NOSSAS REDES

BRASIL

Raul Seixas tem audiência morna na era do streaming, mas mantém ‘idolatria’ 30 anos após morte

G1, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

PUBLICADO

em

Mas, trinta anos após sua morte, completados nesta quarta-feira (21), a obra do Maluco Beleza – pioneira no rock brasileiro – não desperta tanto interesse na era do streaming, quanto as de outros ícones do gênero no país.

Há mais de 30 discos de Raul no Spotify (14 dos seus 15 álbuns de estúdio e uma série de compilações). Eles atraem pouco mais de 940 mil ouvintes mensais no Spotify. Perdem de outros três ícones do rock nacional que já morreram.

Raul em números, 30 anos depois

No Spotify, cantor fica abaixo de três outros ícones do rock brasileiro que já morreram

O número também é baixo se comparado ao de artistas da atual geração, influenciados pelo cantor, como Pitty (1,3 milhão) e Detonautas Roque Clube (1,1 milhão).

No YouTube, considerando o número de reproduções dos últimos 12 meses, Raulzito sobe uma posição no ranking de roqueiros mortos.

Raul em números, 30 anos depois

Ele fica em terceiro lugar em quantidade de reproduções no YouTube nos últimos 12 meses

“A garotada de hoje escuta música de uma maneira diferente. Mas, quando você para pra ouvir Raul, você realmente para pra ouvir. É um artista de obra, não de músicas circulando em playlists, que aumentam os números de streaming”, avalia Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas.

Ele acrescenta:

“A música de Raul é hereditária, passada de pai para filho. Apesar de isso não se refletir nos números, reflete no dia a dia.”

Esses pais e filhos formam um “fenômeno raríssimo” na música popular, na opinião do pesquisador Ricardo Cravo Albin, que foi amigo do cantor.

Ele cita Raul como um dos artistas brasileiros com mais associações e fã-clubes criados em sua homenagem. Ele define: “É o que eu chamo de idolatria póstuma.”

Fã e amigo de Raul Seixas guarda 5 mil objetos pessoais do ‘pai do rock brasileiro’ em SP

“Poucos artistas no mundo tiveram o que Raul experimentou em termos de legado póstumo. No Brasil, nem mesmo os grandes mitos da era do rádio tiveram essa ardência da memória. São fãs absolutamente presentes e atentos, como eu nunca vi na música popular.”

A primeira associação de fãs de Raul foi fundada em 1981. O Raul Rock Club se autointitula como o primeiro fã-clube brasileiro a editar um LP: “Let me sing my rock’ n’ roll” (1985), com pérolas do acervo do cantor.

‘Indignado e iconoclasta’

Para Cravo Albin, um dos fatores que explicam a continuidade da adoração ao cantor é a “atualidade de seu comportamento, entre indignado e iconoclasta”. “Os jovens da época absorveram isso, e passaram aos seus filhos.”

A postura e a trajetória de Raul também ajudaram a torná-lo mais lembrado hoje em pesquisas no Google. Ele ganha de Cazuza e do Charlie Brown Jr. Perde apenas para o Legião em número de buscas nos últimos cinco anos.

No período, o pico de procura pelo nome dele foi em 2015, ano em que o cantor completaria 70 anos, e quando foi lançado “O baú do Raul – 25 anos sem Raul Seixas”. O álbum tem sucessos cantados por artistas como Tico Santa Cruz, Zeca Baleiro e Marcelo Nova.

Além dos álbuns de homenagens, Raul já foi lembrado no documentário “Raul – O início, o fim e o meio” (2012) e em mais de 30 biografias. “Nenhuma reproduz a verdadeira trajetória”, diz a filha do cantor, a DJ Vivi Seixas. Ela alfineta:

“Todas [as biografias foram] escritas por pessoas bem intencionadas – ou não – , mas poucas com qualidade e veracidade.”

Vivi ajuda a conservar o legado do pai através do próprio trabalho. Em 2013, lançou “Geração da luz – Clássicos de Raul Seixas metamorfoseados”, com remixes de canções dele.

Para a DJ, Raul deixou registrado um jeito único de fazer música, impossível de copiar. “Não posso apontar nenhum artista que tenha conseguido exprimir o estilo e a qualidade da obra do meu pai.”

Mesmo assim, sua influência acabou diluída pelo tempo no rock nacional, opina Santa Cruz. “As bandas que estão nascendo hoje estão expostas a uma diversidade musical maior. Os artistas mais novos são de uma geração que, talvez, tenha tido mais contato com os anos 90, alguns com os anos 80”, analisa o cantor.

“Se aparecesse um artista hoje com uma influência mais próxima do Raul, poderia chamar a atenção do público.”

Ele acrescenta que a obra do cantor o inspira, principalmente, na “abordagem filosófica”. “É um artista que está além da música. Está no comportamento, na visão do mundo.”

REDES SOCIAIS

Área do assinante

Receba publicações exclusivas.

MAIS VISUALIZADAS

WhatsApp chat