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Por que a UE pode atrasar uma lei para desacelerar o desmatamento – DW – 13/11/2024
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As florestas estão a ser cortadas e degradadas a um ritmo alarmante, especialmente nos trópicos, com a expansão das terras agrícolas a causar quase 90% da redução florestalde acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Uma lei inédita, denominada Regulamento da Desflorestação da UE (EUDR), foi concebida para tomar medidas para combater esta situação. A ideia era que os importadores da UE teriam de provar que as suas cadeias de abastecimento de produtos como café, chocolate, couro, papel, pneus e mobiliário não contribuem para a exploração madeireira em qualquer parte do mundo. Caso contrário, enfrentariam multas de até 4% do seu faturamento.
A legislação, que faz parte do Acordo Verde Europeufoi negociado detalhadamente ao longo de vários anos e adotado pelo Parlamento Europeu com um mandato democrático esmagador em dezembro de 2022. Anunciado pelos proponentes como um avanço na batalha global contra a perda florestal, entrou em vigor em junho de 2023 e deveria ser implementado no final deste ano. Mas agora a UE está a considerar adiar a implementação por mais um ano.
O que significaria um atraso?
A análise revela que, em 2023, o mundo perdeu cerca de 37 mil quilómetros quadrados (14 mil milhas quadradas) de floresta tropical, ou uma área quase equivalente em tamanho à Suíça.
“Estamos enfrentando uma emergência global”, disse Anna Cavazzini, membro do Parlamento Europeu pelo Partido Verde da Alemanha. “Simplesmente considero irresponsável atrasar esta lei por mais um ano nesta situação.”
Um atraso de 12 meses significaria uma perda florestal global adicional de cerca de 2.300 quilómetros quadrados, de acordo com estudos da UE.
Também abriria a caixa de Pandora e daria espaço para diluir o conteúdo da lei, acrescentou Cavazzi.
“Com este atraso, uma nova proposta legislativa está efetivamente a ser introduzida no processo, onde também podem ser feitas alterações, e há muitos, muitos intervenientes que prefeririam suprimir ou enfraquecer a lei”.
Quem está pedindo um adiamento e por quê?
Os ministros da Agricultura e do Ambiente, bem como o público, estiveram envolvidos na elaboração da lei, mas desde que foi aprovada, vários ministérios da agricultura — incluindo os da Áustria, República Checa, Finlândia, Itália, Polónia, Eslováquia, Eslovénia e Suécia — apelou ao adiamento da implementação.
Entre as razões apresentadas está o facto de as empresas não estarem preparadas para a implementação devido a um sistema de benchmarking inadequado.
“Parece que especialmente alguns dos Estados-membros europeus não fizeram o seu trabalho de casa na preparação atempada das suas partes interessadas, das suas associações industriais e das suas Câmaras de Comércio para esta lei”, disse Nicole Polsterer, activista do consumo e produção sustentável na Fern, uma ONG internacional de proteção florestal com sede em Bruxelas.
Polsterer esteve intimamente envolvido na definição da regulamentação da UE sobre desmatamento nos últimos anos e disse que os requisitos “não vão substancialmente além da regulamentação madeireira da UE já aplicada, então esse não é um argumento válido para adiar a lei”.
Um argumento mais compreensível, disse Polsterer, é que a Comissão Europeia deveria ajudar os países a implementar o regulamento, fornecendo ferramentas digitais. Isto ajudaria as empresas a carregar declarações de devida diligência ou a mostrar se os países têm um risco de desflorestação elevado, médio ou baixo. Mas essas ferramentas não estarão totalmente operacionais até dezembro de 2024.
“E agora é realmente um pouco tarde para algumas empresas se prepararem para a nova lei”, disse Polsterer. “Mas existem outras soluções para este problema além de simplesmente atrasar totalmente o lançamento.”
Produtores de cacau pressionam pela nova lei
Embora alguns grupos industriais, incluindo a Federação Europeia do Comércio de Madeira e o Sindicato Europeu do Comércio de Gado e Carne, bem como grandes empresas madeireiras dos EUA, afirmem que não conseguem cumprir os requisitos do EUDR a tempo, outros estão prontos para o fazer.
O Gana e a Costa do Marfim são os principais produtores mundiais de cacau e a Europa é o seu maior mercado.
A Costa do Marfim criou cartões de identificação eletrónicos para os agricultores que ajudam a rastrear os feijões desde as explorações agrícolas até aos seus portos de exportação e permitem-lhes aceder a pagamentos eletrónicos, ao mesmo tempo que garantem aos produtores um preço pelos seus produtos à luz do novo regulamento da UE.
O Gana mapeou todo o cacau do país, estabeleceu um sistema de rastreabilidade de ponta a ponta destinado a reduzir os custos de conformidade dos pequenos agricultores e conduziu o projecto com sucesso.
Neste contexto, um grupo de 120 organizações da sociedade civil e de agricultores do Gana e da Costa do Marfim escreveu recentemente aos decisores da UE, expressando as suas profundas preocupações sobre os esforços para atrasar a lei.
Alguns gigantes do sector do cacau e do chocolate – incluindo Nestlé, Mars Wrigley e Ferrero – também defendem a lei e opõem-se ao adiamento.
“Isso serviria apenas para aumentar a incerteza e comprometer os investimentos significativos que as nossas empresas membros fizeram na preparação para a sua aplicação”, escreveram numa carta aberta.
E Polsterer concorda, dizendo que empresas como a Michelin já investiram milhões nos novos sistemas para poder cumprir a lei até ao final de 2024 e ofereceram contratos especiais com prémios aos seus fornecedores.
“Portanto, eles estão prontos. E agora perderiam esta vantagem competitiva se a lei fosse adiada porque outros perderam o prazo. Não creio que isto seja um bom presságio para a segurança empresarial e para a relação da Europa com os parceiros comerciais”, disse ela.
Assumir a responsabilidade e enviar um sinal
O Parlamento Europeu votará se a lei do desmatamento será adiada em 14 de novembro.
Polsterer espera que a legislação avance conforme planejado. “A agricultura em grande escala é o principal motor da desmatamento tropical, especialmente no Brasil. E, como UE, desempenhamos um papel importante nisso através do nosso consumo. Esta lei é uma forma de olhar para a pegada europeia, de agir e de responsabilizar as empresas”, afirmou.
Também enviaria o sinal certo a outros mercados ligados à desflorestação em todo o mundo, acrescentou Polsterer.
“Se um mercado importante como a UE adoptar este tipo de requisitos na cadeia de abastecimento”, disse Polsterer, “então a esperança é que outros mercados sigam o exemplo”.
Editado por: Tamsin Walker
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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