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Relembrando Shamshad Abdullaev, o poeta uzbeque de classe mundial que poucos conheciam | Artes e Cultura

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O próprio nome de Shamshad Abdullaev era uma confluência de culturas.

Um primeiro nome persa (“uma árvore semelhante a um pinheiro”), um sobrenome árabe (“Um servo de Deus”) e uma terminação eslava “ev” que significa simplesmente “de”.

Esta combinação foi possível no antigo coração da Grande Rota da Seda, no Uzbequistão ex-soviético, uma nação da Ásia Central outrora associada a purgas políticas e ao trabalho infantil na indústria do algodão.

Com a aparência de uma estrela de cinema italiana envelhecida e o comportamento de um aristocrata refinado, Abdullaev, que morreu de câncer aos 66 anos na terça-feira, era um poeta e ensaísta que escrevia em russo.

Sua produção artística é modesta – vários pequenos livros de poesia e ensaios, e um roteiro de filme que nunca se tornou um filme, mas que o ajudou a comprar um apartamento na cidade de Ferghana, no leste do Uzbequistão, no final da década de 1980.

Seus poemas careciam de rima e métrica constante e, ainda assim, sua vida e obra ajudam a responder algumas das questões mais difíceis que um artista enfrenta no mundo de hoje:

A arte é culpada pelas guerras e pelo imperialismo?

Como você descoloniza sua cultura, se você escreve na língua do seu antigo colonizador?

À medida que a guerra Rússia-Ucrânia avança no seu terceiro ano, até onde é preciso ir para rejeitar a língua e a cultura russas?

E se esta linguagem for a ferramenta artística de um homem apolítico que detestava a autocracia, não tinha uma única gota de sangue russo e foi criticado por não seguir as tradições poéticas russas?

Fergana

Para quem conhece a Ásia Central ex-soviética, a palavra “Ferghana” está principalmente associada ao vale de 16 milhões de pessoas, o pedaço de terra mais fértil e densamente povoado entre a China, o Irão e a Rússia.

Ferghana foi o ponto focal da Grande Rota da Seda que reuniu, fundiu e disseminou tecnologias, culturas e religiões.

Dividida desigualmente entre o Uzbequistão, o Tadjiquistão e o Quirguistão, Ferghana também se tornou o local de tensões políticas pós-soviéticas e banhos de sangue.

Mas Abdullaev fez com que o nome “Ferghana” – o do vale e a cidade homónima onde nasceu em 1957 – fosse associado a um híbrido cultural invulgar dos seus escritos.

Na década de 1970 soviética, Abdullaev transplantou tendências proibidas do modernismo ocidental para versos russos:

“O meio-dia – ferida de primavera – com sua pele lilás
rachado ao longo de uma dobra, revela um caminho para florescer,
o ninho parece mais pesado e a morte
não submerge em um pote de mel iridescente”

(de “Meio-dia, 1975”, traduzido por Alex Cigale)

‘A Estrela Oriental’

Esse escapismo introvertido se opunha ao tom oficial e ao teor da literatura soviética, e apenas o afastamento de Ferghana de Moscou manteve Abdullaev sob o radar dos apparatchiks comunistas e dos serviços secretos que forçaram escritores mais politizados – e futuros ganhadores do Prêmio Nobel – Alexander Solzhenitsyn e Josef Brodsky a sair. da URSS.

Enquanto isso, Ferghana, uma cidade tranquila e sonâmbula, onde gigantescos plátanos cobriam prédios de apartamentos com o sol impiedoso, tornou-se um berço de arte incomum.

Enver Izmaylov, um músico nascido em uma família de tártaros da Crimeia exilados, desenvolveu um estilo de tocar guitarra “com as duas mãos” que o tornaria uma sensação nos festivais de jazz europeus.

O artista Sergey Alibekov fundiu a pintura a óleo europeia com as imagens da Ásia Central e criou um desenho animado que ousou retratar o trabalho da mente humana.

As obras de Abdullaev só foram publicadas depois das reformas da perestroika que abriram a URSS ao mundo – e vice-versa.

Em 1991, pouco antes do colapso soviético, Abdullaev começou a contribuir para uma sensação cultural menor. Durante quatro anos foi editor de poesia da revista literária Zvezda Vostoka (“The Oriental Star”).

A revista publicou obras outrora proibidas de modernistas ocidentais – juntamente com a tradução revista do Alcorão, obras de teólogos sufis, filósofos taoístas chineses e do poeta sírio Adonis, nomeado para o Prémio Nobel.

O romancista russo Sergey Spirikhin desembarcou na capital do Uzbequistão, Tashkent, para escrever um “romance pontual”, escrevendo o que estava acontecendo com uma colônia de artistas de rua em um dia – e teve o trabalho publicado no Zvezda Vostoka.

Enquanto isso, Abdullaev tornou-se uma estrela entre os artistas pouco ortodoxos e underground nas ex-repúblicas soviéticas, ao mesmo tempo que foi rejeitado por escritores mais conservadores.

“Na década de 1980, Shamshad já escrevia em sua própria linguagem recém-inventada, que foi repudiada com raiva por todos os tradicionalistas da literatura russa”, disse Daniil Kislov, um acólito de Abdullaev que acabou se tornando editor do influente site de notícias Ferghana.ru e membro da Central. Analista da Ásia, me disse.

Em 1994, ele recebeu um prêmio em homenagem ao pioneiro poeta russo Andrey Belyi – um prêmio da contracultura na forma de um copo de vodca e uma maçã que teve de ser consumido diante do júri e da multidão de literatos.

Abdullaev, que mal tocou no álcool, teve que se forçar a “aceitar” o prêmio.

A circulação da revista aumentou para astronômicos 250.000 exemplares, vendidos principalmente na agora independente Rússia e nas repúblicas bálticas.

Meu amigo e mentor

Foi quando conheci e fiz amizade com Abdullaev – e ele imediatamente me convenceu a traduzir vários poemas do inglês e do italiano. Eu era um estudante de literatura inglesa de 19 anos e fiquei feliz ao ver meu nome em uma revista “séria”.

Mais tarde, depois de conseguir um emprego de escritório, digitei dezenas de seus poemas que precisavam ser enviados por e-mail para seus editores e amigos a milhares de quilômetros de distância.

“O centro do mundo não está em parte alguma e em todo lugar”, disse-me Abdullaev mais de uma vez, provando que a literatura de classe mundial pode ser esquecida num remanso da Ásia Central.

Mas uma revista de literatura inovadora não era algo que o autoritário presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, pudesse tolerar. Em 1995, ordenou a demissão de todo o conselho editorial do Zvezda Vostoka.

Abdullaev tornou-se um poeta desempregado que vivia com uma modéstia à beira da pobreza, mas viajava frequentemente para festivais literários na antiga União Soviética, na Europa e nos Estados Unidos.

Tal como centenas de artistas com ideias semelhantes que evitam o patrocínio estatal, a agitação mediática e a política, ele redimiu simbolicamente o pecado original da arte erudita.

A arte elevada requer décadas de dedicação a uma forma de arte – música, literatura, pintura – e séculos de tradição.

Ela prospera em países ricos que muitas vezes são impérios – e muitas vezes encobre o sangue derramado pelos seus governantes.

O primeiro “autor” conhecido no mundo foi a poetisa Enheduanna, cujo pai, Sargão de Akkad, costurou o império do Médio Oriente – e nomeou a sua filha alta sacerdotisa do deus da lua Nanna.

O imperador romano Augusto regou Virgílio, cujo longo poema Eneida se tornou um ponto focal da literatura latina, com ouro saqueado de todo o Mediterrâneo.

Para muitos iranianos, Shahnameh, um épico de Ferdowsi, personifica o seu espírito nacional. Mas foi pago por Mahmud Gaznavi, que afogou em sangue o que hoje é o Paquistão e o norte da Índia, após dezenas de ataques.

No entanto, artistas como Vincent van Gogh, o mestre itinerante de haicai japonês Matsuo Basho, o “maldito” poeta francês Charles Baudelaire e, sim, Abdullaev, nunca escreveram hinos aos governantes.

Eles nunca se humilharam nos corredores do poder, nunca aceitaram comissões ricas e pensões do Estado – e pagaram pela sua honestidade com as suas vidas:

“O canto de um rouxinol se infiltra no sabor da cereja preta
especialmente aqui na casa do pai e da mãe
quintal onde pela primeira vez a pergunta
e a resposta são ouvidas em uníssono –
o frescor das províncias desaparecidas em
o fim de um século quando
o estágio final de qualquer microcosmo assemelha-se a um amanhecer prolongado.”

(“Família”, traduzido por Alex Cigale)



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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