e Pablo Foley Elias contribuíram para este relatório.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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