ACRE
Quando enegrecer espaços se torna um serviço prestado – 20/11/2024 – Sons da Perifa
PUBLICADO
1 ano atrásem
Jairo Malta
Quantas vezes você recebeu uma mensagem assim: “Amigo, você vem? Só tem brancos aqui.” Ou então: “Cara, que rolê de branco.” Para pessoas negras, isso é uma situação quase cotidiana. Mas, considerando que o Brasil tem uma população negra que ultrapassa 50%, por que ainda vemos tantos eventos e espaços marcados pelo excesso de branquitude?
Essa constatação levanta uma questão ainda mais profunda: por que espaços que se pretendem inclusivos e diversos continuam reproduzindo dinâmicas excludentes? É comum sermos chamados para “enegrecer” eventos com convites como: “Essa mesa de debate está muito branca, precisamos de um negro.” Esse tipo de abordagem acontece especialmente em eventos que se promovem como defensores de narrativas de ESG, mas que, na prática, limitam a diversidade a números e aparências.
E como percebemos que essa inclusão é apenas performativa? Primeiro, pela repetição: raramente há mais de cinco ou seis pessoas negras, e geralmente elas já se conhecem de outros eventos. Isso denuncia que quem organiza só tem contato com um grupo restrito de pessoas negras. Segundo, os temas atribuídos a nós: mesmo em eventos que abordam assuntos como finanças, governança ou arquitetura, as pessoas negras são quase sempre convocadas para falar de “coisas de negro” – racismo, diversidade e inclusão.
Por fim, a própria dinâmica social no evento revela a superficialidade dessa inclusão: os poucos negros presentes acabam se isolando, porque quem os chamou não pensou em criar uma integração real. Estamos ali para compor o cenário, não para participar ativamente.
Meu amigo branco, pode confessar: sei que você só me chamou para deixar seu evento mais negro. Não quer, de fato, que eu participe dos seus debates, articulações ou que faça negócios com sua empresa. Há um padrão quase cínico na forma como o talento negro é tratado. Precisamos ser excelentes para sermos notados, mas, quando isso acontece, nossos convites se limitam a “áreas de conforto”. Essa lógica é tão perversa que chega a ser ridícula; é o “diversity washing” em ação. Como resultado, negros são tratados como adereços, peças decorativas que só estão ali para evitar questionamentos sobre a ausência deles.
Se pergunte: quantos negros você admira e mantém no seu círculo que não falam sobre pautas identitárias? Responder essa pergunta, com honestidade, pode ser revelador. Este não é um texto contra o enegrecimento de espaços, mas contra a forma como isso é feito. Já parou para pensar que, quando somos convidados para enegrecer seu evento, estamos, até certo ponto, prestando um serviço para ele? Então, se nos convidou, assuma isso. Receba-nos da mesma forma que recebe as pessoas brancas influentes, porque não estamos ali para ser figurantes da sua narrativa.
Além disso, a inclusão performativa também carrega outra violência: a imposição de uma estética e de um comportamento específicos. O negro precisa parecer “diverso o suficiente” para ser reconhecido, mas sem causar desconforto. Você tem que ser o negro descolado, que se encaixa na narrativa estética do espaço branco, mas nunca o suficiente para incomodar. Esse controle sobre como devemos nos apresentar reforça estigmas e limita nossa subjetividade. Ser incluído só é válido se não ameaçarmos a ordem do espaço que já existe.
A questão não é apenas enegrecer espaços, é por que esses espaços precisam de enegrecimento. A inclusão verdadeira exige mais do que convites simbólicos; ela exige repensar estruturas, criar conexões autênticas e abrir portas que nunca deveriam ter estado fechadas.
Colunas e Blogs
Receba no seu email uma seleção de colunas e blogs da Folha
Enquanto a branquitude continuar controlando as regras do jogo, a presença negra será sempre uma perfumaria. E, se é isso que você deseja – apenas parecer diverso –, então tenha a honestidade de admitir que está interessado em números, não em mudanças. Mas, se o objetivo for realmente incluir, comece escutando e dividindo poder. A real inclusão não se faz com uma cadeira a mais na mesa; ela se faz com novas mesas, novas redes e, principalmente, novas mentalidades.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Relacionado
ACRE
Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
23 de dezembro de 2025Notícias
publicado:
23/12/2025 07h31,
última modificação:
23/12/2025 07h32
Confira a nota na integra no link: Nota Andifes
Relacionado
ACRE
Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.
Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.
Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”
A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”
O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”
A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”
Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”
Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.
A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.”
Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login